Notícia
03/09/2018

Congresso: O impacto da nova corrida espacial

Especialista destaca impacto disruptivo das tecnologias espaciais privadas em diversos setores da economia.

Tecnologias usadas em projetos comerciais privados já têm efeito disruptivo sobre setores como agronegócio, óleo e gás, medicina e automotivo


Os bilionários Jeff Bezos, Elon Musk, Richard Branson e Paul Allen vão mudar o futuro da humanidade e dos negócios em diversas áreas do conhecimento da mesma forma disruptiva que os exploradores Vasco da Gama, Fernão de Magalhães, Cristóvão Colombo e Pedro Álvares Cabral fizeram nos séculos XV e XVI, quando desbravaram os oceanos em busca de novos continentes. A comparação foi feita por Sidney Nakahodo, CEO da New York Space Alliance e professor da Columbia University, em palestra sobre economia espacial  durante o Congresso Brasileiro de Mercado de Capitais, promovido pela ANBIMA e pela B3, em São Paulo.

Os fundadores da Amazon, da Tesla, da Virgin e da Microsoft uniram suas habilidades como megaempreendedores com seu sonho pelo Cosmos e, ao liderarem a conquista do espaço com atividades comerciais rentáveis – movimento conhecido como NewSpace –, estimulam o surgimento de inúmeras tecnologias que transformarão a Terra, disse Nakahodo.

O NewSpace apresenta alta tolerância ao risco, rápido ciclo de desenvolvimento e foco nas atividades privadas. O setor deve movimentar U$$ 3 trilhões nos próximos 30 anos, estima Nakahodo. O potencial disruptivo é imenso e já afeta várias atividades em diversas áreas, muito além do turismo espacial, enfatizou o empreendedor. “Estamos falando não apenas de foguetes ou satélites, mas também de empresas que fazem o uso dos dados gerados no espaço para aplicações como agricultura de precisão, óleo e gás e muitos outros”, disse ele. “Câmeras de celulares e cirurgias para a correção de visão são exemplos que contêm invenções criadas pela Nasa”, ressaltou. Os carros com direção autônoma serão realidade em pouco tempo, transformando a mobilidade nas cidades tão rapidamente quanto os carros movidos a combustão eliminaram os cavalos das cidades no começo do século XX, comparou.

Segundo ele, as empresas espaciais criadas pelos fundadores da Amazon (Blue Origin) e Tesla (SpaceX) estão criando plataformas e mostram apenas a ponta do iceberg da revolução tecnológica atual. Há mais de 100 companhias trabalhando para colocar objetos no espaço e já surgiram os primeiros “unicórnios” (empresas avaliadas em mais de US$ 1 bilhão) em NewSpace. “Um exemplo é a Rocket Lab, que produz minifoguetes e cujo valor de mercado supera US$ 1 bilhão antes mesmo de entrar em operação comercial”, falou Nakahodo.

O setor privado é protagonista nessa nova corrida espacial, mas os governos não saíram de cena. “Por motivação geopolítica, prestígio ou competividade, os governos continuarão tendo papel protagonista no setor espacial como reguladores, financiadores e mitigadores de risco”, disse o especialista.