A história da política econômica é marcada por ideias que resistem ao tempo, mesmo quando desafiadas pela realidade. Muitos desses conceitos, popularizados como verdades absolutas, frequentemente ignoram a evidência empírica. Roberto Campos, em seu ensaio “A Fogueira dos Mitos”, fez um diagnóstico certeiro dessas narrativas. Com clareza e uma crítica direta, desfez crenças que parecem atraentes, mas não funcionam na prática. Inspirada por sua análise, revisito esses mitos sob a ótica do Brasil atual e de uma economia global em transformação.
Campos acreditava que as decisões econômicas frequentemente se baseiam em simplificações. Dois exemplos ilustram bem essa crítica: a ideia de que “o planejamento estatal é sempre superior ao mercado” e a crença de que “crescer exige sacrificar liberdades individuais”. Tais mitos sustentam políticas que acabam por comprometer o desenvolvimento sustentável.
No Brasil, a visão do Estado como motor central do progresso ainda domina o debate. Mesmo com a longa lista de projetos estatais malsucedidos, como os controles artificiais de preços e a expansão desordenada de empresas públicas, as resistências às soluções de mercado permanecem fortes. É o caso das privatizações, frequentemente vistas com desconfiança, ou das reformas estruturais, que enfrentam enorme pressão política.
O debate sobre preços de combustíveis no Brasil é um exemplo atual. Quando o preço do petróleo disparou no mercado internacional, muitos defenderam a volta de subsídios ou o controle direto do preço da gasolina. Essas medidas, ainda que populares, carregam um custo elevado.
Campos, sem dúvidas, criticaria tais estratégias. Para ele, essas práticas refletem o mito de que o Estado pode ignorar as leis de mercado. No curto prazo, o alívio para o consumidor parece evidente. No longo prazo, porém, os efeitos são nefastos: rombos fiscais, distorções de preços e desestímulo ao investimento no setor.
Países que optaram por políticas liberais, ajustando tributos em vez de subsidiar combustíveis, alcançaram resultados mais consistentes. Além de preservar o equilíbrio fiscal, criaram condições mais favoráveis para o investimento privado. No Brasil, contudo, o mito do Estado protetor continua a alimentar escolhas econômicas que comprometem o futuro.
A persistência do populismo econômico revela uma dificuldade em aceitar o papel dos incentivos de mercado. É comum ouvir que “o capitalismo selvagem” ameaça o progresso social, mas essa visão cria um falso dilema. Campos insistia que o mercado, longe de ser um inimigo, é uma alavanca essencial para avanços sociais duradouros.
Se abandonarmos os mitos e abraçarmos as evidências, podemos alcançar um crescimento mais robusto, com menos custos sociais. Porém, enquanto o senso comum ditar as regras, será difícil avançar em direção a políticas mais eficientes e racionais.
Os mitos econômicos que Campos desafiou permanecem vivos. Eles assumem novas formas, mas continuam atrasando o progresso. Para avançar, precisamos desafiar essas crenças com coragem, abraçando soluções baseadas em evidências e nos princípios do livre mercado.
O Brasil tem potencial para se tornar uma economia dinâmica, mas isso exige superar as narrativas de curto prazo. Mais do que nunca, precisamos de um debate público que valorize a razão sobre os discursos fáceis.
E você, o que pensa sobre isso? Será que estamos prontos para acender essa “fogueira dos mitos” e repensar nossas escolhas econômicas? Deixe sua opinião. Afinal, mudar o rumo começa com a coragem de questionar.