As companhias brasileiras captaram R$ 104,4 bilhões no mercado de capitais durante o primeiro semestre deste ano. O Boletim ANBIMA de Mercado de Capitais mostra avanço de 30% na comparação ao mesmo período de 2016, quando o volume ficou em R$ 80,1 bilhões. “Tem aumentado a participação dos instrumentos privados como fontes de recursos para o financiamento de longo prazo das empresas. É importante a presença de outros bolsos de investimentos para o dinamismo do mercado”, afirma José Eduardo Laloni, diretor.
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Ao todo, 228 operações foram realizadas de janeiro a junho, entre emissões de ações, debêntures e instrumentos de securitização. As ofertas externas com títulos de renda fixa – os bonds – foram a principal fonte de recursos das empresas (R$ 51,3 bilhões em 14 operações), que levantaram volume 30,6% superior ao captado em igual intervalo do ano passado.
As emissões locais em títulos de dívida (renda fixa) alcançaram R$ 39,9 bilhões no primeiro semestre, com crescimento de 7% em relação ao mesmo período do ano passado. Entre as ofertas de debêntures realizadas no período, vale destacar o aumento na participação de ativos com prazos mais longos, principalmente de quatro a seis anos, e a diminuição da fatia de operações até três anos. “A tendência de alongamento dos prazos, decorrente da menor taxa de juros e da inflação controlada, é otimista e demonstra o maior apetite dos investidores ao risco”, completa Laloni.
A participação dos investidores institucionais na subscrição de debêntures também aumentou, de 10,3%, no primeiro semestre do ano passado, para 63,5% em 2017. Em tendência oposta, caiu de 87,9% para 34,6% a captação por intermediários e instituições ligadas à oferta. “O movimento reflete o crescimento da demanda por títulos corporativos, em consequência da atual trajetória de queda das taxas de juros, e a maior eficiência no processo de distribuição dos ativos, o que tende a impactar positivamente as negociações com debêntures no secundário”, diz.
Outro destaque do semestre foi para a captação doméstica em ações (renda variável), que atingiu R$ 13,1 bilhões a partir de oito operações: três IPOs (oferta pública inicial de ações) e cinco follow-ons (oferta de uma empresa que já tenha emitido ações em outro momento). O resultado é quase quatro vezes maior do que o volume registrado no mesmo período de 2016. Desde 2013 não se registrava um volume tão expressivo de IPOs.