Os juros do rotativo do cartão de crédito cobrados dos que pagaram ao menos o valor mínimo da fatura tiveram nova queda, passando de 297,7% ao ano em abril para 247,5% ao ano em maio – redução de 50,2 pontos percentuais (p.p). A diminuição é reflexo das novas regras para utilização do crédito rotativo, que entraram em vigor no começo de abril. Entre março e maio, a redução dos juros para esse segmento já soma 183,6 p.p, como mostram dados divulgados pelo Banco Central nesta quarta-feira (28), na Nota para Imprensa sobre Política Monetária e Operações de Crédito. Os juros do rotativo como um todo também caíram de 428,1% em abril para 363,3% este mês. A queda no rotativo foi um dos fatores responsáveis pela diminuição dos juros totais cobrados no Sistema Financeiro Nacional (SFN), indicador que ficou em 29,2% ao ano em maio – valor 1 ponto percentual inferior ao verificado em abril. Chefe-adjunto no Departamento Econômico (Depec) do BC, Fernando Rocha destacou que a redução dos juros foi mais acentuada no segmento de crédito livre, passando de 49,3% ao ano em abril para 46,8% ao ano no mês passado. Já as taxas do segmento de crédito direcionado registraram alta mensal de 0,4 p.p – passando de 9,8% ao ano em abril para 10,2% ao ano em maio.
“Acreditamos que esse movimento de queda nas taxas de juros deve se manter nos próximos meses. A redução da taxa básica da economia, a Selic, puxa as demais taxas de juros para baixo. Esse é o desenrolar esperado da política monetária”, afirmou Fernando Rocha.
Outro índice que apresentou queda, pelo terceiro mês consecutivo, foi o Indicador de Custo de Crédito (ICC), que caiu 0,5 ponto percentual em maio, atingindo 22,3%. O ICC apura o custo médio de todas as operações de crédito ativas no SFN, e os dados divulgados nesta quarta mostram que a redução ocorre com mais intensidade no segmento de crédito livre – que registrou queda de 0,9 ponto percentual, atingindo 37,5%.
“Esse movimento do ICC também era esperado, porque se alinha com o ciclo monetário. Essa tendência decrescente confirmou-se em maio e deve se manter ao longo do ano”, afirmou Rocha.
Crédito mais barato
“As taxas de juros como um todo estão caindo no país. Os valores ainda são altos, mas eles estão caindo, e a projeção é que essa queda se mantenha. A orientação para todos que utilizam serviços financeiros é de procurar opções de financiamento mais adequadas ao seu orçamento. E essa não é uma orientação apenas do BC, mas de todos os especialistas em educação financeira”, ressaltou o chefe-adjunto no Depec.
O saldo total para o crédito rotativo ficou em R$36,08 bilhões em maio, o que representa uma queda mensal de 6,6%. Já o saldo total do crédito parcelado concedido via cartão foi de R$14,6 bilhões, alta de 18,6% no mês.