Notícia
06/07/2018

BC e CIEE estão desenvolvendo programa de educação financeira via mensagem de celular

Banco Central e CIEE desenvolvem programa piloto de educação financeira via mensagens para jovens aprendizes e estagiários.

https://edicao-www.bcb.gov.br/conteudo/home-ptbr/PublishingImages/Jornalismo%20Interno/Depef/CIEE%20SMS/bcb_150520183683.jpgO Banco Central e o Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) estão desenvolvendo um programa de educação financeira baseado em mensagens de celular. A ação será focada em aprendizes e estagiários, um público potencial de cerca de 200.000 jovens com idades entre 18 e 24 anos. Além de mensagens de celular personalizadas, o programa prevê a divulgação do curso online de Gestão de Finanças Pessoais do BC na plataforma de ensino à distância do CIEE.

Chefe do Departamento de Promoção da Cidadania Financeira (Depef), Luis Gustavo Mansur Siqueira explica que a iniciativa visa o envio de mensagens tempestivas e relevantes ao jovem, tentando alcançá-lo no momento mais próximo à tomada de decisão em crédito. Com isso, busca-se aumentar o conhecimento financeiro do jovem no início de seu efetivo relacionamento com instituições financeiras, gerando cidadãos mais preparados para o desenvolvimento de um relacionamento responsável com o Sistema Financeiro Nacional.

"Esse programa de mensagens de texto é inédito, por isso, será realizado primeiramente um piloto para avaliação de seu impacto, com o intuito de identificar sua escalabilidade. O objetivo é prover informações básicas sobre o uso do crédito e,  principalmente, ajudar os jovens a colocar em prática o que muitos deles já sabem em teoria: como usar o crédito com responsabilidade", explica Mansur. O piloto deve ser iniciado no primeiro semestre de 2019.

Para conhecer melhor o público-alvo, BC e CIEE estão realizando entrevistas para saber como os jovens se relacionam com as instituições financeiras e de pagamento, como eles têm acesso a crédito, como utilizam o dinheiro ofertado e como pagam pelo empréstimo. Mansur afirma que apenas depois dessa fase será possível definir um  protótipo, isto é, o conteúdo das mensagens, o formato e o horário adequados para enviá-las. "Para avaliação de impacto, programamos dois horizontes de tempo: um de curto prazo – até um ano após a intervenção – e outro de longo prazo – onde esperamos medir por pelos menos dois anos o comportamento dos jovens quanto a crédito."

As entrevistas também estão delineando qual ferramenta será utilizada no programa. Analista no Depef, Stanislaw Zmitrowicz afirma que o aplicativo mais utilizado no país para troca de mensagens – Whatsapp – não está disponível para utilização corporativa e as opções semelhantes – Telegram ou Viber – são pouco utilizadas. "Há o inconveniente do estudante ter de realizar o download de um aplicativo que não utiliza, por isso, a adesão tende a ser menor que por SMS. Nas entrevistas já realizadas, muitos jovens de São Paulo apontaram o e-mail como um canal que eles acham mais confiável e adequado. Assim, talvez seja interessante testar os dois canais: SMS e e-mail."

Os dados coletados também mostram que o público-alvo é bastante heterogêneo: enquanto alguns estagiários e aprendizes não têm sequer conhecimento de como utilizar o cartão de crédito, outros já são muito experientes, tendo utilizado vários serviços financeiros. Outros jovens possuíam informação sobre serviços financeiros porque familiares já têm acesso, e alguns até mencionaram que parentes já estiveram com perfil "negativado" e como isso afetou a vida doméstica.

"Os programas de aprendizado e de estágio podem ser o início do relacionamento do jovem com o Sistema Financeiro Nacional. Em geral, ele vai abrir sua primeira conta para receber o salário e passará a utilizar meios eletrônicos de pagamento. Mas o uso de crédito pode afetar sua negativamente sua vida financeira em caso de uso inadequado: ter seu nome inscrito em cadastros de proteção ao crédito pode ser uma barreira para oportunidades de trabalho e para acesso a programas de financiamento estudantil. Por isso a importância de levar educação financeira cedo à vida desses jovens", destaca Stanislaw.