As cooperações internacionais têm se consolidado no BC como um mecanismo importante para a troca de experiências e tecnologias. Em 2016, de 37 demandas de cooperação recebidas de todo o Banco pelo Departamento de Assuntos Internacionais, 23 resultaram em cooperações técnicas internacionais (CTI) bem-sucedidas, focadas em supervisão bancária e financeira, gerenciamento do meio circulante, sistema de pagamentos, estatísticas e indicadores macroeconômicos, estabilidade financeira e governança e relacionamento institucional.
"A ideia é que o relacionamento entre as instituições e os temas técnicos sejam desenvolvidos numa dinâmica mais horizontal . Precisamos privilegiar as iniciativas que fujam do padrão tradicional no qual uma parte é percebida ensinando e a outra aprendendo. Quando acontece uma cooperação entre pares, os dois atores saem ganhando. Há a construção de uma agenda comum, baseada no mútuo interesse, e de uma rede de relacionamento entre especialistas, o que contribui para o fortalecimento da inserção internacional”, destacou Pedro Costa, chefe da equipe responsável pelas cooperações técnicas internacionais do BC.
Entre as instituições com as quais o BC mantém atividades de CTI destacam-se o Banco de Portugal, o Banco Central Europeu (BCE), o Deutsche Bundesbank e o fórum dos Bancos Centrais de Países de Língua Portuguesa. Segundo Pedro Costa, a parceria com o Bundesbank e Banco Central Europeu (BCE), por exemplo, ganhou força após a assinatura dememorandos de entendimento.
"O relacionamento do BC com essas instituições vem se estruturando e já começam a surgir várias parcerias, a exemplo das oito ações realizadas com o Bundesbank ao longo de 2016. Com o BCE foram desenvolvidas três grandes ações, iniciativas que resultaram na realização do seminário para o compartilhamento de conhecimentos e técnicas entre especialistas do BCB e BCE para análise da estabilidade financeira, em Brasília, e a missão a Frankfurt para troca de experiências em análise de modelos de negócios, que incluiu agenda tanto no Bundesbank quanto no BCE", avalia.
Os Bancos Centrais de Países de Língua Portuguesa também vêm estreitando suas relações com o BC. Juntamente com o Banco de Portugal, eles têm promovido reuniões técnicas de diversos grupos temáticos, nos quais o Brasil tem participado com bastante frequência. O último encontro temático em Sistemas de Pagamentos aconteceu em Brasília e foi coordenado pelo Deban.
"Nas discussões são revelados contextos, percepções e soluções diferentes, o que acaba enriquecendo essa troca. Estamos trabalhando no sentido de criar caminhos institucionais para atender cada vez mais e melhor as demandas por cooperação técnica e para estreitar o diálogo entre unidades do BC e as áreas correspondentes de outros bancos centrais", avalia Pedro Costa.
Ele ressalta que uma das melhores formas de aprofundar os relacionamentos e tirar o máximo de proveito das cooperações é por meio da realização de intercâmbios entre servidores. "A oportunidade de conhecer a fundo o trabalho realizado em outros Bancos Centrais é facilitada quando o servidor tem a chance de passar um período desenvolvendo atividades in loco para melhor compreender como pensam, se organizam e como são desenvolvidas as melhores práticas".