O Banco Central lançou, nesta terça-feira (26/7), duas
moedas comemorativas, uma em prata e outra em cuproníquel, alusivas aos 200 Anos da Independência do Brasil. A
cerimônia online foi transmitida ao vivo, às 15h, pelo
canal do BC no Youtube e teve a participação do Presidente do BC, Roberto Campos Neto, e da Diretora de Administração, Carolina Barros. Aline Montenegro Magalhães, do Museu Histórico Nacional, proferiu a palestra “Iconografia da Independência”. As moedas estão disponíveis no
Clube da Medalha, da
Casa da Moeda do Brasil.
O lançamento das moedas marca a contribuição do BC para a celebração e registro do momento histórico que instituiu o Brasil como nação.
“Nós entendemos que olhar com orgulho para o passado, reconhecendo nossas conquistas, nos ajuda a projetar o futuro. É nesse sentido que, com essas moedas comemorativas, o Banco Central celebra, junto com todos os brasileiros, os 200 anos da data em que nos tornamos uma nação”, disse o Presidente do BC, Roberto Campos Neto. “Gostaria de parabenizar as equipes da Casa da Moeda do Brasil e do Departamento do Meio Circulante do Banco Central, que se envolveram diretamente no desenvolvimento e na execução desse trabalho”, completou.
“A equipe do Banco Central trabalha junto com a equipe de projetistas da Casa da Moeda. Ouvimos as opiniões de historiadores de diversos museus sobre os ícones que melhor representariam o tema. Analisamos a bibliografia e a iconografia, e decidimos compor uma história nessas duas moedas. Uma parte está em uma e a outra parte está em outra”, conta Márcia Barbosa Silveira, chefe da Equipe de Projetos de Cédulas e Moedas do BC.
As moedas retratam, no anverso, dois momentos históricos ligados à Independência do Brasil: a de prata apresenta a sessão do Conselho de Estado, presidida pela princesa D. Leopoldina e com a participação de José Bonifácio, na qual foi tomada a decisão de enviar cartas a D. Pedro aconselhando-o a romper com a Coroa portuguesa; a de cuproníquel mostra o Grito da Independência, em que D. Pedro, ao receber as cartas da princesa e do ministro José Bonifácio, proclama a Independência do Brasil, às margens do Rio Ipiranga.
No reverso, a primeira estrofe do Hino da Independência, escrito por Evaristo da Veiga e com música composta pelo próprio D. Pedro I, aparece como elemento comum às duas moedas. Na moeda de prata, aparece também a Bandeira Nacional. Já o reverso da moeda de cuproníquel traz uma novidade: pela primeira vez em uma moeda brasileira será usado o recurso da cor. Nesse caso, as cores verde e amarela, escolhidas por D. Pedro I logo após a Independência, aparecem em uma faixa em movimento. Essas cores são provenientes das casas de Bragança e Habsburgo e foram usadas na Bandeira do Brasil desde o Primeiro Império, tornando-se um símbolo nacional.
Inicialmente serão cunhadas 5 mil moedas de prata e 10 mil de cuproníquel, podendo-se atingir as tiragens máximas de 20 mil unidades de prata e 40 mil de cuproníquel.
Mecir, Casa da Moeda e historiadores
A equipe começou a trabalhar no projeto das moedas comemorativas em julho de 2021. A ideia inicial, a pesquisa iconográfica e a tiragem foram determinadas pelo BC. Em seguida, foram feitas propostas e contrapropostas de leiaute pela Casa da Moeda. Após essa definição, o projeto foi para aprovação do Mecir e seguiu para a Dirad, que, após concordar, fez um voto para levar à Diretoria Colegiada. A aprovação final foi dada pelo Conselho Monetário Nacional.
Para essa pesquisa, a equipe do Mecir consultou inicialmente o Museu do Ipiranga, ligado à USP, e que está há quase dez anos fechado, mas será reaberto ao público por ocasião do Bicentenário da Independência, no dia 7 de setembro. Lá está a obra mais conhecida sobre o episódio, “Independência ou Morte”, de Pedro Américo. Parte da obra, que foi restaurada recentemente, está no anverso da moeda de cuproníquel.
“A obra de Pedro Américo é muito importante na iconografia da Independência, pois é a mais reproduzida, principalmente nos livros escolares. Por causa dela, a imagem de D. Pedro I empunhando a espada às margens do Rio Ipiranga está no imaginário de todos nós. Mas o processo que culminou na Proclamação da Independência foi muito mais do que esse momento”, explica Tereza Cristina de Oliveira, coordenadora da Equipe de Projetos de Cédulas e Moedas.
A equipe do Mecir consultou também historiadores do Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro, sobre o tema. Foi quando conheceram a obra de Georgina de Albuquerque sobre o episódio que antecedeu o famoso Grito do Ipiranga, e que ganhou, em 1922, concurso realizado em comemoração ao centenário da Independência.
“O quadro “Sessão do Conselho de Estado” lança luz sobre a importância de D. Leopoldina no cenário político da Independência. Pouca gente sabe que, na ausência de D. Pedro, cabia a ela presidir o conselho de ministros. E ela o fazia de fato, discutindo, tomando decisões e aconselhando o príncipe sobre questões de Estado”, conta Tereza Cristina.
Além dessas obras, na moeda de prata há a composição com parte da litografia “D. Pedro I: Imperador”, de Sebastien Sisson, do acervo da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, da Universidade de São Paulo.
Características das moedas:
1. Moeda de prata
Valor de face: 5 reais
Material: prata 999/1000
Diâmetro:40mm
Peso: 28g
Bordo: serrilhado
Acabamento: proof
Preço de venda: R$ 420,00
2. Moeda de cuproníquel
Valor de face: 2 reais
Material: Cu 75% - Ni 25%
Diâmetro: 30mm
Peso: 10,17g
Bordo: serrilhado
Preço de venda: R$ 34,00