O Banco Central vai atuar no programa de melhoria de vida no campo lançado nesta terça-feira, 21/3, pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA). O presidente do BC, Henrique Meirelles, assinou convênio com o ministro Miguel Rosseto, no qual o Banco se compromete a realizar estudos e a sugerir medidas que possam promover o aumento do número de cooperativas de crédito no setor rural.
Segundo informa o MDA, o Programa de Fomento ao Cooperativismo da Agricultura Familiar e Economia Solidária (Coopersol) pretende garantir que pelo menos 20% dos recursos disponibilizados pelo Plano Safra para Agricultura Familiar (um total de R$ 7 bilhões) sejam financiados por meio das cooperativas de crédito. Além disso, o MDA estima que, até 2006, o número de cooperativas de crédito salte das atuais 140 para 400 e o número de associados, dos atuais 100 mil para 500 mil.
Meirelles chamou atenção para a importância do papel que as cooperativas de crédito podem desempenhar no financiamento da produção no País. "O cooperativismo é eficaz para a alavancagem do desenvolvimento e da produção. As cooperativas estão espalhadas por regiões, portanto, o crédito é eficaz, específico e adequado ao usuário", afirmou.
O presidente do BC disse à equipe do MDA e a representantes de entidades de pequenos produtores rurais que o crescimento sustentado da economia está sendo construído no Brasil e que isso ocorre porque as condições macroeconômicas básicas estão dadas. "Isso não se faz com medidas de efeito, mas com trabalho", ressaltou. Meirelles destacou que a estabilidade macroeconômica é fundamental para sustentar os programas de distribuição de renda.
Meirelles elogiou o Coopersol, argumentando que a instalação de infra-estrutura técnica adequada, o treinamento das pessoas envolvidas e a produção de análises consistentes deverão garantir o sucesso de programa de cooperativismo familiar. Atualmente encontram-se no BC pedidos para a criação de 270 cooperativas de crédito, de acordo com os dados divulgados pela MDA. Em 2004, o ministério vai investir R$ 12 milhões na capacitação de dirigentes e técnicos, construção de sedes, aquisição de equipamentos e cursos de formação em cooperativismo. Os recursos podem chegar a R$ 22 milhões em 2007.
Segundo o ministro Miguel Rossetto, a criação do Coopersol é uma política pública que demonstra o compromisso firmado pelo governo Lula para o setor agrário. "Não estamos falando de assistência social, mas de um modelo produtivo e econômico que seja capaz de estimular o acesso democratizado à terra e a um conjunto de valores, como é o acesso ao crédito", disse.