O Banco Central (BC) divulgou hoje o Relatório de Estabilidade Financeira (REF) referente ao segundo semestre de 2015. O REF é uma publicação semestral destinada a apresentar, com foco no risco sistêmico, os principais resultados das análises sobre o Sistema Financeiro Nacional, especialmente com respeito à sua dinâmica recente, às perspectivas e ao grau de resistência a eventuais choques na economia brasileira ou no próprio sistema.
O cenário externo permaneceu complexo no segundo semestre de 2015, por um lado, com o início do processo de elevação das taxas de juros pelo Federal Reserve Bank (Fed) e, por outro lado, com a manutenção de programas de compra de ativos pelo Banco Central Europeu e pelo Banco do Japão. Os riscos associados aos mercados emergentes aumentaram, refletindo a desaceleração do crescimento econômico, a deterioração das condições de financiamento e, para os países exportadores de commodities, a redução dos preços das matérias-primas.
No âmbito doméstico, a percepção de risco da economia brasileira, o cenário de retração econômica e a redução no nível de confiança dos consumidores e dos empresários começou a se refletir de maneira mais pronunciada nos indicadores de crédito. Para fazer frente a esse cenário, os bancos vêm preservando a cautela na concessão de crédito e renegociando e reestruturando as dívidas dos tomadores.
A satisfatória situação de solvência do sistema pôde ser constatada pela estabilidade, no semestre, dos elevados níveis de capitalização e pelos resultados obtidos com os testes de estresse. A liquidez no sistema financeiro manteve-se suficiente em todo o período. A liquidez de curto prazo do sistema bancário aumentou enquanto sua liquidez estrutural (de longo prazo) manteve-se essencialmente estável.
A rentabilidade do sistema bancário aumentou, influenciada por resultados positivos dos bancos privados, com destaque para ajustes nas taxas de concessão, maior diversificação de receitas e resultados não recorrentes. A majoração da alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) das instituições financeiras proporcionou ganhos contábeis com ativação de créditos tributários. Em contrapartida, os bancos aumentaram suas provisões, preparando-se para um cenário adverso, com perspectiva de baixo crescimento das concessões e de aumento da inadimplência.
O Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB) funcionou de forma eficiente e segura no segundo semestre de 2015. Nos sistemas de transferência de fundos, a liquidez intradia agregada disponível continuou acima das necessidades das instituições financeiras participantes, o que garante que as liquidações ocorram com tranquilidade.
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Brasília, 7 de abril de 2016.
Banco Central do Brasil
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