Os fundos de investimento poderão desempenhar papel importante na mudança de perfil do BNDES, que vem buscando maior participação de agentes de mercado para financiar projetos e modificar a sua atuação. Joaquim Levy, presidente do banco, disse que a carteira da BNDESPar precisa ser transformada, e que uma das formas de se fazer isso é por meio da parceria com o setor privado e dos fundos. A afirmação foi feita durante a abertura do 10º Congresso ANBIMA de Fundos de Investimento, que acontece nesta quarta-feira em São Paulo.
Joaquim Levy, presidente do BNDES, falou sobre a importância dos fundos no financiamento da economia
Hoje, o BNDESPar tem 40 fundos ativos, que investiram em 185 empresas e cujos recursos são geridos por 20 gestores escolhidos por meio de chamadas públicas. Levy afirmou que o banco está se preparando para empacotar ativos num fundo de forma a criar liquidez e diversidade nos créditos da carteira do BNDESPar, convidando o mercado a investir nesses papéis. “É uma maneira de cooperar com o esforço de privatização que o governo tem anunciado”, comentou.
Em breve, o BNDES deve divulgar os vencedores da chamada pública de quatro fundos de private equity e venture capital, que totalizarão R$ 2 bilhões. Levy informou também que o banco está entrando em fundos anjo, nos quais a curadoria de escolha dos projetos é o principal, daí a parceria com gestores profissionais. Em sua visão, a economia precisa de maior participação das pequenas e médias empresas, e isso não se faz apenas pelo crédito, mas também pela participação no capital (equities).
“A economia está num momento de expectativa. A gente vê que as empresas ainda estão aguardando para tomar decisões. O número de consultas ao banco é modesto, mas achamos que vai mudar à medida que ocorrerem eventos como o de ontem, na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça)”, afirmou. Na última terça, 23, a proposta de reforma da previdência foi aprovada na Comissão da Câmara. O presidente do banco disse que a reforma será muito importante para fortalecer a confiança do mercado, e que isso já se refletia no Ibovespa, que chegou a bater 100 mil pontos neste ano, mas recuou. “O índice chegou aos 100 mil e tenho certeza que vai ultrapassar se a gente continuar avançando”, disse.
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No entanto, ele pontuou que, além da reforma da previdência, o Brasil precisa de medidas de simplificação do funcionamento do governo e de um esforço de trazer as empresas ao mercado, de alinhar as atividades públicas do próprio BNDES e outras instituições públicas, como a Caixa, para que elas possam se focar em atividades-chave. Levy disse que o banco está em trajetória de transformação: “O BNDES está preparado, mas não pode ficar esperando até as indústrias voltarem a nos consultar. É necessário ir até as empresas e não ficar esperando elas baterem na nossa porta. Não há mais espaço para isso”, declarou.
Nessa nova trajetória, Levy destacou a participação em projetos de infraestrutura e também ao financiamento a pequenas e médias empresas. “O BNDES vai continuar apoiando a infraestrutura, que é um dos setores fundamentais para botar a economia rodando mais rápido”, afirmou. No entanto, ele lembrou que o banco agora vai contar com a participação do mercado em vez de financiar os projetos sozinho.
Durante a abertura do evento, o presidente da CVM, Marcelo Barbosa, também discursou, ressaltando a pujança, complexidade e grau de desenvolvimento alcançado pelos fundos de investimento no Brasil.
Para Marcelo Barbosa, presidente da CVM, a redução dos custos de observância foi uma das principais realizações da autarquia com relação à regulação dos fundos
Ele citou alguns esforços recentes da autarquia para contribuir para o desenvolvimento da indústria, como a revisão da regra que cuida dos FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios), que consta da pauta regulatória da CVM desde janeiro. A minuta a nova norma entrará em audiência pública. Ele também destacou a importância das Instruções 578 e 579, que reformaram os FIPs (Fundos de Investimento em Participações) e que hoje contam com uma regulação adequada. No entanto, em sua visão, uma das principais realizações foi a Instrução 604, que trata da redução do custo de observância às normas (gastos que as instituições têm para cumprir as exigências do regulador), simplificando os procedimentos e proporcionando economia de tempo e custos para administradores de recursos.