Com o objetivo de apoiar Secretarias de Educação e escolas na implementação do ensino da educação financeira e da educação para consumo nas escolas públicas de Ensino Fundamental, o
Aprender Valor está sendo implementado em caráter experimental (piloto) em todas as regiões do País. Nessa segunda-feira (26/4),
evento do BC marcou a liberação do último percurso da formação de professores e início da etapa em que os conteúdos serão efetivamente levados para sala de aula.
O objetivo do encontro foi disponibilizar os projetos escolares a professores e gestores das escolas e às equipes das Secretarias Estaduais e Municipais de Educação participantes da iniciativa nas seis unidades da Federação integrantes do piloto: Ceará, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará e Paraná. Mais de 500 educadores participaram virtualmente do evento.
“A partir de hoje, os professores poderão levar a educação financeira aos estudantes do 1º ao 9º ano, por meio dos projetos escolares disponibilizados na plataforma aprendervalor.caeddigital.net, resultado do trabalho conjunto das equipes do Banco Central e de nosso principal parceiro, o Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação, da Universidade Federal de Juiz de Fora (CAEd/UFJ)”, explica Maurício Moura, Diretor de Relacionamento, Cidadania e Supervisão de Conduta do Banco Central do Brasil.
Os projetos foram construídos para aplicação em sala de aula, de forma presencial, pensando na realidade da maior parte das escolas do país. Com a pandemia de Covid-19 e a suspensão das aulas presenciais, alguns projetos foram adaptados para o ensino remoto. Essas versões adaptadas trazem orientações para três modalidades de interação entre professor e estudantes: síncrona, assíncrona e envio de material, em formato digital ou impresso.
“Para trazer ainda mais confiança aos professores que aplicarão os projetos escolares, disponibilizamos o último módulo do itinerário formativo dos professores, que intitulamos Aprender Valor na Sala de Aula. Temos, assim, todas as etapas da formação de adultos (professores, gestores e técnicos) disponíveis para todos os profissionais de todas as escolas que aderiram ao Aprender Valor nesta fase piloto”, afirma Priscila Furtado, Gerente de Projeto do Programa Aprender Valor.
O Aprender Valor faz parte da
Agenda BC#,
dimensão Educação, e conta com o financiamento do Fundo de Defesa de Direitos Difusos (FDD) do Ministério da Justiça e Segurança Pública. “O programa foi concebido para, seguindo a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), integrar, de forma transversal, a educação financeira às disciplinas obrigatórias do currículo escolar, especialmente matemática, língua portuguesa, geografia e história”, continua Maurício.
Convidada especial para o evento de lançamento dos projetos, a professora Ednéia Machado, supervisora educacional da Escola Estadual General Carneiro, de São Roque de Minas (MG), destaca a importância da iniciativa. “Receber projetos integrados à BNCC, em uma proposta totalmente dentro do que deve ser trabalhado, é um sonho. E mais, numa área que está tão deficitária, como é matemática, é muito importante”, frisa.
De acordo com a professora, o itinerário formativo do educador no Aprender Valor não é apenas um curso. “Quem ainda não começou, pode começar, pois ele é um curso de transformação de vidas. Ele transforma a vida de quem acredita mesmo. E quando um professor acredita naquilo que ele ensina, ele transforma o seu aluno. E se o seu aluno acredita no que é ensinado, ele transforma a sua comunidade. Agarrem esse projeto com unhas e dentes”.
Enorme potencial
O público-alvo final do Programa Aprender Valor são os estudantes de escolas públicas do Ensino Fundamental. Para viabilizar a implementação do programa na sala de aula, professores, gestores e técnicos estão sendo capacitados. Até o momento, mais de 430 profissionais já concluíram os módulos das formações do Aprender Valor que estavam disponíveis.
“Outros 820 profissionais seguem avançando nas formações – etapa que não constitui pré-requisito formal, mas que julgamos como muito importante na preparação do professor que levará a Educação Financeira para a sala de aula – por enquanto, ainda de forma virtual, a distância”, pontua Priscila Furtado, Gerente de Projeto do Programa Aprender Valor.
O programa tem mais de 6.300 profissionais e 30 mil estudantes cadastrados na plataforma do Aprender Valor, em 429 escolas de 257 municípios nas seis unidades da Federação participantes desta etapa piloto.
Mesmo com as atividades presenciais suspensas nas escolas em razão da pandemia, centenas de profissionais da educação estiveram envolvidos na avaliação de entrada dos estudantes, seja distribuindo logins e senhas, para os testes digitais, seja imprimindo testes e fazendo-os chegar aos estudantes, em suas residências, e depois lançando as respostas dos estudantes na plataforma do Aprender Valor.
“Esse trabalho hercúleo resultou em um número significativo de testes digitais realizados (8,3 mil de língua portuguesa e matemática e 7,6 mil de letramento financeiro, distribuídos entre 5º, 7º e 9º anos). E ainda temos até o final desta semana para que esta etapa de avaliação se conclua – o prazo para lançamento das respostas dos testes impressos é 30 de abril”, afirma Melissa Moraes, do Departamento de Promoção da Cidadania Financeira (Depef) do BC. Ao final da aplicação dos projetos escolares, nova etapa de testes será realizada com os estudantes, para avaliação de seu progresso no letramento financeiro, na matemática e na língua portuguesa.
As etapas cumpridas no âmbito do Programa Aprender Valor até o momento (adesão de redes de ensino e de escolas, cadastros de profissionais e de estudantes na plataforma, avaliação dos estudantes, formação de gestores e professores) foram uma preparação para a aplicação dos projetos escolares em sala de aula – por enquanto, virtualmente.
Os projetos escolares estão disponíveis, para os professores cadastrados, na plataforma do Programa Aprender Valor, em aprendervalor.caeddigital.net.
O Aprender Valor tem enorme potencial: está previsto o início da expansão nacional ainda para este ano, com a possibilidade de alcance, no futuro, de até 21 milhões de estudantes nas escolas públicas do Ensino Fundamental brasileiro.