Notícia
22/09/2022

MKBR22: Blended finance impulsiona iniciativas com impacto social

Blended finance combina recursos para impulsionar iniciativas com impacto social e mobilizar capital privado.

O blended finance tem o potencial de impulsionar iniciativas com impacto social positivo. As chamadas estruturas de finanças combinadas utilizam, usualmente, recursos não reembolsáveis e filantropia para engajar capital de terceiros para realização de iniciativas com impacto socioambiental positivo. São estruturas híbridas, podendo combinar diferentes instrumentos, como dívida, garantias, doações, equity, seguros, fundos garantidores, entre outros. 

Durante painel na tarde desta quinta-feira no MKBR22, evento organizado pela ANBIMA e pela B3, Marcelo Marcolino, do BNDES, explicou que, ao redor do mundo, bancos de desenvolvimento estão tentando atrair capital privado para resolver problemas sustentáveis. Segundo ele, analisar a maneira como essas instituições estão fazendo e como a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) está incentivando a fazer, levou o BNDES a decidir usar recursos como capital catalisador, funcionando como mobilizador de outros filantropos e também de investidores privados. 

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Marcelo Marcolino, do BNDES (esq), Severin Luebke, da Mobilist (telão), e Fernanda Camargo, da Wright Capital, participaram do painel Blended finance: investindo bilhões para mobilizar trilhões

“A gente conversa muito com o mercado. E foi interessante que filantropos e investidores nos pediram duas coisas: governança e transparência na prestação de contas. Então, analisamos as melhores práticas do mundo. O que fizemos foi trazer a melhor prática”, explica Marcolino.  

Severin Luebke, da Mobilist, acrescenta que todos estão tentando resolver o mesmo problema, mas que os desafios são vastos e não há capital suficiente no sistema. “Não temos capital de investimento suficiente de verdade. Então, o que estamos tentando fazer é combinar a doação com o aspecto de assistência técnica, com foco na listagem de produtos de investimento”, diz. 

Ele explica que a Mobilist vem tentando dar às pessoas os incentivos para que as estruturas sejam listadas em bolsas de valores. “No nosso caso, investimos tanto em fundos que estão listados em bolsas públicas ou empresas e também em ativos, porque achamos importante desenvolver mercados de capitais locais para garantir que o capital possa ser aplicado nos mercados locais”, detalha.

Por sua vez, Fernanda Camargo, da Wright Capital, contou que quando a Wright começou, em 2014, foi mapeado o impacto dos investimentos e se constatou que a maioria dos fundos — e, naquela época, era uma quantidade limitada de fundos de impacto —, entrevistava cerca de mil empresas e investia em apenas quatro ou cinco. “Assim, muito desse impacto nos negócios sociai  ficou para trás. Finalmente, dois anos depois, um dia, as pessoas do International Venture Philanthropy Center vieram ao nosso escritório e nos falaram sobre filantropia de risco e como usar o financiamento misto”, conta.

Usar o chamado venture philanthropy ajuda a testar o modelo e o investimento de impacto (impact investments) para alavancar. “Você pode misturar doações de filantropia e investimento de impacto. E, assim, entendemos a maneira de usar o blended para basicamente capitalizar esse tipo de investimento”, diz.

Os fundos mistos têm potencial de alavancar muito mais que seus valores e são instrumentos de impactos muito maiores nos diversos setores — e não apenas de capital, como frisa Fernanda.