O Banco Central divulgou recentemente o Relatório de Gestão das Reservas Internacionais detalhando a sua atuação na área. Atualmente, o volume total das reservas internacionais supera US$350 bilhões, e esses ativos fazem parte do balanço patrimonial do BC. Na LiveBC deste mês, Paulo Picchetti, Diretor de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos, explicou a importância dessas reserv
as e como o BC as gerencia. A
live está disponível na íntegra
aqui.
Picchetti destacou no programa que as reservas internacionais reduzem a fragilidade das economias em desenvolvimento e citou que, durante crises financeiras, o corte abrupto e inesperado do fluxo de capitais internacionais é um risco significativo para economias emergentes. Mesmo considerando possíveis arranjos internacionais como acesso a linhas de crédito do Fundo Monetário Internacional (FMI) e
swaps com outros bancos centrais, o risco de ocorrer alguma limitação na obtenção de empréstimos em mercados internacionais, durante eventos de crises financeiras, torna as economias em desenvolvimento vulneráveis. As reservas internacionais, frisou o diretor, funcionam como um “seguro contra as crises”.
"O BC brasileiro é considerado um dos mais transparentes e eficientes no que se refere à gestão das reservas internacionais. Inclusive, recebemos recentemente relevantes prêmios internacionais a esse respeito, como Melhor Banco Central no que se refere à gestão de riscos (Central Banking) e Melhor Banco Central no que se refere à gestão de reservas internacionais (Central Banking), em 2020 e em 2023, respectivamente", destaca Paulo Picchetti, Diretor de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos.
O diretor elencou os objetivos estratégicos de longo prazo a serem alcançados com as reservas internacionais: dar confiança ao mercado de que o país será capaz de honrar seus compromissos externos e fornecer suporte à execução das políticas monetária e cambial.
Picchetti explicou que, na gestão das reservas, o BC considera a estratégia de cobertura cambial da dívida externa do setor público e, na medida do possível, da dívida externa privada, além da exposição a riscos climáticos e ambientais, entre outros fatores. Ele ressaltou ainda que o investimento das reservas internacionais é realizado com o auxílio de técnicas de otimização risco-retorno de carteira, observados os critérios de segurança, liquidez e rentabilidade, priorizados nessa ordem.
Essa política de investimento é definida pela Diretoria Colegiada, no âmbito do Comitê de Governança, Riscos e Controles (GRC), justamente em função dos objetivos estratégicos.
Como é a alocação das reservas hoje?
- Distribuição dos US$352,71 bilhões:
- US$314,97 bilhões em títulos e depósitos;
- US$4,05 bilhões em posição de reserva no FMI;
- US$19,27 bilhões em Direito Especial de Saque (DES);
- US$8,53 bilhões em ouro;
- US$5,88 bilhões em outros ativos (principalmente títulos adquiridos com acordo de recompra).
Ouro
A título de curiosidade, a alocação em ouro representava 2,60% das reservas internacionais em dezembro de 2023, conforme o último Relatório de Gestão das Reservas Internacionais. O diretor informou que o ouro adquirido pelo BC para compor as reservas internacionais do país decorre de negociação realizada exclusivamente no exterior, ou seja, o BC não adquire ouro no mercado interno para composição das reservas internacionais.
O que são operações de
swap cambial e qual a relação com as reservas?
Ao fim de fevereiro deste ano, de acordo com as estatísticas do mercado aberto divulgadas pelo BC, a posição líquida relativa às operações de
swap era passiva em câmbio em US$100,3 bilhões. Mas o que é
swap (do inglês, “troca”)?
Picchetti explicou que se trata de uma operação que promove simultaneamente a troca de taxas ou rentabilidade de ativos financeiros entre agentes econômicos. Por meio dessa operação, o BC procura evitar movimento disfuncional do mercado de câmbio. Dessa forma, o swap pode ser entendido como um instrumento de execução da política cambial alternativo à compra/venda direta de reservas internacionais, porque os contratos são liquidados financeiramente em reais, não afetando, portanto, o nível das reservas. O objetivo dessas operações, apontou o diretor, é prover
hedge cambial – proteção contra variações excessivas da moeda americana em relação ao real – e liquidez ao mercado de câmbio doméstico. A compra de contrato de
swap pelo BC funciona como injeção de dólares no mercado futuro.
Quando uma empresa possui um ativo financeiro indexado à variação do dólar comercial e deseja trocar esse indexador por uma determinada taxa prefixada, sem se desfazer do ativo financeiro, ela poderá realizar essa operação por meio de uma troca de taxas. No contrato de swap, o BC se compromete a pagar ao detentor do
swap a variação do dólar, acrescida de uma taxa de juros (“cupom cambial”), e a receber a variação da taxa de juros doméstica acumulada no mesmo período (taxa Selic). Portanto, quem vende esse contrato fica protegido caso a cotação do dólar aumente, mas tem de pagar a taxa Selic para o comprador, no caso o BC.