Durante a abertura, o presidente do BC, Ilan Goldfajn, ressaltou a importância do comportamento ético e de medidas que reforcem a transparência e o respeito à coisa pública. “A Lei Empresa Limpa representa mais um instrumento para garantir o devido cuidado com os recursos do erário, sem deixar de abranger, também, o aprimoramento da gestão das entidades do setor privado”. Para o presidente, não basta impor a empresas reguladas condições e regras. “Nós, gestores públicos, devemos ser exemplos para os entes que supervisionamos e, ainda mais importante, para a sociedade brasileira”.
O ministro da Transparência, Torquato Jardim, falou da repactuação da relação do setor público com o privado e da necessidade de governo e sociedade civil terem responsabilidades compartilhadas. “Hoje estamos aqui colocando o foco sobre um Brasil que dá certo. Um Brasil que não é só Lava-Jato e Mensalão. Grande parte do empresariado brasileiro revelou que há um Brasil sério, comprometido com a ética e com o cumprimento das normas, a exemplo das 195 empresas que participaram do Pró-ética 2016 (programa da CGU que busca incentivar a adoção nas empresas de políticas e ações contra fraude e corrupção)”.
Estamos assistindo à emergência de juízos coletivos sobre a imprescindibilidade dos princípios morais, democráticos e éticos dentro das Instituições. Por isso, cada agente público deve ser fiel à sua instituição e cada instituição deve ser fiel à sua missão. A partir desse ponto, a mecânica sociedade torna-se uma orgânica comunidade, regida pela ética e pela moral”, discursou o ex-ministro do Superior Tribunal Federal (STF), Carlos Ayres Brito, que também participou do encontro.
A conferência foi dividida em quatro painéis, que trataram dos seguintes temas: as mudanças para as empresas com a nova legislação; a cooperação público-privada na prevenção e no combate à corrupção e à lavagem de dinheiro; as medidas de compliance aplicáveis às micro e pequenas empresas; e as diferentes formas de fomento dos programas de integridade empresarial.
Combate à lavagem de dinheiro
“A atuação do BC está pautada por uma visão sistêmica, pela ampliação de monitoramento e por um maior rigor com requisitos de compliance e governança responsável. Tanto a Lei de Prevenção e Combate à Lavagem de Dinheiro quanto a Lei Empresa Limpa tratam da fiscalização compartilhada, que se traduz na corresponsabilidade entre Estado e Sociedade Civil. O horizonte de consolidação da Lei Anticorrupção é amplo e encontra grande potencial de desenvolvimento em pontos de convergência e sinergia com o arcabouço regulatório do Sistema Financeiro Nacional, especialmente aquele relativo à Prevenção à Lavagem de Dinheiro (PLD) ”, reforçou o diretor.
Os debates contaram ainda com a participação dos representantes da Bolsa de Valores de São Paulo (BM&FBovespa), da Confederação Nacional da Indústria (CNI), do Instituto Ethos, do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), do Departamento de Ativos do Ministério da Justiça, do Instituto Brasileiro de Direito Empresarial (Ibrademp) e do Sebrae.
Premiação
Das 195 empresas, de diversos portes e ramos de atuação, que manifestaram interesse em participar do programa, 25 cumpriram todos os requisitos e foram aprovadas. Entre os benefícios para as empresas participantes estão o reconhecimento público do comprometimento com a prevenção e o combate à corrupção; a publicidade positiva para a empresa aprovada que figure na lista; a avaliação do Programa de Integridade por equipe especializada; o relatório com a análise detalhada das medidas de integridade e com sugestões de aprimoramento.
Pró-Ética