No mês de agosto, a captação líquida da indústria de fundos alcançou R$ 21,1 bilhões, acumulando R$ 71,8 bilhões no ano. De acordo com o
Panorama ANBIMA, a classe Multimercados apresentou melhor resultado com captação de R$ 7,9 bilhões e, juntamente, com as classes Renda Fixa (R$ 8,9 bilhões) e Previdência (R$ 3,0 bilhões), respondeu por parte relevante do ingresso líquido no mês. Diante da menor valorização dos títulos de renda fixa de maior duration, os fundos de renda fixa de baixa e média duração, estimulados pelo elevado nível das taxas de juros de curto prazo, acabaram apresentando rentabilidades maiores. No mercado de renda variável não foi diferente. Após valorizar 11,22% em julho, o Ibovespa avançou 1,03% em agosto, reduzindo o ritmo de valorização observado desde fevereiro. Diante desse quadro, os fundos de ações apresentaram rentabilidades menores e alguns tipos, como o Small Caps (-0,04%) e o FMP-FGTS (-0,74%), registraram, inclusive, retornos negativos. O destaque, no entanto, ficou com o tipo Ações Setoriais, que apresentou valorização de 4,77% em agosto, acumulando a maior rentabilidade da indústria no ano (61,69%).
No mercado de capitais, as captações com valores mobiliários no mercado doméstico foram de apenas R$ 1,4 bilhão em agosto. As ofertas locais ficaram concentradas no segmento de renda fixa e nos instrumentos de securitização, com especial destaque para os FIDCs, que responderam por 38% das operações do mês. No início de setembro, quatro novas ofertas destes produtos estão em processo de análise na CVM. O montante chega a R$ 5,8 bilhões, o que supera todo o volume captado com FIDCs até agosto de 2016, que foi de R$ 2,8 bilhões, e também o acumulado em todo o ano de 2015, de R$ 5,5 bilhões. Em agosto, as captações com FIDCs e CRIs ultrapassaram as realizadas com debêntures e notas promissórias no mesmo período.
Já no segmento de renda fixa, a desaceleração da trajetória da inflação com o resultado de 0,44% para o IPCA de agosto, divulgado no dia 9 de setembro, reforça as apostas de parte dos investidores de melhora do balanço de riscos inflacionários, que permitirá a redução da meta para a taxa Selic nos próximos meses. As projeções do nosso Comitê de Acompanhamento Macroeconômico para setembro e outubro apontam variações de 0,31% e 0,38%, respectivamente. Caso se confirmem, indicarão uma tendência de redução nos preços e perda de fôlego da resiliência inflacionária, que vinha marcando a economia nos últimos meses. Com essas estimativas, o acumulado em 12 meses do IPCA alcançaria variações de 8,7% e 8,3%, situando-se em ambos os meses acima da inflação de 7,2%, prevista pelo mercado para o final de 2016.