
A carteira de crédito das cooperativas cresceu 15% em 2017, acima da elevação observada em 2016 (10%) e manteve-se como o principal componente de ativos do segmento. No ano passado, o Banco Central (BC) autorizou quatro cooperativas singulares a iniciar atividades e 53 tiveram as autorizações para funcionamento canceladas, principalmente em decorrência de processos de incorporação, com 47 ocorrências.
Reforçando tendência decrescente desde 2008, o segmento fechou o ano passado com 967 cooperativas de crédito singulares, mas o número de cooperados cresceu 8%, alcançando a marca de 9,6 milhões de pessoas, com destaque para o forte crescimento, de 19%, em pessoas jurídicas. Os dados estão no Panorama do Sistema Nacional de Crédito Cooperativo, divulgado pelo BC na última semana.
“A participação das cooperativas de crédito singulares aumentou em todos os principais agregados do Sistema Financeiro Nacional, e as captações cresceram aproximadamente 16%, compostas majoritariamente pelos depósitos dos cooperados”, destaca Gustavo Martins dos Santos, chefe adjunto no Desig.
A inadimplência no segmento caiu de 4,0% em dezembro de 2016 para 3,5% em dezembro de 2017. Além disso, o capital das cooperativas mostrou-se suficiente para cumprir com folga as exigências mínimas estabelecidas pelas normas em vigor. O índice de Basileia do segmento cooperativo de crédito manteve-se em torno de 30%, acima do índice do segmento bancário, de 18%. O índice de Basileia mede o capital das instituições financeiras em relação aos recursos que emprestam. Quanto maior, mais seguras estão as instituições.
Consórcios
A carteira do Sistema de Consórcios, que corresponde ao valor devido pelos consorciados contemplados, alcançou R$48,63 bilhões em 2017, alta de 7,7% na comparação com o ano anterior. A alta foi puxada pelos dois maiores subsegmentos: 6,1% no de veículos automotores, atingindo R$29,90 bilhões, e 10,8% no de imóveis, alcançando R$18,71 bilhões. O número de cotas de consórcios vendidas no país atingiu 2,36 milhões em 2017, aumento de 3,5% na comparação com 2016.
O Sistema de Consórcios fechou o ano passado com 155 administradoras, das quais 145 mantinham grupos ativos. Mais da metade dos consorciados ativos (53%) se concentra em cinco estados: São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Bahia e Rio Grande do Sul. Os dados estão no Panorama do Sistema de Consórcio, também divulgado pelo Banco Central.
A inadimplência no Sistema de Consórcio em dezembro de 2017 recuou em relação ao ano anterior: o índice de inadimplência foi de 2,99% (queda de 0,63 ponto percentual) e o de pré-inadimplência – total de valores atrasados, há no máximo 90 dias, pelos consorciados contemplados, em relação à carteira – ficou em 4,44%, queda de 0,43 ponto percentual.
A taxa de administração média dos grupos de consórcios formados em 2017 foi de 16,14%, uma queda de 0,19 ponto percentual. As taxas mais altas continuam sendo de motocicletas: 19,95%, uma elevação de 0,17 ponto percentual na comparação com o ano anterior.