Notícia
02/04/2026

É #FAKE alerta de WhatsApp da Receita Federal que cobra dívida de CPF e ameaça bloquear Pix e conta bancária; trata-se de golpe

Alerta sobre golpe que usa mensagens falsas da Receita Federal para induzir vítimas a transferir dinheiro via Pix.

Texto com tom alarmista envia link enganoso que leva a pessoa a transferir dinheiro a criminosos. Ao Fato ou Fake, Receita diz que site oficial da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional é o único meio para quitar pendências; veja a checagem passo a passo.

Circulam no WhatsApp mensagens enviadas em nome da Receita Federal com alertas sobre supostas pendências no Cadastro de Pessoa Física (CPF) e um link para "regularização". É #FAKE.

Como o conteúdo chegou ao Fato ou Fake?

  • Leitores passaram a enviar a mensagem ao nosso WhatsApp, no número +55 (21) 97305-9827, nos dias anteriores ao início do prazo para entrega da declaração do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) 2026, que começou em 23 de março.

Como é o golpe?

  • Para convencer as vítimas de que o conteúdo é legítimo, o texto começa assim: "As informações foram verificadas e estão corretas". Na sequência, cita o nome do destinatário e menciona: "ÚLTIMO AVISO DA RECEITA FEDERAL – IRPF 2025/2026".

  • Veja a íntegra do material fraudulento: "Consta em nosso sistema a identificação de uma pendência registrada vinculada ao documento nº [CPF], que pode impactar a regularidade do seu nome. PENDÊNCIA GRAVE EM ABERTO. Isso impede: Enviar e receber Pix, acesso a contas, cartões e investimentos em qualquer banco; operações financeiras normais; nome em cadastros restritivos (Serasa, SPC, Bacen). Recomendamos que a consulta seja realizada imediatamente por meio do link abaixo: https://regularizetributos. Para evitar inconsistências futuras e possíveis restrições operacionais, é importante verificar a situação o quanto antes. Se o link não estiver azul, envie apenas um 'Oi', saia da conversa e entre novamente. Cadastro concluído no sistema".

O conteúdo tem diversos sinais de golpe: tom de urgência e ameaça (expressões como "ÚLTIMO AVISO" e "PENDÊNCIA GRAVE"); consequências exageradas (bloqueio de Pix e conta); generalização e falta de detalhes oficiais (como número de processo); link suspeito (o endereço fornecido não é um domínio oficial do governo, como gov.br); e pedido de ação imediata por canal informal; uso indevido de autoridade (com citação órgãos oficiais). Veja detalhes ao final desta reportagem.

  • Ao clicar no link, o usuário chega a uma página que imita a plataforma gov.br e pede para digitar o número do CPF. Na tela seguinte, vem o aviso sobre uma "dívida" de R$ 684,55. O não pagamento geraria multa de R$ 2.120, além de bloqueio bancário e restrição de crédito.

Por fim, há um botão de "regularize agora", que leva a um chat com uma suposta "auditora da Receita Fiscal". Ela repete as mesmas ameaças e diz que "não haverá nova oportunidade" para regularizar o débito. Por fim, a vítima é induzida a fazer o Pix, sem informações sobre o destinatário final do dinheiro.

Por que a mensagem é falsa?

O Fato ou Fake entrou em contato com a assessoria de imprensa da Receita Federal, que respondeu, por e-mail:

"Trata-se de um golpe. O portal correto é da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), que já emitiu alerta para tentativas de comunicação falsa. A Receita Federal reforça que não solicita pagamentos por telefone, WhatsApp, e-mail ou mensagens. Todos os documentos de arrecadação (Darf e Das) devem ser gerados exclusivamente pelos meios oficiais, disponíveis no site: www.gov.br/receitafederal".

Em 2 de dezembro de 2025, o site oficial do órgão publicou um comunicado com o seguinte título: "Recebeu mensagem da PGFN? Cuidado, pode ser golpe!". O texto reforça que a página regularize.pgfn.gov.br é o único meio oficial pelo qual os contribuintes que tenham débitos em aberto com a União podem quitar suas pendências:

"A PGFN não entra contato pelo WhatsApp, somente por SMS, com o remetente 29347. Além disso, o acesso de pessoas físicas ao portal Regularize é feito somente por meio do login e da senha da plataforma oficial gov.br, o que confere mais segurança ao processo. A Procuradoria também não solicita o CPF do contribuinte como forma de acesso ao portal".

  • A nota também menciona uma checagem anterior feita pelo Fato ou Fake, de 29 de novembro de 2025, com o título: É #FAKE mensagem de WhatsApp que cobra pagamento de 'Dívida Ativa com a União'; trata-se de golpe. Na ocasião, Eduardo Sadalla Bucci, coordenador de Dívida Pública da União e do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FTS) explicou:

"Em nenhuma hipótese, de nenhum tipo de cobrança, há a possibilidade de cancelamento do seu PIX. Igualmente, nenhum tipo de constrição que não seja autorizada pelo Poder Judiciário vai ser feita. "Você não vai perder qualquer tipo de bem, a não ser por uma decisão judicial, em que você será citado, terá oportunidade de ter um advogado e todas as tramitações do devido processo legal", disse o especialista na oportunidade".

  • Em fevereiro deste ano, o Fato ou Fake fez uma verificação semelhante: É #FAKE mensagem de Whatsapp sobre regularização de 'pendência grave' na Receita Federal; trata-se de golpe.

Quais os indícios de golpe?

Ao longo do texto, há diversos sinais de linguagem típicos de golpes:

  • Tom de urgência e ameaça Expressões como “ÚLTIMO AVISO” e “PENDÊNCIA GRAVE” são usadas para causar medo e pressionar a pessoa a agir rapidamente, sem pensar.

  • Consequências exageradasBloqueio de Pix, contas, cartões e “nome irregular” são apresentados de forma alarmista e pouco precisa.

  • Generalização e falta de detalhes oficiaisAusência de informações específicas confiáveis (como número de processo, canal oficial ou instruções verificáveis), substituídas por menções genéricas a uma "pendência".

  • Link suspeito O endereço fornecido não é um domínio oficial do governo (como “.gov.br”).

  • Pedido de ação imediata por canal informalOrientações como "clicar no link" ou responder "Oi", que fogem totalmente dos procedimentos formais da Receita Federal.

  • Uso indevido de autoridadeTentativa de se legitimar citando órgãos como Serasa, SPC e Banco Central, mas sem contexto real — um recurso comum para parecer confiável.

  • Contato via WhatsAppÓrgãos oficiais não utilizam mensagens diretas por aplicativos para cobrar regularizações dessa forma.

Fonte: g1.