O Sistema de Transferência de Reservas (STR), criado para centralizar as liquidações das operações realizadas nos mercados monetário, cambial e de capitais do país, passou em maio por uma ampla reformulação tecnológica. As mudanças foram implementadas sem afetar as transações realizadas pelas mais de 200 instituições que utilizam a ferramenta diariamente, isto é, o STR foi completamente atualizado enquanto estava em pleno funcionamento.
"Podemos fazer a analogia com a troca da turbina de um avião em pleno voo. O projeto concentrou-se em migrar primeiro a parte mais crítica do sistema, que faz a liquidação financeira entre participantes. Isso representa 90% do atual quantitativo de ordens trafegadas no STR", conta Flavia Silveira Correia, chefe de subunidade no Departamento de Tecnologia da Informação do Banco Central.
Uma equipe de cerca de 50 pessoas trabalhou ao longo dos últimos dois anos no projeto de reformulação do STR. "É seguro afirmar que o Brasil hoje tem o sistema de liquidação bruta em tempo real (RTGS - Real-Time Gross Settlement) mais moderno do mundo", garante Marcelo Yared, chefe do Departamento de Tecnologia da Informação do Banco Central.
"Para realizar tamanha mudança com segurança, foi feito um processo de homologação ao longo de seis meses e, durante quase um ano, o novo sistema foi executado em paralelo com o antigo. Assim, era possível comparar o desempenho e o correto funcionamento do que estava sendo implementado", explica Flávia Correia.
O que mudou?
Todo o código do sistema foi reescrito com linguagem mais moderna. Até então, o processamento de mensagens era baseado em plataforma mainframe. "A disponibilidade de profissionais com esse conhecimento legado está cada vez mais escassa no mercado nacional. Outro ponto é que o custo de utilização da infraestrutura de mainframe é muito superior ao de outras tecnologias mais modernas", explica Caio Moreira Fernandes, chefe adjunto no Departamento de Tecnologia da Informação do Banco Central.
"Adicionalmente, os requisitos do negócio de Sistema de Pagamentos vêm exigindo que o sistema tenha capacidade de expansão adequada para lidar com volumes crescentes de demanda, mantendo a velocidade de processamento necessária. Neste sentido, o gasto para se alcançar a escalabilidade desejada se tornaria demasiadamente oneroso".
A infraestrutura de suporte do STR também foi alterada, uma mudança que não se limita ao sistema e que levou ao aperfeiçoamento da plataforma tecnológica de desenvolvimento do Banco Central, possibilitando a entrega de novos sistemas com maior agilidade, segurança e estabilidade. Foram utilizadas tecnologias e processos de desenvolvimento que já são usadas por grandes empresas de tecnologia e fintechs.
"Os primeiros testes de carga realizados com o novo sistema nos permitem afirmar que atualmente é possível processarmos um volume de aproximadamente 6 milhões de mensagens em 12 horas, enquanto o sistema anterior era capaz de processar até 1,8 milhão", ressalta a gerente do projeto, Clarissa Angélica de Souza.
O STR é operado pelo Departamento de Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos do BC e, de acordo com o chefe do departamento, Flávio Túlio Vilela, as novidades permitiram redução de custos de operação aliada a maior resiliência, aumento na velocidade do processamento e uma capacidade escalável para atender às futuras demandas.
"O BC busca continuamente o aprimoramento dos serviços prestados aos integrantes do Sistema Financeiro Nacional. As mudanças são muito positivas, pois trouxeram uma melhoria significativa no desempenho do sistema, além de torná-lo apto a processar um volume diário maior de mensagens, adequado à demanda crescente pelo serviço prestado", afirma Flávio Túlio.
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