Notícia
26/05/2025

CFC recebe delegação de Moçambique para intercâmbio sobre contabilidade pública

Delegação de Moçambique realiza intercâmbio técnico no Brasil sobre normas internacionais de contabilidade pública.

Por Poliana Nunes
Comunicação CFC

Na manhã desta segunda-feira (26), o Conselho Federal de Contabilidade (CFC) deu início a um intercâmbio técnico com uma delegação de contadores de Moçambique, que permanecerá no Brasil por duas semanas para conhecer de perto a estrutura e o processo de adoção das normas internacionais de contabilidade aplicadas ao setor público (NICSP).

A visita tem como objetivo estreitar laços entre os dois países e promover a troca de experiências sobre a convergência às normas internacionais, tema central para o desenvolvimento da contabilidade pública em Moçambique. A delegação é composta por Abdel Saquina Muhorro Mussagy Talaquichande, gestor do Projeto NICSP em Moçambique, Abrahamo Vasco Quive, analista de processos de negócios, Evangelina Vanusa Francisco Constantino e Acrisio Boaventura Mandlate, ambos técnicos superiores em orçamento e contabilidade pública.

Do lado brasileiro, o encontro foi conduzido pela vice-presidente técnica do CFC, Ana Tércia Lopes Rodrigues, com participação da diretora de Estratégias e Parcerias Globais do CFC, Elys Souza, bem como do coordenador-adjunto da Câmara Técnica, conselheiro Wellington Cruz e da equipe da Coordenadoria Técnica, Ricardo Carvalho, Felipe Bastos e Cintia Pimentel.

Durante a abertura, Ana Tércia destacou a importância do intercâmbio como um momento de aprendizado mútuo. “Temos uma jornada dentro da contabilidade, dentro do sistema dos CRCs, que nos permite compartilhar e colaborar com vocês nos objetivos que vieram buscar aqui no Brasil e junto ao Conselho Federal de Contabilidade. A equipe se colocou à disposição para contribuir. É uma troca. Certamente vocês também têm muitos conhecimentos a compartilhar conosco”, afirmou.

A vice-presidente ressaltou os desafios enfrentados pelo Brasil no processo de convergência às normas internacionais. “Conhecer as normas leva tempo e é um processo de dedicação. A gente começa a perceber o quanto elas são complexas e extensas. Foi uma mudança de paradigma muito grande em relação ao padrão que nós tínhamos antes”, explicou.

Ela destacou que o processo envolve mais do que decisões administrativas: “A transição exige esforço: implementação de sistemas, aprovação de procedimentos e adaptações. É um choque cultural, técnico e até linguístico. Tivemos que assimilar um volume de conteúdos com linguagem diferente, adaptar sem fugir do padrão internacional”.

Ana Tércia também apresentou a estrutura da Câmara Técnica do CFC, o regimento interno e as atribuições da vice-presidência, além de fazer um panorama da contabilidade pública brasileira e dos órgãos envolvidos no processo de normatização.

Representando Moçambique, Abdel Saquina contextualizou a situação do país no processo de adoção das normas. “Ainda não existe um conjunto de normas específicas para contabilidade no Setor Público. Temos um plano básico, mas que está associado a um documento mais amplo sobre a administração financeira

do Estado. Agora estamos trabalhando para separar esse plano e definir normas próprias, mais claras, transparentes e alinhadas com as internacionais”, explicou.

Segundo Abdel, o Brasil foi escolhido como referência por dois motivos principais: o histórico de cooperação técnica entre os países e a receptividade brasileira. “A contabilidade pública de Moçambique foi construída com base na brasileira. Além disso, vocês são receptivos. Estão mais abertos, mais predispostos a ajudar-nos, mais inclinados a dizer: ‘não cometa o erro que eu cometi, vamos juntos’”.

A agenda de atividades da delegação moçambicana inclui reuniões técnicas e visitas institucionais. O intercâmbio é mais um passo para fortalecer a cooperação entre os dois países no desenvolvimento da contabilidade pública.

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