Artigo
18/09/2019

O que é o Hedge de Exposição Agregada

Explica o conceito, exemplos e desafios do hedge de exposição agregada conforme IFRS 9/CPC 48.

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Como já é de conhecimento das companhias e profissionais atuantes nas áreas de contabilidade e finanças, no Brasil, a partir de 01 de janeiro de 2018, a IFRS 9/CPC 48 tornou-se a norma vigente para a contabilização dos instrumentos financeiros, revogando simultaneamente, parte substancial da antiga norma IAS 39/CPC 38.

Um dos tópicos abordados pela norma é a contabilização de hedge (hedge accounting). Nesse tema, houve algumas mudanças com o intuito de refletir de forma mais transparente a prática de gestão de riscos financeiros das companhias nas demonstrações financeiras. Tais mudanças trouxeram a possibilidade da aplicação da contabilização de hedge para objetos de hedge cuja composição incluísse um instrumento financeiro derivativo, o que é chamado na norma de exposição agregada.

A exposição agregada nada mais é do que um hedge de 1º nível, ou seja, ele já é uma estrutura de hedge, porém, a exposição resultante desse hedge, por algum motivo, à luz da política de gestão de riscos da entidade, pode se tornar um risco indesejável. Em um cenário equivalente, sob a prática das normas anteriores (IAS 39/CPC 38), a companhia não poderia designar para hedge accounting essa exposição agregada, uma vez que derivativos não poderiam ser designados como objetos de hedge.

O hedge de exposição agregada, do mesmo modo que qualquer outro modelo de hedge accounting, deve ser formalizado e ter monitorada a sua efetividade (relação econômica do hedge), no mínimo a cada data de balanço.

Um exemplo de hedge de exposição agregada: uma entidade cuja moeda funcional é o Real (BRL) toma um empréstimo em dólar + 3% e faz um swap que troca dólar + 3% por uma taxa prefixada de 9%. Esse seria o hedge de 1º nível (exposição agregada). Em algum momento, por ter aplicações financeiras indexadas ao CDI, essa entidade poderia contratar outro derivativo para sair do risco de taxa prefixada, assim, ela designaria como item protegido o conjunto “empréstimo em dólar + 3% e swap que troca dólar + 3% por taxa prefixada de 9%” e teria como instrumento de hedge algo como um swap que troca a taxa prefixada de 9% por um percentual do CDI ou por CDI + taxa.

Podemos afirmar que um dos maiores desafios para esse tipo de hedge é a definição das classificações de hedge accounting, tanto para o hedge de 1º nível (exposição agregada) quanto para o hedge de 2º nível, cujo hedge possui a função de eliminar ou reduzir o risco proveniente da exposição resultante do hedge de 1º nível, ou seja, no hedge de 2º nível, o hedge de 1º nível torna-se o objeto de hedge. Portanto, antes de definir a classificação contábil do hedge, é importante que a companhia tenha clara a sua intenção com estas estratégias, a priori, no seu ponto de vista econômico e de gestão. E mais, ao contratar o hedge de 2º nível, a entidade já deveria elaborar um estudo sobre os efeitos contábeis no novo instrumento financeiro e na nova exposição agregada.

Esse é um dos tópicos trabalhados nas consultorias da M2M SABER, e que certamente será discutido com o público presente na nossa Academia de Hedge e Hedge Accounting.

Se você ainda está iniciando seus estudos sobre hedge accounting, esse texto provavelmente inseriu um tópico avançado. Nesse caso, recomendamos que você conheça nosso curso online (EAD) de hedge accounting.

As opiniões dos autores convidados da nossa comunidade são independentes e não necessariamente representam a opinião da Okai.

Perguntas e respostas

O que é a IFRS 9/CPC 48?
A IFRS 9/CPC 48 é a norma vigente no Brasil desde 01 de janeiro de 2018 para a contabilização dos instrumentos financeiros, substituindo parte substancial da antiga norma IAS 39/CPC 38.
O que é hedge accounting?
Hedge accounting é a prática de refletir de forma mais transparente a gestão de riscos financeiros das companhias nas demonstrações financeiras, permitindo a contabilização de instrumentos financeiros derivativos como objetos de hedge.
O que é exposição agregada?
Exposição agregada é um hedge de 1º nível, onde a exposição resultante de um hedge pode se tornar um risco indesejável e, sob a IFRS 9/CPC 48, pode ser designada para hedge accounting, ao contrário das normas anteriores.
Como deve ser formalizado o hedge de exposição agregada?
O hedge de exposição agregada deve ser formalizado e ter sua efetividade monitorada, no mínimo, a cada data de balanço.
Pode dar um exemplo de hedge de exposição agregada?
Um exemplo é uma entidade cuja moeda funcional é o Real (BRL) que toma um empréstimo em dólar + 3% e faz um swap para trocar dólar + 3% por uma taxa prefixada de 9%. Esse é o hedge de 1º nível. Se a entidade quiser sair do risco de taxa prefixada, pode contratar outro derivativo, designando o conjunto 'empréstimo em dólar + 3% e swap' como item protegido e usar um swap que troca a taxa prefixada de 9% por um percentual do CDI ou CDI + taxa.
Quais são os desafios do hedge de exposição agregada?
Um dos maiores desafios é a definição das classificações de hedge accounting, tanto para o hedge de 1º nível (exposição agregada) quanto para o hedge de 2º nível, que visa eliminar ou reduzir o risco proveniente da exposição resultante do hedge de 1º nível.
O que é hedge de 2º nível?
Hedge de 2º nível é um hedge que tem a função de eliminar ou reduzir o risco proveniente da exposição resultante do hedge de 1º nível, tornando o hedge de 1º nível o objeto de hedge.
Qual a importância de definir a classificação contábil do hedge?
Antes de definir a classificação contábil do hedge, é importante que a companhia tenha clara a sua intenção com as estratégias de hedge, tanto do ponto de vista econômico quanto de gestão, e elabore um estudo sobre os efeitos contábeis no novo instrumento financeiro e na nova exposição agregada.
Onde posso aprender mais sobre hedge accounting?
Para aprender mais sobre hedge accounting, você pode participar das consultorias da M2M SABER ou se inscrever no curso online (EAD) de hedge accounting oferecido por eles.

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Eric Barreto

Partner e Prof. do Insper