De acordo com dados do Departamento de Atendimento ao Cidadão do BC, o golpe do depósito inicial é um dos que mais fazem vítimas no país. Entre janeiro e julho deste ano, o BC recebeu 727 reclamações de cidadãos que acreditaram na possibilidade de obter crédito de forma rápida, sem burocracias e com juros inferiores aos cobrados no mercado.
Fernando Dutra, chefe do Departamento de Atendimento ao Cidadão, afirma que a cobrança antecipada de qualquer tipo de taxa para a liberação de um empréstimo já é indício de que a oferta pode ser fraudulenta: “Em concessões feitas por instituições sérias e idôneas, quaisquer acréscimos são incluídos nas parcelas ou embutidos no valor total cobrado pelo crédito concedido.”
Propostas com taxas de juros muito baixas e a solicitação de depósito em contas de pessoas físicas são outros sinais de que a oferta de crédito pode ser fraudulenta. Antes de fechar qualquer negócio, os interessados devem verificar se a instituição financeira é autorizada a funcionar pelo BC.

Dutra diz que é muito comum golpistas utilizarem o CNPJ de instituições financeiras regulares para enganar cidadãos que buscam crédito. “Eles induzem as pessoas a acreditar na veracidade da transação: usam dados de bancos de verdade e às vezes até depositam cheques roubados na conta das vítimas. A pessoa vê o valor bloqueado e acredita que conseguiu o empréstimo, daí acaba efetuando o pagamentos destas hipotéticas taxas”.
Após o pagamento dessas taxas, as vítimas raramente conseguem reaver o dinheiro. Quando acionado via Central de Atendimento ao Cidadão, o BC notifica as instituições financeiras sobre a utilização de contas bancárias para a aplicação de golpes, mas cabe à polícia investigar as fraudes.
Caso de polícia
2º. Acione o BC, que informará as instituições financeiras sobre a utilização de contas para fins ilícitos;
3º. Após análise, essas contas podem ser bloqueadas ou encerradas pelos bancos;
4º. A recuperação do dinheiro só ocorre após decisão judicial.
“Esse tipo de fraude é caso de polícia. O BC não tem poder para atuar nestes casos”, explica Dutra.
Outros golpes
“Nas fraudes com boletos, os golpistas alteram as informações do documento, fazendo com que o dinheiro do pagamento seja desviado para a conta do fraudador. Com a nova sistemática de emissão, recebimento e processamento de boleto, o risco desse tipo de fraude fica mitigado”, detalha Dutra.
O risco de fraude cai pois a instituição financeira pode efetuar consulta prévia a uma base de informações sobre beneficiários que contrataram serviço de cobrança no Sistema Financeiro Nacional. Isso reforça a segurança da prestação de serviço financeiro, aderente à política “Conheça o Seu Cliente”.
Essa base centralizada de informações possibilita a consulta online dos dados do boleto. Assim, a instituição recebedora e o pagador poderão confrontar as informações retornadas da base centralizada, garantindo o bom pagamento.
A compra de produtos em lojas virtuais também gera reclamações na central de atendimento do BC. Nesses casos, a vítima efetua o pagamento por um bem, mas não o recebe. Novamente, o BC não tem como intervir, conforme explica Dutra: “A gente dá o mesmo tratamento e informa a instituição financeira sobre a conta que está sendo utilizada para receber recursos oriundos de golpes, mas é uma fraude que está completamente fora da área de atuação do Banco Central”.
Confira outras dicas para evitar cair em golpes.