Notícia
08/06/2017

BC e cooperativas de crédito discutem segmentação e gestão integrada de riscos

BC e cooperativas de crédito discutem gestão integrada de riscos e segmentação para regulação prudencial.

Representantes do BC e de cooperativas de crédito discutiram esta semana a melhor forma de implementar estruturas de gestão de riscos para as entidades do segmento cooperativista. Realizado na Sede do BC em Brasília, entre terça (6) e quarta-feira (7), o workshop “Segmentação e Gestão Integrada de Riscos para Cooperativas de Crédito” reuniu 120 participantes e abordou, entre outros temas, a visão da indústria sobre a segmentação das instituições para fins de aplicação da regulação prudencial e a gestão de riscos pelas instituições classificadas nos segmentos S3, S4 e S5.

​Na avaliação de Harold Paquete Espínola, chefe do Departamento de Supervisão de Cooperativas e de Instituições Não Bancárias, do BC, a segmentação das instituições financeiras para a aplicação da regulação prudencial, que organizou as IFs em grupos, de acordo com porte e relevância de sua atividade internacional, é um conceito  que traz para a regulamentação “proporcionalidade” no que diz respeito a controles, governança e gestão de riscos.

“Da regulamentação , que é nova, ficou apartado o segmento mais simplificado, o S5. Estamos construindo uma especificação normativa melhor para esse segmento”, explica Harold. "Ao discutir com a indústria, temos mais insumos para que o BC possa fazer a regulamentação mais assertiva possível, adequada aos interesses da Supervisão e, ao mesmo tempo, coerente com a realidade de mercado. O diálogo é imprescindível”, afirmou. Clique para ler mais sobre a Resolução 4.557, aprovada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

​O diretor de Fiscalização do BC, Anthero Meirelles, lembrou que as recomendações do Comitê de Basileia para Supervisão Bancária (BCBS) constituem as principais fontes de melhores práticas para a estabilidade dos sistemas financeiros. Contudo, elas têm foco voltado essencialmente ao universo das instituições bancárias, com alguns regramentos específicos para os bancos sistemicamente relevantes e com operações transnacionais.

“Notamos que parte significativa dessas regras tornou-se excessivamente complexa para um grande número de instituições reguladas pelo BC. Isso fortaleceu a percepção de que era necessário adotar proporcionalidade adequada à regulação prudencial, tanto sob o aspecto regulatório quanto de supervisão”, afirmou Anthero.

​Mathias Arzbach, diretor de projeto regional para América Latina e Caribe da Confederação Alemã de Cooperativas (DGRV - Deutscher Genossenschafts und Raiffeisenverband), acredita que o diálogo estabelecido no Brasil entre regulador e regulados é fundamental para fortalecer o segmento. “Acho que o caso do Brasil no cooperativismo financeiro é um modelo para a América Latina. Em volume, representa mais de 60% dos ativos financeiros desse segmento na região. É um jogador muito importante, para não dizer dominante”, destacou. “Além disso, há uma comunicação muito fluida, de mão dupla, e ambos os lados aproveitam: o setor e o BC. Estão construindo uma normativa muito adequada e consensual por meio de muita comunicação. É fora do comum. Na América Latina não é tão aberto”, concluiu.

De acordo com Rodomarque Tavares Meira, um dos organizadores do evento, há cooperativas de crédito inseridas também nos segmentos S2, S3 e S4. Até agosto de 2017, os estudos técnicos sobre a implementação das estruturas em todos os segmentos devem estar concluídos para deliberação da Diretoria Colegiada.

“Já realizamos workshops semelhantes a esse com corretoras e distribuidoras, e, posteriormente, faremos outro com financeiras, porque cada objeto social tem a sua singularidade no tratamento dessas questões”, definiu.