Com os efeitos econômicos trazidos pela Covid-19, o Banco Central entendeu que o momento era oportuno para o lançamento de uma nova denominação. Com a pandemia, a procura da população pelo dinheiro em espécie aumentou e essa ocorrência se repetiu em vários países. A quantidade de dinheiro em circulação subiu de cerca de R$ 260 bilhões para R$ 351 bilhões entre março e 31 de agosto.
“Vivemos um momento singular, que trouxe um aumento expressivo da demanda da sociedade por dinheiro em espécie. Não é exclusividade do nosso país. Em momentos de incerteza, é natural que as pessoas busquem reservas em dinheiro como garantia”, explicou o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.
De acordo com a diretora de Administração do BC, Carolina Barros, essa demanda excepcional dos brasileiros pelo papel-moeda é algo inédito desde que o Real entrou em circulação, há 26 anos.
"O numerário disponível poderia não ser suficiente para suprir a demanda da população por dinheiro em espécie, já que, além do entesouramento observado, temos outros eventos em curso neste ano, como os auxílios governamentais e o saque do FGTS”, afirmou a diretora.
Projeções do BC estimaram que, para suprir a demanda em questão, seria necessário gerar em cinco meses o valor financeiro de R$ 105,9 bilhões, além dos R$ 64 bilhões já contratados em cédulas e moedas para o ano de 2020. “A fim de gerar um maior volume financeiro em menor espaço de tempo, optamos pela produção da nota de R$ 200”, revelou Carolina.
A diretora ressaltou ainda que não há qualquer relação entre a produção da cédula de R$ 200 e uma eventual desvalorização do Real. “É tão somente uma demanda excepcional da população pelo dinheiro em espécie, sendo responsabilidade do BC atendê-la”, afirmou Carolina.
Carolina explicou também que o BC monitora diariamente a demanda por troco e que atua para atendê-la com a ajuda das instituições financeiras. A entrada em circulação de qualquer nova denominação requer que esse monitoramento seja intensificado. A cédula de R$200 entrará em circulação à medida da necessidade e de forma pulverizada. Na oportunidade, ela mencionou que as cédulas de R$100 correspondem hoje a 21% do total do dinheiro em circulação ao passo que as cédulas de R$ 50 respondem por 30%.

Lobo-guará
Elementos de segurança
Para evitar falsificações, a dica do BC é que a população fique atenta aos elementos de segurança da cédula. “Veja, sinta e descubra é o mote do BC relativo às notas de Real. É importante, ao manusear uma cédula, conferir minimamente pelo menos três elementos de segurança”, contou a diretora de Administração do BC.
Na marca-d’água, por exemplo, é possível ver a face do lobo-guará e o número 200 ao se colocar a nota contra a luz; a cédula também possui partes em alto-relevo nos dois lados, que podem ser sentidos ao se passar o dedo na imagem da Efígie da República e do lobo-guará, nas legendas “República Federativa do Brasil”, “Banco Central do Brasil” e “200 reais”.
Outro elemento de segurança é o número 200 que fica na parte superior do anverso – o Número que Muda de Cor. Ele muda de cor, do azul para o verde, e contém uma barra brilhante que parece rolar por ele. Além disso, a cédula é impressa em papel fiduciário, que tem uma textura mais firme e áspera que o papel comum.
Há ainda uma marca tátil (barras em relevo pronunciado no canto inferior direito), que auxilia os portadores de deficiência visual na identificação da nota.
A nova cédula foi desenvolvida pelo BC em conjunto com a Casa da Moeda do Brasil. O BC terá um custo de aquisição de R$ 325 por cada milheiro (mil unidades) da nota. A distribuição do numerário é feita pelo Banco Central nas dez localidades onde possui representações e, a partir dali, será feita pelo Banco do Brasil (custodiante) para as demais localidades.
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