Artigo
07/06/2025

Lições do Caso Trafigura: o que as empresas precisam aprender sobre ESG, Compliance e Due Diligence

Analisa as falhas de compliance e due diligence no caso Trafigura, destacando lições para empresas sobre ESG.

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A governança corporativa vive hoje sob novos parâmetros. O avanço de exigências legais, pressões de investidores e demandas sociais exige das empresas não apenas compromisso ético, mas ações concretas de conformidade — especialmente diante da crescente importância dos critérios ESG (ambientais, sociais e de governança).

Um dos casos mais emblemáticos dos últimos anos sobre falhas em compliance e due diligence envolve a Trafigura, uma das maiores tradings de commodities do mundo. O episódio traz valiosas lições sobre riscos legais, reputacionais e financeiros — e como evitá-los.

O que é ESG Compliance e Due Diligence?

ESG Compliance significa garantir que a empresa siga leis, regulamentos e práticas éticas, considerando impactos ambientais, sociais e de governança.

Já a Due Diligence (ou diligência devida) é um processo estruturado de investigação e análise de riscos. Serve para identificar e mitigar problemas antes que causem danos maiores — especialmente em operações internacionais, fusões, aquisições ou relações com terceiros.

No caso da Trafigura, falhas nesses dois pilares foram decisivas para o escândalo.

📌 Estudo de Caso: Trafigura e os escândalos de corrupção internacional (2024-2025)

1. Quem é a Trafigura?

A Trafigura Group Pte. Ltd. é uma empresa multinacional privada, ou seja, não possui ações negociadas em bolsa e pertence a um grupo restrito de sócios. Ela foi fundada em 1993 e tem sua sede oficial em Cingapura, um importante centro financeiro e comercial da Ásia. No entanto, suas operações globais são coordenadas principalmente a partir de Genebra, na Suíça, uma localização estratégica para o comércio europeu e internacional.

A Trafigura atua no segmento de trading de commodities. Compra, vende e transporta matérias-primas essenciais para a economia global, tais como:

  • Petróleo e derivados (combustíveis, gasolina, diesel);

  • Metais industriais, como cobre, zinco e alumínio;

  • Minerais e outras matérias-primas utilizadas em cadeias produtivas diversas.

Ela se destaca por ser uma das maiores empresas do mundo nesse setor. Movimenta centenas de bilhões de dólares por ano e está presente em mais de 30 países com escritórios, terminais, navios, minas e armazéns.

A Trafigura é considerada uma gigante silenciosa. Apesar de pouco conhecida do público geral, ela tem um papel estratégico na logística e no abastecimento global de energia e recursos minerais.

2. O que aconteceu?

Entre os anos de 2009 e 2011, a Trafigura se envolveu em casos graves de corrupção. A empresa pagou subornos a funcionários públicos em diferentes países para conseguir vantagens comerciais ilegais. Os dois casos mais conhecidos foram:

Angola

A Trafigura pagou propinas a funcionários da empresa estatal Sonangol, responsável pelo setor de petróleo do país. O objetivo era conseguir contratos de transporte marítimo de petróleo. Ou seja, pagar para ganhar preferência nas negociações, o que é ilegal.

Brasil

No Brasil, o esquema foi parecido. A empresa pagou propinas a funcionários da Petrobras, a maior estatal do setor de energia do país. Em troca, conseguiu contratos para vender derivados de petróleo, como gasolina e diesel.

Essas práticas violam leis anticorrupção, tanto dos países envolvidos quanto internacionais, como a FCPA dos Estados Unidos. As irregularidades só vieram à tona anos depois, graças a investigações internacionais feitas em conjunto por autoridades de vários países.

3. As consequências legais: o preço da corrupção corporativa

As ações ilegais da Trafigura geraram sérias consequências jurídicas e financeiras em diferentes países. As penalidades aplicadas mostram como os sistemas de justiça internacionais estão cada vez mais rigorosos com práticas de corrupção envolvendo empresas multinacionais. Veja os principais desdobramentos:

🔹 Suíça (janeiro de 2025)

O Tribunal Penal Federal da Suíça condenou oficialmente a Trafigura por praticar suborno de agentes públicos estrangeiros — o que é proibido pela legislação suíça e por tratados internacionais dos quais o país é signatário.

  • Multa aplicada: 3 milhões de francos suíços, como punição direta pelas infrações.

  • Compensações financeiras: A empresa foi obrigada a pagar 145 milhões de dólares, como forma de reparar os danos causados pelas práticas ilegais.

Essa decisão demonstra o compromisso da Suíça com o combate à corrupção internacional e evidencia o risco reputacional e financeiro para empresas que atuam fora dos padrões éticos.

🔹 Estados Unidos (março de 2024)

Nos Estados Unidos, a Trafigura enfrentou uma investigação com base na FCPA – Foreign Corrupt Practices Act, uma das legislações anticorrupção mais rígidas do mundo, que pune empresas por atos de suborno no exterior, mesmo que cometidos fora do território americano.

  • A empresa reconheceu sua culpa e firmou um acordo com o Departamento de Justiça (DOJ), admitindo que conspirou para violar a FCPA.

  • Como parte do acordo, a Trafigura concordou em pagar aproximadamente 127 milhões de dólares para encerrar o processo, evitando penas ainda mais severas.

Essas sanções reforçam a importância de um sistema de compliance sólido e mostram que a violação de normas éticas e legais pode ter impactos devastadores — não apenas financeiros, mas também reputacionais e operacionais.

4. Onde falhou o compliance da Trafigura?

As investigações mostraram que o sistema de compliance da Trafigura tinha falhas sérias. A empresa não conseguiu impedir os atos de corrupção. Veja os principais problemas:

1. Controles internos fracos

A empresa não tinha mecanismos eficazes para identificar, evitar ou punir subornos. Faltavam ferramentas, rotinas e sistemas de auditoria capazes de detectar irregularidades a tempo.

2. Cultura corporativa permissiva

O ambiente interno da Trafigura valorizava mais o lucro do que a ética. A prioridade era fechar contratos e aumentar os resultados financeiros, mesmo que para isso fosse necessário ignorar regras ou leis.

3. Uso de intermediários e empresas de fachada

A empresa utilizava terceiros e empresas de fachada para fazer pagamentos ilegais de forma escondida. Isso tornava mais difícil rastrear quem estava por trás das transações. Era uma forma de burlar os controles e dificultar a fiscalização.

Essas falhas abriram espaço para práticas ilegais acontecerem por muito tempo, sem serem descobertas. A falta de supervisão interna e de uma cultura ética forte permitiu que o esquema durasse anos — sem consequências dentro da empresa.

5. O que a empresa fez depois do escândalo?

Depois que os casos de corrupção vieram à tona, a Trafigura precisou mudar sua postura. A empresa iniciou um processo de reconstrução da sua área de integridade e compliance. Veja as principais medidas adotadas:

1. Reestruturação do setor de compliance

A empresa refez a estrutura da área responsável por garantir o cumprimento das leis e regras internas.

  • Contratou profissionais com mais experiência.

  • Trocou lideranças envolvidas ou omissas.

  • Revisou e atualizou políticas internas, com foco em prevenção à corrupção.

2. Treinamentos constantes para os funcionários

A Trafigura passou a investir em educação corporativa sobre ética e integridade.

  • Realizou treinamentos frequentes com todos os níveis da empresa.

  • Abordou temas como anticorrupção, conflitos de interesse e riscos regulatórios.

  • Incentivou os colaboradores a identificar e relatar situações suspeitas.

3. Auditoria e monitoramento mais rígidos

A empresa também fortaleceu os seus mecanismos de controle.

  • Criou sistemas mais eficientes para monitorar transações e contratos.

  • Adotou ferramentas digitais para rastrear movimentações financeiras.

  • Implantou auditorias internas mais frequentes e criteriosas.

Essas mudanças mostraram que a Trafigura reconheceu suas falhas e tentou reconstruir sua reputação. No entanto, esse tipo de transformação leva tempo — e exige vigilância constante.

6. Quais as lições para sua empresa?

Este caso deixa aprendizados valiosos — especialmente para quem atua em setores regulados, mercados internacionais ou com cadeias complexas de fornecedores. Veja os pontos principais:

  • Compliance efetivo não é opcional - Ter políticas no papel não basta. É necessário implementar, auditar e punir desvios com firmeza.

  • Cultura ética começa no topo - A liderança precisa dar o exemplo e reforçar constantemente os valores éticos da organização.

  • Due diligence é indispensável - Antes de fechar contratos, adquirir empresas ou trabalhar com novos fornecedores, é essencial avaliar riscos legais, reputacionais e ESG.

  • Transparência e rastreabilidade - Operações claras e documentadas inibem práticas irregulares e protegem a empresa de responsabilizações futuras.

O caso Trafigura mostra que falhas em ESG compliance e due diligence podem custar centenas de milhões de dólares — além de danos irreparáveis à imagem.

No cenário atual, empresas que desejam crescer de forma sustentável precisam integrar ética, transparência e governança no seu planejamento estratégico.

Fontes:

  1. U.S. Department of Justice (DOJ) – Trafigura Admits to FCPA Violations

  2. Tribunal Penal Federal da Suíça – Sentença contra Trafigura AG (relatório publicado em janeiro de 2025)

  3. Reuters – Commodity trader Trafigura fined in Switzerland over Angola bribery scheme

  4. Financial Times – Trafigura settles US corruption case

  5. Transparency International – Relatórios sobre corrupção corporativa e práticas de compliance

  6. OECD – Guidelines for Multinational Enterprises (capítulo sobre Due Diligence)

As opiniões dos autores convidados da nossa comunidade são independentes e não necessariamente representam a opinião da Okai.

Perguntas e respostas

Como a governança corporativa é caracterizada no cenário empresarial contemporâneo?
A governança corporativa opera atualmente sob novos parâmetros, impulsionada pelo avanço de exigências legais, pressões de investidores e demandas sociais. Essa conjuntura exige das empresas não apenas um compromisso ético, mas também a implementação de ações concretas de conformidade, especialmente diante da crescente importância dos critérios ESG (ambientais, sociais e de governança).
O que significa ESG Compliance?
ESG Compliance refere-se ao conjunto de práticas adotadas por uma empresa para assegurar o cumprimento de leis, regulamentos e padrões éticos, considerando seus impactos nas dimensões ambiental, social e de governança.
O que é Due Diligence e qual sua finalidade?
Due Diligence, também conhecida como diligência devida, é um processo estruturado de investigação e análise de riscos. Sua principal finalidade é identificar e mitigar potenciais problemas antes que eles causem danos significativos à organização. Este processo é particularmente crucial em contextos de operações internacionais, fusões, aquisições ou no estabelecimento de relações com terceiros.
Quem é a Trafigura Group Pte. Ltd. e qual sua área de atuação?
A Trafigura Group Pte. Ltd. é uma empresa multinacional de capital fechado, o que significa que não possui ações negociadas em bolsa e pertence a um grupo restrito de sócios. Fundada em 1993, tem sua sede oficial em Cingapura, com operações globais coordenadas principalmente a partir de Genebra, na Suíça.A empresa atua no segmento de trading de commodities, dedicando-se à compra, venda e transporte de matérias-primas essenciais para a economia global. Entre os produtos que comercializa estão petróleo e seus derivados, metais industriais como cobre, zinco e alumínio, além de outros minerais. A Trafigura é reconhecida como uma das maiores empresas do mundo em seu setor, com operações em mais de 30 países, e desempenha um papel estratégico na logística e no abastecimento global de energia e recursos minerais.
Quais são os principais tipos de commodities comercializados pela Trafigura?
A Trafigura comercializa um portfólio diversificado de matérias-primas essenciais para a economia global. Seus principais produtos incluem:Petróleo e derivados: abrangendo combustíveis como gasolina e diesel.Metais industriais: como cobre, zinco e alumínio.Minerais e outras matérias-primas: que são utilizadas em diversas cadeias produtivas.
Em que tipo de atividades ilícitas a Trafigura esteve envolvida entre os anos de 2009 e 2011?
Entre 2009 e 2011, a Trafigura participou de esquemas de corrupção internacional. A empresa realizou pagamentos de subornos a funcionários públicos em diferentes países com o objetivo de obter vantagens comerciais indevidas. Essas práticas configuraram violações de leis anticorrupção tanto nos países onde ocorreram os subornos quanto de legislações internacionais, como a Foreign Corrupt Practices Act (FCPA) dos Estados Unidos.
Como funcionou o esquema de corrupção da Trafigura em Angola entre 2009 e 2011?
Em Angola, durante o período de 2009 a 2011, a Trafigura efetuou pagamentos de propinas a funcionários da Sonangol, a empresa estatal angolana responsável pelo setor de petróleo. O propósito desses pagamentos ilegais era assegurar contratos vantajosos para o transporte marítimo de petróleo, garantindo preferência nas negociações de forma ilícita.
De que forma a Trafigura esteve envolvida em corrupção no Brasil entre 2009 e 2011?
No Brasil, entre 2009 e 2011, a Trafigura praticou atos de corrupção ao pagar propinas a funcionários da Petrobras, a principal empresa estatal do setor de energia do país. Em troca desses pagamentos ilegais, a Trafigura obteve contratos para a venda de derivados de petróleo, como gasolina e diesel.
Quais foram as consequências legais para a Trafigura na Suíça em decorrência de seus atos de corrupção, conforme decisão de janeiro de 2025?
Em janeiro de 2025, o Tribunal Penal Federal da Suíça condenou oficialmente a Trafigura por atos de suborno a agentes públicos estrangeiros. Como resultado dessa condenação, a empresa foi penalizada com uma multa de 3 milhões de francos suíços. Adicionalmente, foi obrigada a pagar uma compensação financeira no valor de 145 milhões de dólares para reparar os danos ocasionados por suas práticas ilegais.
Quais foram as implicações legais para a Trafigura nos Estados Unidos relativas aos seus atos de corrupção, conforme acordo de março de 2024?
Nos Estados Unidos, a Trafigura foi investigada com base na Foreign Corrupt Practices Act (FCPA), uma rigorosa lei anticorrupção. Em março de 2024, a empresa admitiu sua culpa e celebrou um acordo com o Departamento de Justiça (DOJ). Nesse acordo, a Trafigura reconheceu ter conspirado para violar as disposições da FCPA e concordou em pagar aproximadamente 127 milhões de dólares para encerrar o processo judicial.
O que é a FCPA (Foreign Corrupt Practices Act)?
A Foreign Corrupt Practices Act (FCPA) é uma legislação federal dos Estados Unidos. É conhecida por ser uma das leis anticorrupção mais rigorosas globalmente, pois estabelece sanções para empresas e indivíduos que realizem pagamentos de suborno a funcionários de governos estrangeiros com o intuito de obter ou manter negócios. Sua aplicação é extraterritorial, o que significa que pode punir atos de corrupção cometidos fora do território americano por empresas ou pessoas sujeitas à sua jurisdição.
Quais foram as principais deficiências no sistema de compliance da Trafigura que possibilitaram os atos de corrupção?
As investigações sobre o caso Trafigura revelaram falhas significativas em seu sistema de compliance, que contribuíram para a ocorrência dos atos de corrupção. As principais deficiências identificadas foram:Controles internos fracos: A empresa carecia de mecanismos eficazes para identificar, prevenir ou punir atos de suborno. Havia uma falta de ferramentas adequadas, rotinas de verificação e sistemas de auditoria robustos capazes de detectar irregularidades de forma tempestiva.Cultura corporativa permissiva: Observou-se um ambiente interno na Trafigura que priorizava a obtenção de lucros e o fechamento de negócios em detrimento da conduta ética. Essa cultura levava à tolerância ou ao descaso com o cumprimento de regras e leis.Uso de intermediários e empresas de fachada: A Trafigura utilizou terceiros e empresas de fachada para canalizar pagamentos ilegais de maneira dissimulada. Essa prática visava ocultar a origem e o destino dos recursos, dificultando o rastreamento das transações e a fiscalização por parte das autoridades e dos controles internos.Essas falhas, combinadas com uma supervisão interna inadequada e a ausência de uma cultura ética fortemente disseminada, permitiram que os esquemas de corrupção persistissem por um longo período sem serem detectados ou devidamente combatidos dentro da empresa.
Quais medidas a Trafigura implementou para fortalecer sua área de integridade e compliance após os escândalos de corrupção?
Após a exposição dos casos de corrupção, a Trafigura iniciou um processo de reformulação de sua área de integridade e compliance, adotando um conjunto de medidas significativas. As principais ações incluíram:Reestruturação do setor de compliance: A empresa revisou e alterou a estrutura da área responsável por assegurar o cumprimento de leis e normas internas. Isso envolveu a contratação de profissionais com maior experiência em compliance, a substituição de lideranças que foram consideradas envolvidas ou omissas nos esquemas, e uma revisão e atualização das políticas internas, com ênfase na prevenção à corrupção.Implementação de treinamentos constantes para os funcionários: A Trafigura passou a investir de forma mais robusta em programas de educação corporativa focados em ética e integridade. Foram realizados treinamentos frequentes, abrangendo todos os níveis hierárquicos da empresa, sobre temas cruciais como anticorrupção, gestão de conflitos de interesse e conscientização sobre riscos regulatórios. Adicionalmente, houve um esforço para incentivar os colaboradores a identificar e reportar quaisquer situações suspeitas.Fortalecimento da auditoria e do monitoramento: A empresa também aprimorou seus mecanismos de controle interno. Foram desenvolvidos e implementados sistemas mais eficientes para o monitoramento de transações financeiras e contratos. Adotaram-se ferramentas digitais para um melhor rastreamento de movimentações financeiras e foram estabelecidas auditorias internas mais frequentes e criteriosas.
Quais são as principais lições que outras empresas podem extrair do caso Trafigura em relação a ESG compliance e due diligence?
O caso Trafigura serve como um importante estudo sobre as consequências de falhas em ESG compliance e due diligence, oferecendo lições valiosas para outras organizações, especialmente aquelas que operam em setores altamente regulados, participam de mercados internacionais ou possuem cadeias de suprimentos complexas. Os principais aprendizados que podem ser destacados são:Compliance efetivo é mandatório, não opcional: A simples existência de políticas e manuais de conduta não é suficiente. É imprescindível que os programas de compliance sejam efetivamente implementados, que haja auditorias regulares para verificar sua aplicação e que desvios de conduta sejam tratados com firmeza e punições adequadas.A cultura ética deve ser liderada pelo exemplo: A alta administração e os líderes da organização têm um papel crucial em estabelecer e disseminar uma cultura ética. Eles devem ser o exemplo, demonstrando compromisso com os valores éticos e reforçando-os constantemente em suas ações e comunicações.Due diligence é um processo indispensável: Antes de firmar contratos importantes, realizar aquisições de outras empresas ou estabelecer parcerias com novos fornecedores e intermediários, é essencial conduzir um processo de due diligence abrangente. Essa diligência deve avaliar minuciosamente os riscos legais, reputacionais e relacionados aos critérios ESG (ambientais, sociais e de governança).Transparência e rastreabilidade são fundamentais: Manter operações claras, transparentes e devidamente documentadas é uma prática que inibe a ocorrência de irregularidades. Além disso, uma boa documentação protege a empresa de futuras responsabilizações, facilitando a demonstração de conformidade e boa-fé.Ignorar esses aspectos pode resultar em custos financeiros significativos, incluindo multas e compensações, além de causar danos, por vezes irreparáveis, à reputação e à imagem da empresa.
Por quais motivos a governança corporativa tem passado por uma redefinição de seus parâmetros em anos recentes?
A governança corporativa tem vivenciado uma redefinição de seus parâmetros devido a uma conjugação de fatores. Entre eles, destacam-se o avanço de exigências legais e regulatórias mais rigorosas, o aumento da pressão por parte de investidores por maior transparência e responsabilidade, e as crescentes demandas da sociedade por um comportamento empresarial mais ético e sustentável. Esses elementos têm levado as empresas a irem além do compromisso ético formal, exigindo ações concretas de conformidade (compliance), com uma ênfase particular na crescente importância dos critérios ESG, que englobam aspectos ambientais, sociais e de governança.
A Trafigura é uma empresa de capital aberto ou fechado?
A Trafigura Group Pte. Ltd. é uma empresa multinacional de capital fechado. Isso significa que suas ações não são negociadas em bolsas de valores e sua propriedade é restrita a um grupo de sócios, não estando disponível para o público investidor em geral.
Qual é o papel estratégico da Trafigura no mercado global de commodities?
A Trafigura desempenha um papel estratégico fundamental na logística e no abastecimento global de energia e recursos minerais. Embora possa não ser amplamente conhecida pelo público em geral, é uma das maiores empresas do mundo no setor de trading de commodities. Sua atuação envolve a movimentação de grandes volumes de matérias-primas que são cruciais para o funcionamento da economia global, conectando produtores e consumidores em uma vasta rede internacional.

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Mónica Sofia Polaco Vieira

Economista | Governança Corporativa | Finanças | Transformação | Estratégia e Desenvolvimento de Negócios | Treinamentos e Palestras in Company