A segunda edição da Conferência Anual do Banco Central do Brasil reuniu, em 17 de maio, quatro ex-presidentes da Autarquia para debate sobre os 30 anos do Plano Real.
O evento contou com a participação de acadêmicos, especialistas do setor privado e representantes de bancos centrais e instituições multilaterais. A conferência é o resultado da unificação dos tradicionais Seminário Anual de Metas para a Inflação e Seminário Anual de Estabilidade Financeira e Economia Bancária. Durante a conferência, foram apresentados 36 trabalhos, selecionados entre 347 estudos submetidos a chamada pública.
"Essa conferência traz uma oportunidade para o aprofundamento dos debates sobre tópicos que tangenciam os desenvolvimentos recentes na economia global e doméstica: de ‘Inflação’ a ‘Sustentabilidade’, de ‘Modelos Climáticos’ a ‘Macrofinanças’. Com esse evento, mantemos nossa tradição de dialogar com a academia e com outros bancos centrais e organismos multilaterais para a construção de uma política pública pautada nas melhores práticas, na teoria econômica mais atualizada e nas evidências empíricas recentes", disse Roberto Campos Neto, Presidente do Banco Central.
Os ex-presidentes Gustavo Loyola (1992-1993 e 1995-1997), Pedro Malan (1993-1995), Persio Arida (1995) e Gustavo Franco (1997-1999) trouxeram impressões sobre os acontecimentos relevantes que marcaram o Plano Real, implementado em 1994.
“Hoje, a esmagadora maioria da população brasileira aprendeu quais são os benefícios de ter a inflação sob controle. Isso significa a preservação do poder de compra, do salário do trabalhador brasileiro e dessas transferências diretas de renda, que cada vez assumem maior importância entre nós.”
Pedro Malan
“Um elemento importante desse processo foi o povo brasileiro, que apoiou o Plano [Real]. Eu lembro que, quando André [Lara Resende] e eu conversamos em 1984 sobre quanto tempo ia durar para ter uma moeda indexada, e as pessoas começarem a usá-la, achamos que seria um ano e meio ou dois. Nada! [No Plano Real], em três ou quatro meses, já estava tudo denominado em URV [Unidade Real de Valor].”
Persio Arida
“O fortalecimento do Copom trouxe o Banco Central para o comando dos acontecimentos pertinentes à moeda, que é o que tinha que ter acontecido desde o início. A organização institucional da moeda foi ponto importante para estarmos celebrando 30 anos que essa organização desenhada permaneceu intocada. Ela vem sendo melhorada incrementalmente, mas é extraordinário que 1994 tenha sido essa data tão importante.”
Gustavo Franco
“O Brasil, hoje, é um modelo no campo da política, da supervisão bancária e da regulação. O Brasil tem sido pioneiro na inovação financeira. Certamente, isso é a continuidade natural de termos um sistema financeiro resiliente, que contém e monitora os seus riscos. Agendas novas surgiram, como a agenda de risco climático. É importante que o Banco Central tem sido referência nesse tema.”
Gustavo Loyola
Homenagem ao ex-presidente Carlos Langoni
O ex-presidente Carlos Langoni (1980-1983), falecido em 2021, foi homenageado com uma medalha em sua memória, oferecida à sua filha, Patrícia Langoni, presente na conferência.
“Natural do Rio de Janeiro, Langoni foi o primeiro brasileiro a obter doutorado em Economia na Universidade de Chicago. Sempre frequentou a Academia, o que explica a solidez de seu conhecimento. Durante sua gestão no BC, primeiro como diretor e, depois, como presidente, o Brasil lidou com complexas negociações de dívida externa e implantou o sistema Selic, utilizado até hoje. Foi uma época de moratória do México, aumentos de preços de petróleo e choque de juros nos Estados Unidos”, discursou Campos Neto.
Vídeos no YouTube
Quem quiser, pode assistir aos vídeos no canal do BC no YouTube:
Os vídeos das sessões acadêmicas dos dois primeiros dias serão disponibilizados posteriormente na
página da conferência.
Nesta edição, a conferência teve o apoio do Fundo Garantidor de Créditos (FGC); da Associação Brasileira de Bancos (ABBC); da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima); da Federação Brasileira de Bancos (Febraban); e da ZETTA, associação de empresas de tecnologia com atuação no setor financeiro e de meios de pagamento.