Notícia
10/08/2017

Com obras do Museu de Valores do BC, começa hoje em Fortaleza exposição do abstracionista Antonio Bandeira

Inicia em Fortaleza exposição com obras do abstracionista Antonio Bandeira do acervo do Museu de Valores do BC.

As obras Nordeste Horizontes Azuis, de Antonio Bandeira, que fazem parte do acervo do Museu de Valores do BC, poderão ser conferidas na exposição Antonio Bandeira: um abstracionista amigo da vida, em Fortaleza, Ceará. A mostra será aberta hoje (10), às 19h, no Espaço Cultural Unifor, campus da Universidade de Fortaleza, e segue em cartaz até 12 de dezembro. 

Os dois quadros estão entre as 91 obras selecionadas para a exposição, das quais 80 são pinturas e o restante são desenhos em guache, aquarela e nanquim. “Nordeste (imagem abaixo) é uma obra emblemática, porque o reconhecimento dele como artista começava a se elevar quando essa obra foi lançada. Sem contar que ela retrata a sua região natal”, explica Karla de Sá Valente, chefe do Museu de Valores do BC.​
O cearense Antonio Bandeira foi pintor, desenhista e gravador, considerado um dos pioneiros do abstracionismo no Brasil. De acordo com Giancarlo Hannud, curador da mostra, Nordeste foi a primeira pintura a ser exposta no sul do Brasil, em São Paulo, no Salão Paulista de Belas Artes de 1943.

“O Bandeira tinha apenas 21 anos quando pintou esse quadro, em 1942, e foi premiado por ele, com uma medalha de bronze”, conta. “O quadro tem uma pegada surrealista estranha – e expressionista também – com inspirações em Van Gogh. É a pintura mais antiga da mostra, fundamental para começar a narrativa que propusemos para a exposição”, explica Giancarlo. A tela era da época em que o pintor retratava obras figurativas.

Horizontes Azuis é uma das obras mais importantes de Antonio Bandeira. Ela participou da 6ª Bienal Internacional de São Paulo, de 1961, que apresentou também outra obra feita com miçangas: Como cerejeiras na primavera. “Horizontes Azuis já vem de um momento mais interessante da carreira dele, totalmente madura. Ele tinha acabado de retornar de Paris, estabelecendo-se no Rio de Janeiro, e volta na Bienal de São Paulo. Ela faz parte do espírito da época, em que os artistas estavam experimentando técnicas e possibilidades de material. Bandeira usou isopor e tinta de cajueiro. Nesse quadro, os pontinhos são miçangas, perceptíveis apenas de muito perto”, afirma o curador.

Catálogo Raisonné
Durante a abertura da exposição, será lançado também o Catálogo Raisonné Parcial do artista, que é a catalogação e a publicação de todas as suas obras. Apesar de comum no cenário artístico internacional, catálogos raisonnés são muito raros no Brasil.

“Isso se deve à dificuldade de pesquisa e de informação. Por isso, ter um catálogo desses é sinal de muito prestígio. São poucos os artistas brasileiros que possuem catálogo raisonné. Podemos citar Tarsila do Amaral, Candido Portinari e Alfredo Volpi”, explica Karla de Sá Valente, chefe do Museu de Valores do BC.

A catalogação se debruçou sobre a produção do artista em pintura em qualquer suporte. Serão publicados dois volumes de 400 páginas com fotografia das obras, suas informações técnicas, dados históricos e bibliográficos, além de uma seleção das leituras consagradas e da recepção da crítica de época. Muitas das obras apresentadas na exposição são pouco conhecidas do público e até mesmo pelo circuito da arte, e muitas foram localizadas graças às pesquisas para o catálogo raisonné.

Biografia
Antonio Bandeira nasceu em Fortaleza, em 1922. Iniciou-se na pintura com a professora Mundica, bastante conhecida na cidade de Fortaleza, cujo método de ensino era a cópia. Estudou com bolsa de estudos do governo francês em Paris, na École Nationale Supérieure des Beaux-Arts e a Académie de la Grande Chaumière. Nessa época entrou em contato com o abstracionismo lírico.

Bandeira participou das duas primeiras edições da Bienal de São Paulo, em 1951 e em 1953. A segunda edição lhe rendeu um Prêmio Fiat, o que o levou novamente à Europa em 1954, onde permaneceu até 1959, passando por Itália e Inglaterra. Ao retornar ao Brasil, dedicou-se a uma atividade artística intensa, participando de importantes exposições, no Brasil e no exterior. Bandeira voltou a Paris em 1965, onde permaneceu até sua morte, dois anos depois.

Serviço
Antonio Bandeira: um abstracionista amigo da vida
Abertura: 10 de agosto, a partir das 19h
Visitação: de 11/08 a 12/12. Terça a sexta-feira das 9h às 19h, sábados e domingos das 10h às 18h. Entrada gratuita.
Local: Espaço Cultural Unifor (Av. Washington Soares, 1321, Bairro Edson Queiroz)
Curadoria: Regina Teixeira de Barros e Giancarlo Hannud
Mais informações: (85) 3477.3319 | [email protected]