Notícia
02/02/2022

Grupo Macroeconômico revisa projeções e Selic deve chegar a 12% em 2022

Economistas revisam projeções macroeconômicas e indicam que a taxa Selic deve atingir 12% em 2022.

 

Os juros devem continuar a sua trajetória de alta neste ano e chegar a 12% em maio, patamar no qual deve permanecer até o final de 2022, de acordo com os economistas do nosso Grupo Consultivo Macroeconômico. As projeções anteriores, de 11,5%, foram revisadas em reflexo à resiliência da inflação, às alterações na política monetária americana e ao ciclo eleitoral brasileiro no segundo semestre. A expectativa é que a Selic suba mais 1,5% na primeira reunião do Copom (Comitê de Política Monetária, do Banco Central) e chegue a 10,75%. Mais dois aumentos estão previstos, de 1% e 0,25%, respectivamente, nos encontros seguintes do Copom.

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O grau de incerteza relacionada à conjuntura econômica ao longo de 2022 transparece na diferença entre a máxima e a mínima projetadas pelos economistas para dezembro deste ano: 12,75% e 10,25%. Entre os argumentos para um menor ritmo de elevação da Selic, o principal deles é que existe a possibilidade de que os efeitos defasados da política monetária sejam sentidos nos próximos meses, reforçando o ambiente de baixo dinamismo da economia. Entretanto, parte dos economistas argumenta que o atual balanço de riscos inflacionários não permite indicar uma política monetária menos contracionista, o que é agravado pelo futuro incerto do regime fiscal.

A estimativa para o  IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo)  em 2022 passou de 5%, apontado na reunião anterior do grupo, para 5,5%. A previsão está acima do teto da meta de inflação de 5% para 2022, valor já com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual do centro da meta (3,5%).

A previsão do PIB (Produto Interno Bruto) para esse ano também foi impactada negativamente e passou de 0,5% para 0,15%, refletindo a deterioração das expectativas sobre a atividade econômica. Para os economistas, a demanda deve permanecer com um baixo dinamismo, sobretudo diante do maior aperto das condições financeiras. Em relação ao PIB trimestral, o grupo espera uma expansão de 0,30% no primeiro trimestre e um recuo de 0,10% e 0,20% no segundo e terceiro trimestres respectivamente, voltando a subir no último trimestre do ano (0,19%).

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Em relação ao cenário externo, a maior preocupação recai sobre a nova etapa da política monetária dos Estados Unidos, que prevê um novo ciclo de alta de taxas de juros a partir de março. A mudança pode impactar os mercados emergentes, desvalorizando a taxa de câmbio e aumentando a inflação nessas economias. As casas estrangeiras que fazem parte do nosso Grupo Macroeconômico esperam de seis a oito elevações nas taxas dos FedFunds, o que pode levar o ciclo de alta até 2023. Outros fatores que estão no radar são o risco geopolítico do conflito entre Rússia e Ucrânia, que pode pressionar o preço do petróleo, e a desaceleração da economia chinesa.

Apesar de incerteza na economia doméstica e global, a estimativa para a taxa de câmbio em 2022 foi mantida em R$ 5,60, mas o grupo acredita que essa variável pode apresentar uma volatilidade relevante ao longo do ano.

 

Sobre o Grupo Consultivo Macroeconômico

O Grupo Consultivo Macroeconômico da ANBIMA é composto por 24 economistas de instituições associadas. Eles se reúnem a cada 45 dias, em média, sempre na semana que antecede a reunião do Copom (Comitê de Política Monetária, do Banco Central), para analisar a conjuntura econômica e traçar cenários para os mercados brasileiro e internacional.