Notícia
24/04/2017

BC divulga novo Indicador de Custo de Crédito (ICC)

Lançamento do Indicador de Custo do Crédito para acompanhar o custo médio dos empréstimos no Brasil.

O Banco Central lançou na última quinta-feira (20) um novo indicador que facilitará o acompanhamento do custo dos empréstimos bancários no país. O cálculo do Indicador de Custo do Crédito (ICC) tem como base o valor gasto para custear todas as operações ativas registradas no Sistema Financeiro Nacional (SFN), com base nas taxas de juros praticadas nos períodos de sua contratação. Conforme explica o chefe do Depec, Tulio Maciel, o ICC estima o custo das operações de crédito na ótica do devedor, ponderando os desembolsos para pagamentos de juros e os encargos fiscais e operacionais decorrentes da contratação do crédito.

“O cálculo do ICC leva em consideração o montante de juros de cada modalidade, em cada data, com base no saldo remanescente das diferentes safras de contratação e as respectivas taxas contratadas. Com isso, o ICC expressa as taxas praticadas em períodos anteriores que ainda provocam efeito nos desembolsos de juros por parte dos tomadores.”

A metodologia desenvolvida pelo BC permite avaliar os custos médios do crédito por segmento – livre, direcionado, para pessoas físicas e para pessoas jurídicas. A próxima Nota de Política Monetária e Operações de Crédito do SFN, que será divulgada na quarta-feira (26), já terá um quadro com dados referentes ao ICC – e a série temporal possui informações retroativas até 2013.

De acordo com o ICC, o custo médio dos empréstimos contratados junto ao SFN atingiu 23,1% ao ano em fevereiro, uma elevação de 0,9 ponto percentual nos últimos doze meses. Essa alta é reflexo do aumento de 1,1 p.p. no ICC dos empréstimos contratados pelas pessoas físicas, que chegou a 29,4% ao ano. Também é resultado de uma maior participação da carteira de crédito a pessoas físicas no total de crédito ativos no SFN: com elevação de 3,1 ponto percentual, esta carteira passou a representar 50,7% do total.

“As taxas de spread do crédito concedido a pessoas físicas são maiores que as verificadas para pessoas jurídicas e isso fica visível no indicador”, afirma o chefe do Depec. O ICC para pessoas jurídicas ficou em 16,9% ao ano em fevereiro, valor bem abaixo do verificado para pessoas físicas e que representa uma alta de 0,1 p.p. em 12 meses.

O ICC para crédito livre chegou a 39,4% a.a. em fevereiro, crescimento de 2,1 p.p. em doze meses. Essa alta é reflexo de variações de 3,3 p.p. e de -0,1 p.p. nos indicadores das carteiras de pessoas físicas e de pessoas jurídicas, respectivamente. No segmento de crédito direcionado, o ICC ficou em 8,9% a.a. em fevereiro, um aumento de 0,5 p.p. em doze meses, com taxas semelhantes para pessoas físicas (8,8% a.a.) e para pessoas jurídicas (8,9% a.a.).

Saiba mais
A criação do novo indicador faz parte das ações da Agenda BC+, no pilar “Crédito mais barato”. O Banco Central já divulgava estatísticas das taxas de juros nas operações de crédito contratadas nas datas de referência – um conceito que possibilita a comparação das taxas médias entre as modalidades e entre as instituições financeiras. “A divulgação do novo indicador, paralelamente às taxas de juros já divulgadas, contribui para o melhor monitoramento do custo de crédito no Brasil”, destaca Renato Baldini, chefe adjunto no Depec.

Baldini lembra que o monitoramento das taxas das operações recém contratadas, isoladamente, não permite uma análise adequada da evolução do custo médio do crédito das modalidades com prazos mais dilatados, como financiamentos imobiliários, crédito pessoal, financiamentos de veículos e capital de giro.

“Quando ocorre alteração no ciclo monetário, é possível que as taxas correntes registrem reação com magnitude diferente da observada na carteira como um todo, melhor expressa pelo ICC, embora ambos os indicadores venham a traçar tendência semelhante. Para se ter uma visão mais completa do custo do crédito com base nas estatísticas atualmente existentes, é necessário combinar informações sobre taxas, concessões e saldos das operações.”

Para o consumidor final, a taxa de referência na hora de contratar novas operações de crédito continuará sendo a taxa média. O ICC será um indicador importante para mostrar o quanto pessoas físicas e empresas estão gastando mês a mês para custear as operações de crédito já contratadas, pontua Baldini.