O Museu de Valores e a Galeria de Arte do Edifício-Sede, em Brasília, estarão abertos para visitação pública neste sábado (4). Os espaços receberão visitantes de 14h às 18h, sendo o último acesso até 30 minutos antes do fechamento. Inaugurado em 1972 no Rio de Janeiro e transferido para Brasíla em 1982, o Museu de Valores possui amplo acervo numismático com cédulas e moedas brasileiras e estrangeiras. O espaço também possui sala que conta a história da mineração de ouro no Brasil, os processos de garimpo e a maior pepita de ouro do mundo em exposição – descoberta em 1983, no garimpo de Serra Pelada, no Pará.
A Sala Ouro foi idealizada por um dos fundadores do Museu de Valores, o servidor aposentado Florisvaldo dos Santos Trigueiros. A ideia era que o visitante tivesse a sensação de estar em uma mina de ouro – por isso, o formato oval e a iluminação mais difusa. Da sala, os visitantes podem ver a casa-forte do Museu de Valores, que guarda todas as peças que não estão em exposição.
Portinari
Uma das obras mais importantes do acervo artístico do Banco Central, o painel "Descobrimento do Brasil", de Candido Portinari, está desde outubro na Galeria de Arte, que fica no 8º andar do Edifício-Sede. Pintado em 1955, o painel foi encomendado pelo Banco Português do Brasil, que desejava uma peça de Portinari para decorar o saguão do novo edifício da matriz no Rio de Janeiro. Em 1973, o Banco Português do Brasil foi incorporado ao Banco Itaú América, que antes de encerrar suas atividades vendeu o painel para o Banco Halles. Três anos depois, o Banco Halles ofereceu “Descobrimento do Brasil” como parte do pagamento de suas dívidas.
A incorporação do painel ao patrimônio do BC foi feita após deliberação de comissão técnica formada por Antonio Bento, Edson Motta e Glênio Bianchetti. A Diretoria Colegiada deu parecer favorável, e o painel – avaliado em Cr$2 milhões à época – passou a integrar o acervo do BC, junto com outras obras de Portinari. “Essas peças vieram para Brasília em 1978, mas só em 1982, após a inauguração do Edifício-Sede, o painel foi instalado”, explica Karla de a Valente, chefe do Museu de Valores do BC.
Essa não é a primeira vez que a obra é deslocada do Salão Nobre para a Galeria de Arte. Em 2000, o espaço também foi reformado, o que exigiu a retirada do painel de Portinari. Na ocasião, ele passou por um processo de higienização, realizado por especialista do Centro de Conservação e Restauração da Universidade Federal de Minas Gerais. O painel já tinha passado por uma restauração emergencial, feita em 1994 por equipe do Museu Nacional de Belas Artes. “Foi um procedimento necessário para que a obra participasse de exposição realizada no ano seguinte”, conta Karla.
Além disso, em 2005 o BC lançou projeto exclusivo para a restauração de todas as obras de Portinari que integram o acervo artístico da instituição. O restauro das peças foi feito entre 2007 e 2008, com o objetivo de reparar os danos causados pelo tempo, recuperar os elementos autênticos das obras e melhorar suas condições de conservação. Devido a suas dimensões, o painel “Descobrimento do Brasil” foi restaurado em Brasília e não foi necessário reentelamento, nem troca de chassis e de molduras.