A empresa como dívida: Como Registrar Crimes Digitais Envolvendo Falsidade Documental

A empresa como dívida: Como Registrar Crimes Digitais Envolvendo Falsidade Documental

A digitalização expandiu oportunidades, mas também potencializou fraudes via documentos falsificados, autorizações eletrônicas manipuladas e boletos adulterados. Empresas têm enfrentado prejuízos significativos — tanto financeiros quanto reputacionais — por conta dessas práticas ilícitas. Aqui, abordo os principais tipos de golpe, ações preventivas e reativas, a importância da cadeia de custódia digital.

1. Tipos de golpes mais frequentes

a) Documentos eletrônicos falsificados

Falsificação de contratos, propostas ou autorizações assinadas digitalmente.

Uso de assinaturas eletrônicas fraudulentas, geradas por “phishing institucional” ou links maliciosos.

b) Autorizações digitais manipuladas

Envio de autorizações eletrônicas (e‑mail, SMS, link) contendo informações alteradas para aprovação de pagamentos ou acessos indevidos.

Formulários alterados com dados bancários manipulados, mas ainda sob o domínio visual do layout original.

c) Boletos adulterados

Códigos de barras trocados ou dados bancários alterados no ato de geração ou edição do boleto propriamente dito.

d) Boletos falsos de fornecedores

Envio de cobranças em nome de fornecedores com dados bancários alterados — muitas vezes muito semelhantes aos originais — gerando confusão.

e) Registros indevidos de boletos no CNPJ

Empresas enfrentam cobranças ou negativação por boletos gerados sem autorização, usando indevidamente seu CNPJ.

2. Estratégias preventivas

  • ✔️ Processos internos robustos

    • Implementar fluxos de validação, com dupla conferência entre setores.

    • Aculturamento interno para utilização de autenticação forte, alertas de alteração de dados, duplo fator de autenticação.

    • Apoio da Alta Gestão na implementação de um Compliance ativo e canais internos para denúncias e suspeitas.

  • ✔️ Validação de assinaturas e documentos

    • É uma boa prática realizar conferências via contato presencial ou por vídeo.

    • Realizar testes periódicos de phishing e validação de links para evitar fraudes.

  • ✔️ Compartilhamento seguro de documentos

    • Evitar uso de redes sociais ou e-mails genéricos para envio de documentos.

    • Utilizar arquivos sem possibilidade de edição e com marcações de segurança.

  • ✔️ Boletos e QR Codes seguros

    • Boletos emitidos por sistemas consistentes + verificação de dados.

    • Uso de QR Codes com checagem automática da conta e certificado digital.

3. Reação adequada diante da fraude

  1. Ação rápida com o banco

    • Solicitar bloqueio do valor e rastreamento em caráter de urgência.

    • Dar entrada com comprovantes completos do erro.

  2. Registro de Boletim de Ocorrência

    • Essencial para abrir investigação pelas autoridades e formalizar o crime.

  3. Elaboração de Notícia‑Crime

    • Relato organizado com identificação da empresa, fatos, documentos, registros de acesso digital.

    • Envio à autoridade competente com pedido de instauração de inquérito.

  4. Conservação da cadeia de custódia digital

    • Fundamental para garantir que as provas (e-mails, PDFs, logs, prints) sejam aceitas pela autoridade. Devem ser:

      • Guardadas sem modificação.

      • Identificadas com data, origem e responsável.

      • Preferencialmente armazenadas em mídia não regravável ou ambiente forense.

      • Não convertidas em formatos que apaguem metadados.

Resumo Final

Fraudes se tornaram mais diversas e sofisticadas — vão além de boletos e envolvem documentos e autorizações criadas digitalmente. Prevenção exige combinação de tecnologia, processos e cultura de segurança. Reação imediata e técnica (BO, notícia‑crime, cadeia de custódia digital) é determinante para sucesso investigativo.

As opiniões dos autores convidados da nossa comunidade são independentes e não necessariamente representam a opinião da Okai.