Artigo
18/08/2025

Como Transformar o Mapeamento de Processos em uma Ferramenta de Avaliação Eficaz

Mostra como diferenciar tarefas e controles para aprimorar o mapeamento e avaliação de processos operacionais.

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Uma das atividades fundamentais realizadas por especialistas em controle interno e auditores internos é o mapeamento dos processos operacionais que serão avaliados.

Antes de tudo, é importante entender que um processo operacional é um conjunto de tarefas logicamente organizadas com o objetivo de entregar produtos ou serviços que agreguem valor. Ele permite que a gestão aloque melhor recursos, ações e decisões para alcançar metas e objetivos estratégicos. Assim, fica claro que um processo só faz sentido se estiver conectado à estratégia da empresa.

Outro ponto importante é que cada processo deve ter um gestor responsável que desempenhe as funções de gestão — planejar, organizar, dirigir, executar e monitorar. Esse gestor também responde pela gestão de riscos e pelo sistema de controles internos do processo.

O mapeamento de processos é uma prática essencial tanto ao modelar novos processos quanto ao avaliar os existentes, para verificar se são eficientes, eficazes e econômicos. Além disso, o mapeamento é indispensável para analisar se o sistema de controles internos é suficiente para manter os riscos em níveis aceitáveis, alinhados ao apetite de risco da organização.

Em uma auditoria de desempenho ou operacional, o mapeamento faz parte da fase de planejamento.

Atualmente, é muito comum usar a metodologia BPM para desenhar processos, mas ela não distingue claramente uma tarefa de um controle interno. Como resultado, o diagrama frequentemente se parece mais com um blocograma do que com um fluxograma útil para uma avaliação mais precisa.

Este artigo propõe uma reflexão: como podemos aprimorar esse mapeamento, tornando-o mais simples e, ao mesmo tempo, mais eficaz para avaliar tanto o processo quanto o sistema de controles internos?

O primeiro ponto diz respeito à forma como o processo é mapeado. Funciona melhor quando conduzido por meio de entrevistas planejadas com quem executa as tarefas no dia a dia. Nessas entrevistas, o especialista ou auditor precisa ter habilidade para identificar claramente o que é tarefa e o que é controle.

Simplificando:

  • Um controle interno é uma ação voltada a reduzir a probabilidade de materialização de um risco. Por exemplo: revisar, conferir, recalcular, aprovar, autorizar, entre outras.

  • Um controle é um ponto de decisão: se tudo estiver correto, o processo segue; caso contrário, volta para correção. No fluxograma, o controle deve ser representado por um losango (também chamado de gateway).

Por outro lado:

  • Uma tarefa é uma ação de execução, como registrar, demonstrar, arquivar ou relacionar informações. No fluxograma, ela é representada por um retângulo.

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Com isso, perceba como podemos simplificar: basta usar três símbolos para criar o fluxograma:

  • Um círculo para marcar início e fim do processo,

  • Um retângulo para as tarefas,

  • E um losango para os controles.

Esse modelo torna o fluxograma mais claro, objetivo e fácil de usar na avaliação.

Gosto particularmente de usar o formato “swimlane” no fluxograma, em que faixas horizontais indicam os papéis ou funções envolvidos no processo. Isso ajuda a visualizar melhor se há uma boa segregação de responsabilidades, essencial para evitar falhas.

Tenha em mente: o fluxograma deve sempre representar o processo como ele é atualmente executado, não como gostaríamos que fosse. Portanto, após o mapeamento, é essencial validá-lo por meio de um walkthrough, ou seja, percorrendo o processo junto com o responsável para confirmar que o que está descrito é preciso.

Ao final, teremos uma visão clara de:

  • Todas as tarefas do processo,

  • Todos os controles internos existentes.

Esses elementos são a base para avaliar:

  • Se o processo é eficiente e eficaz,

  • Se o sistema de controles internos é suficiente e eficaz.

Todos os controles internos identificados devem ser registrados na matriz de controles internos, onde serão organizados para facilitar a análise.

Muitas vezes me perguntam: “É necessário identificar riscos no fluxograma?” Minha resposta: não é obrigatório, mas também não há problema em fazê-lo. Se desejar, você pode incluir essa informação, vinculando-a à matriz de riscos do processo.

Espero que este artigo tenha ajudado você a refletir sobre o tema e, quem sabe, aprimorar seu processo de mapeamento de processos operacionais.

Desejo grande sucesso e seja feliz!

As opiniões dos autores convidados da nossa comunidade são independentes e não necessariamente representam a opinião da Okai.

Perguntas e respostas

O que é um processo operacional?
Um processo operacional é um conjunto de tarefas organizadas de forma lógica com o objetivo de entregar produtos ou serviços que agregam valor.A existência de um processo só faz sentido se estiver conectada à estratégia da empresa, pois permite que a gestão aloque melhor os recursos, as ações e as decisões para alcançar metas e objetivos estratégicos.
Qual a importância do mapeamento de processos?
O mapeamento de processos é uma prática essencial tanto na modelagem de novos processos quanto na avaliação dos já existentes. Ele permite verificar se os processos são eficientes, eficazes e econômicos.Além disso, o mapeamento é indispensável para analisar se o sistema de controles internos é suficiente para manter os riscos em níveis aceitáveis, alinhados ao apetite a risco da organização.
Quem é o responsável por um processo operacional?
Cada processo operacional deve ter um gestor responsável. A este gestor cabem as funções de gestão, que são: planejar, organizar, dirigir, executar e monitorar.Esse mesmo gestor também é o responsável pela gestão de riscos e pelo sistema de controles internos do processo.
Em qual fase da auditoria o mapeamento de processos é realizado?
Em uma auditoria de performance ou operacional, o mapeamento de processos faz parte da fase de planejamento.
Qual a diferença entre uma tarefa e um controle interno em um fluxograma de processo?
A principal diferença reside na sua finalidade e representação visual dentro de um processo.Uma tarefa é uma ação de execução, como registrar, arquivar ou relacionar informações. Em um fluxograma, ela é representada por um retângulo.Já um controle interno é uma ação que visa reduzir a probabilidade de um risco se materializar, como revisar, conferir ou aprovar. Ele funciona como um ponto de decisão e, por isso, é representado por um losango (também conhecido como gateway).
Por que a metodologia BPM pode não ser ideal para o mapeamento de processos em uma auditoria?
A metodologia BPM (Business Process Management) pode não ser ideal para avaliações de auditoria porque ela não distingue claramente entre o que é uma tarefa e o que é um controle interno.Como resultado, o produto final frequentemente se assemelha mais a um diagrama de blocos do que a um fluxograma que seja realmente útil para uma avaliação precisa dos controles e do processo em si.
O que é o formato "swimlane" em um fluxograma de processos?
O formato "swimlane" (raia de piscina) em um fluxograma organiza o processo em faixas horizontais. Cada faixa indica os cargos ou funções envolvidos no processo.A principal vantagem desse formato é que ele ajuda a visualizar melhor se existe uma boa segregação de responsabilidades, um fator essencial para evitar falhas.
O que é um "walkthrough" e qual a sua finalidade no mapeamento de processos?
Um "walkthrough" é o ato de percorrer o processo juntamente com o seu responsável após a elaboração do fluxograma.Sua finalidade é validar o mapeamento. O objetivo é confirmar que o que está descrito no fluxograma representa o processo como ele é executado na realidade, e não como se gostaria que ele fosse.
Para que serve o resultado final de um mapeamento de processos?
O mapeamento de processos resulta em uma visão clara de todas as tarefas e de todos os controles internos existentes.Esses elementos são a base para avaliar se o processo é eficiente e eficaz, e também para determinar se o sistema de controles internos é suficiente e efetivo.
O que deve ser feito com os controles internos identificados no mapeamento de um processo?
Todos os controles internos que forem identificados durante o mapeamento do processo devem ser registrados na matriz de controles internos. Nessa matriz, eles serão organizados para facilitar a sua análise posterior.
É obrigatório identificar os riscos diretamente no fluxograma do processo?
Não, não é obrigatório identificar os riscos diretamente no fluxograma do processo. No entanto, também não há problema em fazê-lo.Caso se opte por incluir essa informação, ela pode ser vinculada à matriz de riscos do processo.

Autor

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Eduardo Pardini

Fundador da Crossover Corporation, palestrante e membro de conselhos e comitês do IIA, atuando também como mentor de líderes emergentes