Notícia
17/08/2023

ANBIMA Summit: para Rodrigo Maia, grande questão da reforma tributária é qual será a nova alíquota de imposto

Rodrigo Maia destaca dúvida sobre a nova alíquota de imposto na reforma tributária e discute impactos para estados, municípios e setor de serviços.

Apesar do estudo divulgado pelo Ministério da Fazenda sobre os impactos da reforma tributária, conforme o texto aprovado pela Câmara dos Deputados em julho, ainda restam algumas dúvidas no ar. A principal delas diz respeito à qual será de fato a alíquota de imposto após as mudanças, segundo Rodrigo Maia, presidente da CNF e ex-presidente da Câmara dos Deputados.

No segundo dia do ANBIMA Summit, nesta quinta-feira, 17, na Oca do Ibirapuera, em São Paulo, o ex-deputado federal conversou com a jornalista Thaís Oyama, levando um dos temas mais quentes do noticiário nacional para a pauta. Para Maia, a alíquota básica estimada pela Fazenda para novo imposto, entre 25,45% e 27%, não é factível.

"Pelas conversas reservadas, não parece ser essa [alíquota] que o governo está anunciando. Tanto a Câmara quanto o Senado estão travando as discussões numa disputa por protagonismo", disse, para uma plateia de mais de 900 pessoas no evento.

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Conforme o texto atual, a reforma tributária prevê a criação do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), que deve substituir o ICMS dos estados e o ISS dos municípios, além da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), com o objetivo de reunir PIS, Cofins e IPI, que são impostos federais.

Na avaliação de Maia, a definição geral será decisiva para a saúde financeira de estados e municípios. "É questão de vida ou morte, especialmente para os estados, com a questão do setor de serviços, se vai haver ou não aumento na participação da economia", afirmou.

Nesse caso, a polêmica fica por conta da indefinição sobre se haverá ou não aumento dos impostos para o segmento de serviços, responsável por uma grande fatia do PIB. Hoje, entidades do setor já se movimentam contra uma elevação. A própria ministra do Planejamento, Simone Tebet, assumiu que esse é um ponto que precisa ser discutido antes que o texto avance para o Senado Federal.

Ao comentar eventuais mudanças nas regras do imposto de renda que visam aumentar a arrecadação, Maia tocou em outro assunto polêmico: a ideia de que ricos pagam mais impostos do que pessoas pobres, algo do qual discorda. 

Maia reforçou que a reforma não virá apenas da tributação de dividendos e relatou ainda que seu maior medo é que eventuais mudanças não tenham grande impacto e desestimulem a atuação de empresas no Brasil. "Nossa agenda tem que ser produtividade e crescimento, e não ficar tributando quem está querendo fazer o país crescer", completa. 

Inflação no radar

Todo o movimento para simplificar os impostos no país e aumentar a arrecadação também está no radar de Ana Paula Vescovi, economista-chefe do Banco Santander. Ela participou do ANBIMA Summit ao lado de Fernando Honorato, presidente do nosso Grupo Consultivo Macroeconômico e economista-chefe e diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.

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"Dadas as dificuldades, a gente entende que, no equilíbrio geral da economia, não é assim que funciona. Aumentando tributos você deprime mais alguns setores", alertou Ana Paula.

Outro assunto acompanhado de perto são as projeções para a inflação e a condução da política monetária. Na avaliação de Vescovi, não cabe avaliar se a meta atual é apropriada, mas "qual o nível de inflação que queremos ter como país".

"É questão de escolha e não acho que o Brasil precise de uma inflação maior, porque isso trouxe desigualdade no passado. Acho a meta de inflação uma decisão acertada e precisamos perseguí-la, porque ela é boa para a sociedade", afirmou a economista

Em suas projeções, após o início do ciclo de afrouxamento monetário, o Banco Central deve seguir em um ritmo de corte da taxa Selic de 0,50 ponto percentual nos próximos meses, com perspectiva de maior controle dos gastos públicos.

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De olho no futuro

Saindo dos temas quentes do noticiário e olhando mais para o futuro, o ANBIMA Summit também reuniu Ian Goldin (na foto à esquerda), professor de Globalização e Desenvolvimento da Universidade de Oxford e diretor-fundador da Oxford Martin School, e Rodrigo Azevedo (à direita), que é nosso diretor, sócio, co-CIO e gestor da estratégia macro da Ibiuna Investimentos.

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Eles discutiram não apenas o mercado de capitais, mas assuntos que andam em alta em qualquer roda de conversa sobre geopolítica, como a guerra entre Rússia e Ucrânia, o futuro da economia da China, o uso de inteligência artificial e formatos de trabalho mundo afora.

Sobre esse último assunto, que domina debates acalorados em empresas e redes sociais, Goldin ressaltou a necessidade de equilíbrio entre atividades online e presenciais em prol de uma economia mais saudável.

"Se as pessoas não vão aos escritórios, elas destroem todo o ecossistema que existe ao seu redor. As economias dependem de pessoas circulando", disse. "Atacar grandes centros como São Paulo, Nova York, Londres ou São Francisco é um erro. Elas são fonte de progresso e investimento no futuro. Precisamos pensar em como fazer as cidades ficarem mais dinâmicas e compartilhar seu dinamismo ao longo da cadeia da economia", completou Ian

Sobre as questões geopolíticas, Azevedo trouxe para o debate as discussões recentes sobre uma eventual perda de força tanto dos Estados Unidos quanto da moeda norte-americana. Para o professor de Oxford, uma mudança desse cenário é improvável no curto prazo. "Veremos cada vez mais bancos centrais fazendo reservas em outras moedas, como aconteceu com a Argentina. Mas o dólar vai continuar sendo importante por muito tempo", afirmou.

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Goldin falou sobre a relação do Brasil com a China, já que nosso país se beneficiou bastante da globalização, e o sucesso da China foi crucial para o avanço da indústria exportadora, especialmente com o fornecimento de minério de ferro. 

Ainda que haja uma desaceleração da globalização, ele não acredita em movimentos bruscos. "Fala-se muito da desaceleração na China, de deflação e crises econômicas, mas, na minha opinião, isso tem sido muito exagerado."

O professor de Oxford disse que o Brasil está bem posicionado para tirar vantagens da demanda mundial de alimentos, minério de ferro, lítio e produtos renováveis. De toda forma, tem o dilema do que fazer como um grande produtor de petróleo pode gerar renda e contribuir para a redução da pobreza ao mesmo tempo que impulsiona o crescimento da economia.

"O Brasil tem a oportunidade de ser uma economia do conhecimento e sair desse papel de combinar agricultura e extração de matérias-primas através de novas tecnologias de forma mais eficaz."

Sobre o ANBIMA Summit

Maior encontro dos mercados financeiro e de capitais do Brasil, o ANBIMA Summit 2023 evento que acontece nos dias 16 e 17 de agosto na Oca do Ibirapuera, em São Paulo. A conferência reúne discussões sobre o futuro da indústria de investimentos, as transformações trazidas pela inteligência artificial, o avanço da tokenização, as mudanças no comportamento do investidor e muito outros assuntos. Acompanhe a programação em tempo real no site anbimasummit.com.br.