Notícia
25/04/2019

Tecnologia é peça-chave para as instituições e levará à democratização da assessoria financeira

Discute o papel da tecnologia na democratização da assessoria financeira e na eficiência da gestão de investimentos.

 

O uso de ferramentas tecnológicas é mais do que uma opção, é uma necessidade para as empresas que atuam no mercado financeiro. “Há alguns anos, o diferencial era a telefonia. Hoje não é só o uso da tecnologia, mas também como penso o meu negócio e quais processos que eu posso terceirizar para outra plataforma”, disse Frederico Ventriglia, da EY Brasil, durante o 10º Congresso ANBIMA de Fundos de Investimentos, em São Paulo.

O painel discutiu o futuro da indústria de gestão de investimentos com base em um estudo feito pela ANBIMA – Gestão de recursos: uma visão para o desenvolvimento. O documento identificou cinco tendências do mercado internacional que devem ser seguidas pelo Brasil. Duas delas foram pauta da mesa-redonda desta quinta-feira, 25: a adoção de novas tecnologias para melhorar a eficiência e o suitability como diferencial competitivo.

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Ventriglia citou o uso do modelo de consórcio entre empresas que se unem para centralizar um serviço. “O modelo de consórcio pode trazer muita eficiência ao sistema, mas pode ser polêmico, assim como foi com o open banking, regulamentado ontem pelo Banco Central”, ponderou Miguel Ferreira, da Santander Asset Management e vice-presidente da ANBIMA. Na última quarta-feira, 24, o BC deu início ao processo de implementação do open banking, em que os dados bancários pertencem aos clientes e não às instituições financeiras. Com isso, desde que autorizadas pelo correntista, as empresas compartilharão dados, produtos e serviços com outras instituições, por meio da abertura e da integração de plataformas e de infraestruturas de tecnologia, de forma segura, ágil e conveniente. 

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Miguel Ferreira (ANBIMA e Santander Asset Management), Marcello Siniscalchi (Itaú Asset Management) e Frederico Ventriglia (EY Brasil)

Em relação ao modelo de consórcio, um dos principais receios é como fazer isso de maneira segura e como unir uma série de sistemas que ainda não são padronizados e que muitas vezes podem ser o diferencial competitivo da instituição. Para especialistas, o compartilhamento pode levar à eficiência, mas ainda requer cautela.

No que diz respeito à gestão, a digitalização dos processos já vem ocorrendo e permite que a indústria de fundos se aproxime do cliente final para entender a demanda dele. “Toda a vida de uma gestão está acoplada a um chassi tecnológico, que tem um impacto grande na redução de custos de distribuição, diminuição de erros e aumento na qualidade do serviço prestado ao cliente”, considerou Ferreira.

Democratização

A tendência é que o uso da tecnologia democratize o uso da assessoria financeira, hoje limitada a um público de maior poder aquisitivo. “O cliente começa a ter mais proximidade com o tema investimento, passa a ter mais informação e isso leva a indústria a se reinventar”, comentou Ferreira. O uso do autosserviço é cada vez mais frequente. “Hoje é possível comprar um fundo pelo celular. Um ano e meio atrás, não era essa a realidade”, exemplificou.

“Há muitas oportunidades operacionais com o cliente saindo do ativo tradicional em busca de novas soluções. Vamos avançar muito na relação com o cliente”, avaliou Marcelo Siniscalchi, Itaú Asset Management. Para ele, os Estados Unidos estão entre os países mais desenvolvidos tantos em tecnologia como na cultura do investimento. “Por que não olhar para o mundo e preparar a nossa casa com o que tem de melhor em cada país?”, questionou, ao considerar que é necessário sair do modelo em que cada um usa o que acha o que é melhor, o que, muitas vezes, leva tempo e gera altos custos de implementação.

Pesquisa apresentada por Frederico Ventriglia mostra que a capacidade da eficiência tecnológica duplica a cada 12 ou 18 meses e que o Brasil figura entre os mercados mais avançados do mundo em termos de desenvolvimento de fintechs, atrás apenas da China, Índia e Reino Unido. Vale destacar que o índice considera empresas inovadoras e startups em produtos bancários, de crédito, de investimentos e de pagamentos.