Modelagem de Risco para a Alta Direção = Transformar o Risco em Oportunidade, e não Apenas Mitigá-lo!

Modelagem de Risco para a Alta Direção = Transformar o Risco em Oportunidade, e não Apenas Mitigá-lo!

Esta dica foi do meu colega de longa data no Comitê de Riscos (Coris) da CAIXA Roberto Hollander, que deu a dica deste estudo da PwC Brasil liderado por Francisco Macedo e Andre Pannunzio e participação de Luiz Ponzoni e Marcos Panasso, que fala da modelagem de riscos para a alta direção.

Como sabemos bem, e o texto reforça, a modelagem de risco não é uma novidade no campo de gerenciamento de riscos, mas felizmente sua importância tem ganhado relevância estratégica com o aumento da pressão de reguladores e investidores e a complexidade de riscos, que passam a ser inter-relacionados.

O que gostei deste estudo da consultoria PwC foi que ressaltou bem essa mudança de paradigma, que aponta que a alta direção está cada vez mais engajada em transformar o risco em oportunidade, e não apenas mitigá-lo. Perfeito! Na minha opinião, a melhor mensagem deste estudo! Importante que as áreas de riscos percebam que seu papel não se limita ao de fiscalizar e controlar, mas que passe a ter um papel mais ativo na gestão e na estratégia, que passe a ser uma voz importante nesta discussão.

Este post visa então aprofundar e complementar esses pontos, expondo os desafios e riscos inerentes ao processo. Achei interessante que usaram o conceito do "atrator de Lorenz", que é uma representação matemática do caos que revela a ordem na aleatoriedade e imprevisibilidade, como uma forma de dizer de que qualquer um dos problemas de risco atuais pode ter impacto significativo em seus negócios, mas é o grau de interconexão que causa implicações de longo alcance. Isso pode significar que um risco em uma área pode afetar outra área de maneira não linear, e a modelagem precisa abordar essa complexidade.

Historicamente, a gestão de riscos era uma função separada da estratégia corporativa, mas isto está felizmente mudando, até porque o ambiente atual exige que a alta administração compreenda suas escolhas estratégicas baseadas em quantificações de risco rigorosas, e não apenas em intuição. Esse é um salto qualitativo na abordagem de modelagem de risco.

Algo que tem mudado e vai ajudar neste sentido é o enorme volume de dados que o Big Data e da Internet das Coisas (IoT) têm trazido, com um crescente fluxo contínuo de informações, que vai enriquecer consideravelmente a modelagem de risco se bem integrado, mas como sempre também apresenta seus desafios, como a qualidade dos dados e a segurança da informação.

O terceiro ponto crítico que o estudo mostrou, foi a crescente interconexão entre diferentes tipos de riscos. Um exemplo recente é a invasão da Ucrânia, que tem ramificações em mercados financeiros, cadeias de suprimentos e segurança cibernética, o que comprova de que a modelagem de risco, portanto, não pode mais ser feita em silos. As correlações estão cada vez mais importantes e não podem ser mais desprezadas, seja ela em cenários de normalidade, ou principalmente em de crises.

Neste sentido, a quantificação de riscos requer um modelo financeiro robusto que abarque diversas dimensões, o que implica em analisar milhares de variáveis e cenários, com dados tanto internos quanto externos. O exemplo dado pelo estudo da PwC envolve a modelagem de riscos climáticos, que pode incluir desde impostos sobre carbono até mudanças em condições climáticas que afetam as operações da empresa.

O estudo também aborda o papel da alta administração, destacando a cultura organizacional e as capacidades e competências. Para efetivamente incorporar a modelagem de riscos na estratégia corporativa, é essencial mudar a cultura da organização. O risco deve ser percebido como uma oportunidade, não apenas uma ameaça a ser mitigada. A segunda dimensão crítica é a necessidade de investir em competências específicas para modelagem de risco. Equipes interdisciplinares que combinam conhecimento setorial com especialização em modelagem podem oferecer insights mais robustos e confiáveis.

A interessante conclusão do estudo é que em um ambiente de negócios cada vez mais complexo e interconectado, a alta direção não pode se dar ao luxo de isolar a modelagem de risco, assim como a integração dessa função na estratégia da empresa e o investimento em capacidades especializadas são fundamentais para gerar informações e conclusões valiosas, que não apenas mitigam riscos, mas também criam oportunidades de negócio. Não poderia deixar de concordar mais, e por isto mesmo fiz questão de trazer este estudo e seus principais pontos para a sua atenção.

Podem ter acesso ao texto original em: Modelagem de Risco para a Alta Direção (pwc.com.br)

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