Os servidores de carreira do Banco Central Paulo Sérgio Neves de Souza e Mauricio Costa de Moura tomaram posse nessa terça-feira (19) como diretores das áreas de Fiscalização e de Administração do BC, respectivamente. Isaac Sidney Ferreira, presidente em exercício da instituição, deu posse aos novos diretores.
Paulo Sérgio ocupava, até então, a chefia do Departamento de Supervisão Bancária (Desup). Mauricio Moura atuava como chefe de gabinete do presidente do Banco, Ilan Goldfajn. Em agosto, eles passaram por sabatina na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) e, então, tiveram suas indicações aprovadas pelo Plenário do Senado Federal.
Durante a sabatina, em discurso aos parlamentares, Paulo Sérgio destacou que, ao longo de quase 20 anos no BC, vivenciou a evolução da regulação e da supervisão exercidas pelo Banco Central. Na avaliação do diretor, a crise financeira de 2008 e os anos subsequentes demonstraram ao mundo a importância da estabilidade financeira, que ele considera "um bem público" a ser permanentemente perseguido, por garantir benefícios a toda a sociedade.
"Nesses últimos dois anos, o sistema financeiro brasileiro foi capaz de absorver adversidades e evitar que a recessão registrada desembocasse numa crise bancária. Ele tem funcionado como um amortecedor de tensões na economia real. A existência de um robusto arcabouço regulatório e de uma supervisão atuante e abrangente foram relevantes para a manutenção da comprovada resiliência de nosso sistema", afirmou.
Na mesma ocasião, Mauricio Moura reforçou que, para um servidor de carreira, é uma honra ter a possibilidade de servir ao Brasil como membro da Diretoria Colegiada do BC. "Considero que essa indicação é também um reconhecimento ao quadro de servidores do Banco Central".
Ele analisou que, apesar das incertezas econômicas e não econômicas, o sistema de câmbio flutuante permanece íntegro, o mercado cambial está funcional, as reservas internacionais cumpriram seu papel estabilizador e foram preservadas. No lado fiscal, segundo ele, é necessário avançar com as reformas e ajustes na economia para colocar as contas públicas em ordem. "Mesmo durante a fase mais crítica da recessão, o sistema financeiro atuou como um amortecedor de choques. Esse resultado não se deu por acaso: foi construído a partir da atuação serena e firme do Banco Central", afirmou.
Trâmite de medidas provisórias
Indagado sobre a concentração bancária no país, Paulo Sérgio afirmou ser um tema constantemente acompanhado pelo BC, mas que a concentração no mercado brasileiro não difere da grande maioria dos países pós crise financeira internacional. "A situação no Brasil está melhor que em países como a África do Sul, Holanda, Reino Unido e Austrália, onde os indicadores de concentração são mais elevados. Aqui temos um banco público, outro de economia mista, bancos privados e outro estrangeiro, o que nos leva a uma posição mais confortável em termos de soberania". Para ele, ter concentração não significa não ter concorrência, pois bancos fortes internacionalmente não conseguiram ter sucesso no Brasil devido à competitividade interna.
Ele também foi abordado sobre a aprovação da Medida Provisória (MP) nº 784, que institui novo marco legal para os processos administrativos punitivos conduzidos pelo BC. "O objetivo é modernizar um marco regulatório de 50 anos e ampliar os poderes de supervisão necessários para assegurar a estabilidade do SFN. Por exemplo, o aumento nos valores das multas vão desestimular eventuais condutas ilícitas por parte dos entes regulados", defendeu. Ele explicou que o BC ficaria limitado às sanções administrativas, comunicando aos órgãos competentes eventuais ilícitos identificados em outras esferas.
Mauricio Moura ressaltou que o BC é um órgão de Estado, que ultrapassa qualquer governo "Ao reconhecer a importância do BC para o país, nos lembramos dos flagelos da hiperinflação, das quebras bancárias da década de 1990, dos prejuízos que eles trouxeram ao país. Hoje temos uma inflação baixa, controlada. As expectativas estão ancoradas na meta até 2021. O resultado disso vem pelo trabalho dos servidores do BC. Por isso precisamos de servidores em quantidade adequada, capacitados, que possam entregar o resultado esperado pela sociedade", concluiu.
Conheça os novos diretores
O novo diretor de Fiscalização, Paulo Sérgio Neves de Souza, é bacharel em Ciências Econômicas pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP, 1997) e possui MBA Executivo em Risco pela Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi) – Universidade de São Paulo (USP, 1999). Servidor no Banco Central desde 1998, trabalhou no Departamento de Supervisão Bancária (Desup) da Diretoria de Fiscalização (Difis) como inspetor, entre 1998 e 2005; foi supervisor entre 2005 e 2009, passou a ser gerente técnico entre 2009 e 2011 e trabalhou como chefe de divisão entre 2011 e 2012. Trabalhou como consultor do Departamento de Gestão Estratégica, Integração e Suporte da Fiscalização (Degef) da Diretoria de Fiscalização (Difis) entre 2012 e 2013, tornando-se chefe do departamento de 2013 a 2015. Em agosto deste mesmo ano, retornou ao Departamento de Supervisão Bancária (Desup) da Diretoria de Fiscalização como chefe de departamento, onde trabalhava até então.
O novo diretor de Administração, Mauricio Moura, é mestre em Administração pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP, 2005), possui MBA Executivo pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM, 2002) e é bacharel em Administração pela Universidade da Amazônia (UNAMA, 1993). Servidor no Banco Central desde 2003, Mauricio Moura trabalhou por seis anos no Departamento de Supervisão Bancária da Diretoria de Fiscalização, onde foi inspetor especialista até 2009, além de atuar no Departamento de Monitoramento do Sistema Financeiro (Desig) da Diretoria de Fiscalização como assessor pleno entre 2009 e 2010 e chefe de divisão entre 2010 e 2011. Foi chefe de gabinete do diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução até 2015, quando passou a ser chefe de gabinete do presidente do BC em abril de 2015, posição que ocupava até hoje.