Notícia
17/06/2020

Grupo Consultivo Macroeconômico debate projeções em live no Valor Econômico

Grupo Consultivo Macroeconômico discute projeções do PIB, desemprego, Selic e câmbio em live no Valor Econômico.

Os destaques da reunião de junho do nosso Grupo Consultivo Macroeconômico foram apresentados na quarta-feira, 17, ao público do jornal Valor Econômico. Fernando Honorato, coordenador do grupo na ANBIMA e economista-chefe do Bradesco, e Cassiana Fernandez, economista-chefe do JP Morgan, participaram de um debate ao vivo, transmitido no site e nos perfis do veículo no YouTube e LinkedIn.

A atividade econômica no cenário de pandemia esteve no centro da discussão. Honorato explicou que é consenso entre os economistas de que a trajetória do PIB (Produto Interno Bruto) nos próximos meses está relacionada à abertura da economia doméstica, que depende de como a Covid-19 ainda evoluirá no país. Essas incertezas, aliadas aos impactos globais da pandemia, levaram para baixo a projeção do PIB no ano, de -4,0%, apontada na reunião anterior do grupo (em abril), para -6,6%.

Para o fim do segundo trimestre, as estimativas do PIB também caíram, de -8,35% para -11,65%. Há expectativa de recuperação gradual a partir do terceiro trimestre, para 7,7%, atingindo 2,3% no último período do ano. “A queda do PIB tem consequência direta no mercado de trabalho. Nesse sentido, as projeções mostram um aumento da taxa de desemprego no país, para 14,4%”, disse Honorato.

A trajetória da Selic também foi abordada durante o debate. A expectativa do grupo de corte de 0,75 p.p. se concretizou – o Copom definiu a taxa de juros em 2,25%. Agora, a tendência esperada é de manutenção desse patamar até o fim do ano, mas os economistas sinalizaram que ainda há espaço para outras reduções, com a taxa podendo chegar a até 1,5%.

A manutenção do teto de gastos é um dos grandes desafios para o período pós-pandemia, de acordo com o grupo da ANBIMA. Os economistas também indicaram que a estabilidade da relação da dívida pública sobre o PIB é essencial para a manutenção da inflação e dos juros em patamares baixos e para a confiança dos investidores. Para o encerramento de 2020, a projeção de déficit primário também foi revisada, de 8,1% (apontada na reunião de abril), para 10,75%.

Câmbio
Para os membros do Grupo Consultivo Macroeconômico, a indicação de uma recuperação mais rápida do que a prevista na Europa e nos Estados Unidos resultou em menor aversão ao risco por parte dos investidores, que, por sua vez, refletiu na correção dos preços dos ativos nos mercados mundiais, incluindo os emergentes. Os economistas apontaram que houve redução da demanda para ativos de menor risco, o que fez dimunir a valorização do dólar em relação às demais moedas.

Segundo Cassiana Fernandez, não há percepção de que haverá uma saída muito grande de recursos do Brasil, o que causaria uma desvalorização desordenada da moeda. “O Banco Central tem muito instrumento para segurar o câmbio se tiver problema de funcionalidade do mercado”, disse. De acordo com as projeções do grupo, o dólar deve encerrar o ano a R$ 5,20, representaria desvalorização de 29% do real.

A íntegra do debate dos economistas no Valor Econômico está disponível no site do veículo. Assista em: anbi.ma/livevalor.

Confira o relatório completo do Grupo Consultivo Macroeconômico

O Grupo Consultivo Macroeconômico é composto por 22 economistas de instituições associadas. Eles se reúnem a cada 45 dias, em média, sempre na semana que antecede a reunião do Copom (Comitê de Política Monetária, do Banco Central), para analisar a conjuntura econômica e traçar cenários para os mercados brasileiro e internacional.