Notícia
01/07/2004

Meio eletrônico já supera pagamentos em papel no Brasil

Pagamentos eletrônicos superam pagamentos em papel no Brasil, refletindo avanços no Sistema de Pagamentos Brasileiro.

Os pagamentos por meio eletrônico já superam aqueles realizados em papel no Brasil, exceto os realizados em papel-moeda, segundo consta de trabalho que será divulgado nas próximas semanas. O estudo revela que, de 1999 ao final de 2003, o total de pagamentos em cheques passou de 63,5% para 40,7% em volume e de 42,4% para 22,1% em valor. Os pagamentos por meio eletrônico cresceram, em volume, de 15,2% para 16,4%; as transferências de crédito (TED, DOC e Bloquetos de Cobrança), de 5,3% para 11,3%; os débitos diretos, de 13,4% para 19,6%; os cartões de crédito e de débito, de 2,6% para 12,0%. Essa mudança foi influenciada pelos aperfeiçoamentos do Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB), implantados a partir de abril de 2002.

O “Diagnóstico do Sistema de Pagamentos de Varejo no Brasil”, elaborado pelo Deban, é um documento que abrange a utilização dos diferentes instrumentos de pagamentos. Apresentado de forma didática, o diagnóstico enfoca os aspectos conceituais, a experiência internacional (referenciada em amostra de nove países) e a situação atual do Brasil, o que permite indicar pontos de ineficiência e recomendações de aperfeiçoamento.

De acordo com o chefe do Deban, José Antonio Marciano, o estudo deve contribuir para que o Banco Central e os demais integrantes do sistema financeiro encontrem alternativas para aumentar a segurança e a eficiência dos instrumentos de pagamentos de varejo no mercado brasileiro. O diagnóstico também traz grande número de informações quantitativas e qualitativas sobre os instrumentos de pagamento e análises dos técnicos do BC sobre as tendências de uso no Brasil.

A divulgação dos estudos reflete um novo cenário na implementação do projeto de reformulação do SPB. Depois de aperfeiçoar a infra-estrutura de liquidação interbancária, com investimentos pesados em tecnologia, e de determinar novas regras para funcionamento da conta Reservas Bancárias e das câmaras de compensação e de liquidação, o Banco Central passa a atuar como promotor de mudanças que poderão beneficiar diretamente a população na hora das compras.

Segundo Marciano, os bancos podem trabalhar de forma mais eficiente no varejo. “Atualmente, existem no país 28 diferentes redes de terminais bancários e quatro para cartões, razão da existência de tantos terminais de bancos em um mesmo local e de vários terminais de cartões no balcão do comerciante", afirmou, explicando que, à medida que os sistemas forem interligados, os custos diminuem e os consumidores poderão se beneficiar com mais opções na hora de fazer saques ou efetuar compras.

Para Marciano, o trabalho conduzido pelo BC, no que se refere a pagamentos de varejo, vai além da preocupação com o risco sistêmico. O que justifica o envolvimento dos bancos centrais é a necessidade de a população confiar na sua moeda e no sistema de pagamentos. A promoção desse aperfeiçoamento constante visa justamente assegurar mais eficiência, com custos menores e com máxima segurança.

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