Artigo
18/04/2025

Reconstrução da narrativa ESG: Quais os cenários diante das mudanças políticas?

Analisa como mudanças políticas influenciam a relevância e a estratégia ESG nas empresas.

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Os tempos estão mudando, e com eles, os discursos também. Quem usou a governança ambiental, social e corporativa (ESG) como uma soma de práticas isoladas para fins meramente comerciais vai resistir por um tempo. Vai tentar remendar narrativas. Mas, no fim, será em vão e sua estratégia de negócio vai se dissolver.

O cenário global, fortemente influenciado por um reforço conservador na política, está transformando o ambiente de negócios. Empresas que usaram da agenda ESG apenas como uma ferramenta de marketing ou para surfar no hype, inevitavelmente pularão fora quando a pressão mudar de direção (o que já estamos vendo). E, junto com elas, muitos profissionais, consultorias e certificados sem substância desaparecerão do mapa.

Nesse “pós-boom ESG”, acredito que veremos as empresas se agruparem de novas formas:

  • As que abandonarão a agenda – Essas darão adeus aos compromissos e metas, muitas vezes para aliviar a pressão sobre suas ações. Para elas, ESG era apenas um capricho que poderia ser um aditivo aos seus resultados. E, com isso, a falsa transparência que já existia será jogada fora e ela voltará a ser o que sempre foi (mas agora sem uma máscara).

  • As que resistirão por ideologia – Algumas empresas continuarão pela presença de ativistas em seus boards, sendo guiadas mais pela visão pessoal do que pela estratégia. Não é tão sustentável assim, mas é o que as manterá de pé na agenda por conexão direta aos seus interesses e propósitos e claro, por vezes seu foco não será no ESG propriamente dito, mas em atividades específicas que se conectam com sua visão de mundo.

  • As que entendem o valor estratégico da agenda – Poucas, mas sólidas, continuarão usando ESG como ferramenta estratégica. Elas sabem que se trata de proteger riscos, aproveitar oportunidades e manter os negócios no rumo certo. Essas são as que realmente importam. As organizações que ao invés de metas publicas criaram estratégias sólidas, serão as que conseguirão manter-se em funcionamento e crescimento, porque seu foco está no impacto da agenda para os negócios e não no número e na visão externa, portanto tais organizações não terão qualquer impacto com as mudanças e conseguirão se destacar ainda mais pela governança sólida que criarão.

A visão do novo presidente americano de priorizar a soberania econômica, centrada em combustíveis fósseis, mostra claramente uma posição contrária a transição climática (algo que surpreende um total de zero pessoas). Ao mesmo tempo, o protecionismo econômico travestido de proteção ambiental também levanta dúvidas (que sabemos que ocorre do outro lado da moeda). Esses extremos mostram que, na prática, tudo se resume a interesses, e quem sobrevive são aqueles que conseguem especular e ajustar suas estratégias de forma rápida e inteligente sem perder sua identidade base.

Para os profissionais de ESG, o momento é de reflexão. Se sua narrativa se apoia em ideologias, conscientização coletiva ou tendências passageiras, é hora de repensar. O mundo é cíclico, e o pêndulo nunca para: o movimento para um lado inevitavelmente gera a reação oposta.

Por isso, o ideal é reforçar que ESG não tem lado político ou ideológico. Essa agenda não é uma ferramenta de guerra cultural. Ela é, e deve ser, sobre negócios estruturados, perenes e resilientes. É sobre entender o mercado e antecipar movimentos, não seguir tendências.

No fim das contas, só quem constrói sobre bases sólidas permanece. E ESG, quando feito do jeito certo, é uma dessas bases que ajuda organizações a enxergar muito além da tomada de decisão através de números do passado, mas sim através de proteção dos maiores patrimônios de um negócio (financeiro e reputacional), melhor gerindo os capitais mais relevantes da organização (natural, humano e financeiro) através de uma governança única por sobre aquilo que pode quebrar uma empresa (governança ambiental, social e corporativa).

As opiniões dos autores convidados da nossa comunidade são independentes e não necessariamente representam a opinião da Okai.

Perguntas e respostas

O que é a governança ambiental, social e corporativa (ESG)?
A governança ambiental, social e corporativa (ESG) é um conjunto de práticas que visam integrar questões ambientais, sociais e de governança nas operações e estratégias de negócios das empresas.
Como as empresas tendem a se comportar no cenário 'pós-boom ESG'?
No 'pós-boom ESG', as empresas tendem a se agrupar de três formas: aquelas que abandonarão a agenda, aquelas que resistirão por ideologia e aquelas que entendem o valor estratégico da agenda ESG.
Qual é a visão do novo presidente americano mencionada no texto?
A visão do novo presidente americano é priorizar a soberania econômica centrada em combustíveis fósseis, o que mostra uma posição contrária à transição climática e levanta dúvidas sobre o protecionismo econômico travestido de proteção ambiental.
Qual é a recomendação para os profissionais de ESG, segundo o texto?
A recomendação para os profissionais de ESG é refletir sobre suas narrativas e evitar a dependência de ideologias, conscientização coletiva ou tendências passageiras, focando em negócios estruturados, perenes e resilientes.
Por que é importante que a agenda ESG não tenha lado político ou ideológico?
É importante que a agenda ESG não tenha lado político ou ideológico porque ela deve ser focada em negócios estruturados, perenes e resilientes, ajudando as organizações a entender o mercado e antecipar movimentos de forma independente de tendências culturais.
Qual é a importância de bases sólidas em ESG para as empresas?
Bases sólidas em ESG são importantes para ajudar as organizações a proteger seus patrimônios financeiros e reputacionais, gerindo de forma eficiente os capitais naturais, humanos e financeiros através de uma governança única que aborda questões ambientais, sociais e corporativas.
Quais grupos de empresas resistirão por ideologia na agenda ESG?
As empresas que resistirão por ideologia na agenda ESG são aquelas guiadas pela presença de ativistas em seus boards, focando-se mais em sua visão pessoal e interesses do que em uma estratégia sustentável de ESG.
Quais empresas entenderão a importância estratégica da agenda ESG?
As empresas que entenderão a importância estratégica da agenda ESG são aquelas que usam ESG como uma ferramenta para proteger riscos, aproveitar oportunidades e orientar seus negócios, mantendo-se sólidas e resilientes frente às mudanças de cenário.
O que ocorrerá com empresas que usaram ESG apenas como ferramenta de marketing?
Empresas que usaram ESG apenas como ferramenta de marketing provavelmente abandonarão a agenda quando a pressão mudar de direção, perdendo relevância e credibilidade no mercado.
Qual é a relação entre ESG e a sobrevivência dos negócios?
A relação entre ESG e a sobrevivência dos negócios está na capacidade de as empresas utilizarem práticas ESG para proteger seus riscos, aproveitar oportunidades e manter uma governança sólida que assegure sua perenidade e crescimento no mercado.

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Luiz Goi

Especialista em ESG e gestão | Autor de 5 livros | Mais de 40.000 alunos | 20 anos de experiência de mercado