Notícia
11/01/2018

Principais pontos da carta aberta ao presidente do CMN

Apresenta análise da inflação de 2017 e as ações do Banco Central para cumprimento das metas de inflação.

  • Em 2017, a taxa de inflação medida pela variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) alcançou 2,95%, situando-se ligeiramente abaixo de 3%, o limite inferior do intervalo de tolerância da meta de 4,5% ao ano (a.a.), em razão da deflação dos preços de alimentação no domicílio.




  • A inflação do subgrupo alimentação no domicílio encerrou 2017 com deflação de -4,85%, a maior deflação da série histórica do IPCA, que começa em 1989, e a primeira deflação nesses itens desde 2006.


  • A queda de 14,21 p.p. entre o fim de 2016 e o de 2017 na inflação do subgrupo alimentação no domicílio contribuiu com 2,39 p.p. para a queda da inflação medida pelo IPCA, de 6,29% em 2016 para 2,95% em 2017. 

  • Se excluirmos do IPCA o subgrupo alimentação no domicílio, fazendo posteriormente a reponderação do índice, a inflação passaria de 5,68% em 2016 para 4,54%, valor muito próximo à meta de inflação para 2017. 

  • O comportamento dos preços de alimentos refletiu, preponderantemente, as excelentes condições de oferta, que permitiram níveis recordes de produção agrícola. 

  • Usando procedimento quantitativo para decomposição do desvio da inflação do IPCA de -1,55 p.p. em relação à meta, encontra-se que choques de oferta (alimentos) contribuíram com -1,30 p.p. para o desvio da inflação em relação à meta, respondendo, portanto, por 83,9% do desvio.

  • O Banco Central do Brasil (BC) seguiu os bons princípios no gerenciamento da política monetária e não reagiu ao impacto primário desse choque de alimentos, permitindo a queda da inflação para abaixo da meta. Não cabe inflacionar os preços da economia sobre os quais a política monetária tem mais controle para compensar choques nos preços de alimentos. A política monetária deve combater o impacto dos choques nos outros preços da economia (os chamados efeitos secundários) de modo a garantir que a inflação tenda para a meta.

  • A ação e a comunicação da política monetária foram fundamentais para reancorar as expectativas de inflação. A ancoragem de expectativas é elemento-chave para o êxito do regime de metas para a inflação.

  • À medida que o processo inflacionário dava sinais que estava sendo debelado e a reancoragem das expectativas de inflação se consolidava, foram criadas as condições para o processo de flexibilização monetária. A taxa Selic diminuiu 7,25 p.p., atingindo 7,0% a.a., o seu menor nível histórico.

  • Em termos de atividade econômica, no início de 2017, a mediana das expectativas de PIB para o ano, oriundas da pesquisa Focus, apontava crescimento real de 0,5%. Atualmente, com a maior parte dos dados do PIB de 2017 divulgada (dados disponíveis até o terceiro trimestre), as expectativas para o fechamento do ano encontram-se ao redor de 1,0%. 

  • O BC tem calibrado a taxa básica de juros, e continuará a fazê-lo, com vistas ao cumprimento das metas para a inflação estabelecidas pelo CMN.

  • A inflação já se encontra em trajetória em direção à meta em 2018. No acumulado em doze meses, a inflação ao final de 2017 aumentou 0,49 p.p. em relação ao mínimo de 2,46% observado em agosto do mesmo ano. 

  • Projeções condicionais produzidas pelo COPOM e expectativas dos participantes da pesquisa Focus apontam a continuidade dessa tendência. Por exemplo, no Relatório de Inflação de dezembro de 2017, as projeções condicionais com as trajetórias para as taxas Selic e de câmbio oriundas da pesquisa Focus apontam aumento da inflação ao longo de 2018. Por essas projeções, já ao final do primeiro trimestre de 2018, a inflação atingiria 3,2%, situando-se, portanto, acima do limite inferior do intervalo de tolerância da meta para 2018, de 3,0%, e terminaria o ano em 4,2%, 0,3 p.p. abaixo da meta, de 4,5%. As mesmas projeções situam a inflação para 2019 em 4,2%, percentual próximo à meta de 4,25% estabelecida para esse ano. 

  • Portanto, o BC tem tomado as providências para que a inflação atinja as metas para a inflação estabelecidas pelo CMN, de 4,5% para 2018, 4,25% para 2019 e 4% para 2020. O processo de flexibilização monetária continuará dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos, de possíveis reavaliações da estimativa da extensão do ciclo e das projeções e expectativas de inflação.