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06/07/2025

IAS 29 - Relatório Financeiro em Economias Hiperinflacionárias

Explica como a IAS 29 regula o ajuste monetário das demonstrações financeiras em economias hiperinflacionárias.

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1. Breve Histórico

A norma IAS 29 - Relatório Financeiro em Economias Hiperinflacionárias foi emitida pelo International Accounting Standards Board (IASB) com o objetivo de regular a apresentação das demonstrações financeiras em economias que sofrem os impactos severos da hiperinflação. Esta norma entrou em vigor em 1990 e foi desenvolvida para garantir que as informações financeiras reflitam adequadamente o valor real dos elementos patrimoniais e do resultado.

2. Alcance

A IAS 29 deve ser aplicada por entidades cujas demonstrações financeiras são preparadas em moedas de economias classificadas como hiperinflacionárias. De acordo com a norma, uma economia é considerada hiperinflacionária quando ocorrem distorções significativas nos valores financeiros devido à inflação elevada e sustentada.

Segue algumas características do ambiente econômico de um país em economia hiperinflacionária:

(a) a população prefere manter sua riqueza em ativos não monetários ou em uma moeda estrangeira relativamente estável.

(b) a população considera os valores em moeda estrangeira relativamente estável, e os preços podem ser cotados nessa moeda;

(c) as compras e as vendas a crédito ocorrem a preços que compensam a perda esperada do poder aquisitivo durante o período do crédito;

(d) as taxas de juros, salários e preços são atrelados a um índice de preços;

(e) e a taxa de inflação acumulada no triênio se aproxima ou excede 100%.

3. Definições

Itens monetários: são valores detidos e itens a serem recebidos ou pagos em dinheiro.

4. A Atualização Monetária das Demonstrações Financeiras

As demonstrações financeiras de uma entidade cuja moeda funcional é a moeda de uma economia hiperinflacionária devem ser declaradas em termos da unidade de medida corrente na data do relatório. Os números comparativos também devem ser reformulados na mesma unidade de medida corrente.

4.1. Demonstrações Financeiras pelo Custo Histórico

Os valores da demonstração da posição financeira que não estejam expressos em termos da unidade de medida corrente no final do período de relatório são atualizados monetariamente pela aplicação do índice geral de preços.

Os itens monetários não são atualizados, pois já são expressos em termos da unidade monetária corrente no final do período de relatório.

Os itens não monetários são reajustados com base na variação do índice geral de preços entre a data de aquisição do item e a data do balanço.

Todos os itens de receita ou despesa na demonstração do resultado abrangente são reapresentados com base na variação do índice geral de preços entre a data em que os itens foram registrados inicialmente e a data do relatório.

O ganho ou perda na posição monetária líquida será incluído em lucro ou prejuízo e divulgado separadamente.

4.2. Impostos

O reajuste das demonstrações financeiras pode impactar a apuração de impostos, especialmente no reconhecimento de diferenças temporárias e na base tributária de ativos e passivos.

4.3. Demonstração dos Fluxos de Caixa

Esta Norma exige que todos os itens na demonstração dos fluxos de caixa sejam expressos em termos da unidade de medida corrente no final do período de relatório.

4.4. Valores correspondentes (Saldo Anterior)

Os números comparativos do período anterior, devem ser atualizados aplicando-se o índice geral de preços no final do período de relatório.

4.5. Demonstrações Financeiras Consolidadas

As demonstrações financeiras de subsidiárias precisam ser atualizadas monetariamente pela aplicação de um índice geral de preços do país em cuja moeda ela reporta, antes de serem incluídas nas demonstrações financeiras consolidadas emitidas por sua controladora.

4.6. Seleção e Uso do Índice Geral de Preços

A norma exige a utilização de um índice geral de preços confiável e representativo da inflação na economia em questão. É preferível que todas as entidades que reportam na moeda da mesma economia utilizem o mesmo índice.

5. Economias que Deixam de Ser Hiperinflacionárias

Quando uma economia não for mais considerada hiperinflacionária, as entidades devem interromper o reajuste das demonstrações financeiras, mantendo os valores ajustados como base para períodos futuros.

6. Divulgações

Serão feitas as seguintes divulgações:

  • Método (custo histórico ou corrente) e índices utilizados para o reajuste;

  • Impacto nas demonstrações financeiras;

  • Ajustes significativos realizados.

7. Comparativo com as Normas Brasileiras

No Brasil, a legislação contábil já adotou procedimentos similares à IAS 29, especialmente no período da inflação elevada até a década de 1990. Atualmente, as normas contábeis brasileiras (CPC 42) estão alinhadas às diretrizes da IAS 29, garantindo conformidade com as práticas internacionais. Apesar da sua inaplicabilidade no Brasil atual, esses normativos contábeis são requeridos nas situações de investidas em países com hiperinflação e fornecem uma normatização segura para que as demonstrações contábeis elaboradas pelas empresas brasileiras estejam completamente convergentes às normas internacionais de contabilidade.

As opiniões dos autores convidados da nossa comunidade são independentes e não necessariamente representam a opinião da Okai.

Perguntas e respostas

O que é a norma IAS 29 e qual seu principal objetivo?
A IAS 29 - Relatório Financeiro em Economias Hiperinflacionárias é uma norma contábil emitida pelo International Accounting Standards Board (IASB).Seu principal objetivo é regular a apresentação das demonstrações financeiras de entidades que operam em economias que sofrem os impactos severos da hiperinflação. A norma, que entrou em vigor em 1990, foi desenvolvida para assegurar que as informações financeiras reflitam adequadamente o valor real dos elementos patrimoniais e do resultado nessas circunstâncias.
Quando a norma IAS 29 deve ser aplicada?
A norma IAS 29 deve ser aplicada por entidades cujas demonstrações financeiras são preparadas e apresentadas na moeda de uma economia classificada como hiperinflacionária.Uma economia é considerada hiperinflacionária, para fins desta norma, quando ocorrem distorções significativas nos valores financeiros devido a um quadro de inflação elevada e sustentada.
Quais são as características de uma economia hiperinflacionária, de acordo com os critérios da IAS 29?
Uma economia é geralmente considerada hiperinflacionária quando apresenta uma combinação das seguintes características:(a) a população em geral prefere manter sua riqueza em ativos não monetários ou em uma moeda estrangeira relativamente estável, em detrimento da moeda local;(b) a população tende a considerar os valores monetários em termos de uma moeda estrangeira relativamente estável, e os preços podem, inclusive, ser cotados nessa moeda estrangeira;(c) as transações de compra e venda a crédito ocorrem a preços que buscam compensar a perda esperada do poder aquisitivo da moeda durante o prazo do crédito, mesmo que este seja curto;(d) as taxas de juros, os salários e os preços são frequentemente atrelados a um índice de preços;(e) e a taxa de inflação acumulada ao longo de um período de três anos aproxima-se de, ou excede, 100%.
O que são "itens monetários" no contexto da contabilidade em economias hiperinflacionárias?
No contexto da contabilidade em economias hiperinflacionárias, "itens monetários" são definidos como valores detidos em dinheiro e itens que representam direitos a serem recebidos ou obrigações a serem pagas em dinheiro, em quantias fixas ou determináveis.
Como as demonstrações financeiras devem ser apresentadas em uma economia hiperinflacionária, de acordo com a IAS 29?
De acordo com a IAS 29, as demonstrações financeiras de uma entidade cuja moeda funcional é a de uma economia hiperinflacionária devem ser declaradas em termos da unidade de medida corrente na data de encerramento do relatório (data do balanço).Isso significa que não apenas os saldos do período corrente, mas também os números comparativos de períodos anteriores, devem ser reformulados para essa mesma unidade de medida corrente, a fim de garantir a comparabilidade e a relevância da informação.
Como os itens monetários e não monetários são tratados na atualização das demonstrações financeiras pelo custo histórico em economias hiperinflacionárias?
Na atualização das demonstrações financeiras pelo custo histórico em economias hiperinflacionárias:Os itens monetários não são atualizados. Isso ocorre porque eles já estão expressos em termos da unidade monetária corrente no final do período de relatório, refletindo o poder de compra da moeda naquela data.Os itens não monetários, que não estão expressos na unidade de medida corrente, são reajustados. Esse reajuste é feito com base na variação de um índice geral de preços ocorrida entre a data de aquisição ou incorrência do item e a data do balanço (final do período de relatório).
Como os itens de receita e despesa são tratados na demonstração do resultado abrangente sob a IAS 29?
Conforme a IAS 29, todos os itens de receita ou despesa que compõem a demonstração do resultado abrangente devem ser reapresentados.Essa reapresentação é feita aplicando-se a variação de um índice geral de preços ocorrida entre a data em que cada item de receita ou despesa foi originalmente registrado e a data de encerramento do período de relatório.
O que acontece com o ganho ou perda na posição monetária líquida em economias hiperinflacionárias, segundo a IAS 29?
Segundo a IAS 29, o ganho ou perda resultante da manutenção de uma posição monetária líquida (ativos monetários menos passivos monetários) durante um período de inflação deve ser calculado e reconhecido no resultado do período.Esse ganho ou perda na posição monetária líquida deve ser incluído na apuração do lucro ou prejuízo e ser divulgado separadamente nas demonstrações financeiras.
De que forma o reajuste das demonstrações financeiras em economias hiperinflacionárias pode impactar a apuração de impostos?
O reajuste das demonstrações financeiras, conforme exigido pela IAS 29 em economias hiperinflacionárias, pode ter um impacto significativo na apuração de impostos.Especificamente, esse impacto pode ocorrer no reconhecimento de diferenças temporárias entre os valores contábeis e fiscais de ativos e passivos, bem como na determinação da base tributária desses mesmos ativos e passivos.
Qual é a exigência da IAS 29 para a Demonstração dos Fluxos de Caixa em economias hiperinflacionárias?
A IAS 29 exige que todos os itens apresentados na demonstração dos fluxos de caixa sejam expressos em termos da unidade de medida corrente no final do período de relatório.Isso garante que os fluxos de caixa também reflitam o poder de compra da moeda na data de encerramento, mantendo a consistência com as demais demonstrações financeiras.
Como os valores correspondentes (saldo anterior) são tratados nas demonstrações financeiras em economias hiperinflacionárias, de acordo com a IAS 29?
De acordo com a IAS 29, os números comparativos do período anterior, também conhecidos como valores correspondentes ou saldo anterior, devem ser atualizados.Essa atualização é realizada aplicando-se a variação de um índice geral de preços ocorrida até o final do período de relatório corrente. O objetivo é expressar esses valores comparativos na mesma unidade de medida corrente utilizada para os dados do período atual, permitindo uma comparação adequada.
Como a IAS 29 aborda as demonstrações financeiras consolidadas quando uma subsidiária opera em uma economia hiperinflacionária?
Quando uma entidade controladora possui uma subsidiária que opera e reporta na moeda de uma economia hiperinflacionária, a IAS 29 estabelece um procedimento específico para a consolidação.As demonstrações financeiras dessa subsidiária precisam ser primeiramente atualizadas monetariamente. Essa atualização é feita pela aplicação de um índice geral de preços do país em cuja moeda a subsidiária reporta. Somente após essa atualização, as demonstrações financeiras da subsidiária são incluídas nas demonstrações financeiras consolidadas emitidas pela sua controladora.
Quais são os critérios para a seleção e uso do índice geral de preços conforme a IAS 29?
A IAS 29 estabelece que, para o reajuste das demonstrações financeiras em economias hiperinflacionárias, deve-se utilizar um índice geral de preços que seja confiável e representativo da inflação na economia em questão.A norma também expressa uma preferência para que todas as entidades que reportam na moeda da mesma economia hiperinflacionária utilizem o mesmo índice, visando a consistência e comparabilidade das informações financeiras.
O que uma entidade deve fazer quando uma economia deixa de ser considerada hiperinflacionária, segundo a IAS 29?
Quando uma economia deixa de ser classificada como hiperinflacionária, as entidades que operam nessa economia devem interromper a aplicação dos procedimentos de reajuste das demonstrações financeiras exigidos pela IAS 29.Os valores que foram previamente ajustados pela inflação até a data da cessação da hiperinflação são mantidos como a base de custo histórico para os itens do balanço patrimonial nos períodos subsequentes. Ou seja, esses valores ajustados passam a ser a nova base contábil para fins de elaboração das demonstrações financeiras futuras.
Quais divulgações são exigidas pela IAS 29 em relação ao reajuste das demonstrações financeiras em economias hiperinflacionárias?
Quando uma entidade aplica a IAS 29 devido à hiperinflação, devem ser divulgados: o método (custo histórico ou corrente) e os índices utilizados para o reajuste; o impacto nas demonstrações financeiras; e os ajustes significativos realizados.
Como as normas contábeis brasileiras se relacionam com a IAS 29, que trata de relatórios financeiros em economias hiperinflacionárias?
As normas contábeis brasileiras possuem um histórico de alinhamento com os princípios da IAS 29. Durante o período de inflação elevada no Brasil, que perdurou até a década de 1990, a legislação contábil do país já previa procedimentos de correção monetária similares aos preconizados pela IAS 29.Atualmente, as normas contábeis brasileiras, especificamente o Pronunciamento Técnico CPC 42 - Contabilidade em Economia Hiperinflacionária, estão alinhadas às diretrizes da IAS 29. Embora a aplicação direta da IAS 29 e do CPC 42 não seja uma realidade no cenário econômico brasileiro atual, esses normativos são fundamentais e requeridos em situações específicas, como no caso de empresas brasileiras com investimentos (investidas) em países que enfrentam hiperinflação.Dessa forma, a existência e o alinhamento do CPC 42 com a IAS 29 fornecem uma base normativa segura para que as demonstrações contábeis elaboradas por empresas brasileiras, nessas circunstâncias, estejam em completa convergência com as normas internacionais de contabilidade (IFRS).

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Débora Martins De Luca

Contadora | Controladoria Financeira | Auditoria, Controles Internos e Compliance