Artigo
02/10/2023

Parecer de Orientação CVM nº 40 – O que a CVM diz sobre criptoativos

Explica o entendimento da CVM sobre criptoativos, limites regulatórios e critérios para classificação como valores mobiliários.

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Perguntas e respostas

O que é o Parecer de Orientação nº 40 da CVM?
O Parecer de Orientação nº 40, emitido pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), tem por objetivo mostrar os limites da atuação da CVM em relação aos ativos representados digitalmente que podem ser armazenados por meio de tecnologias de blockchains.
Qual é o objetivo do Parecer de Orientação nº 40 da CVM?
O objetivo é proporcionar um direcionamento melhor para criar um ambiente favorável para a atuação de criptoativos, com integridade e aderência aos princípios constitucionais legais, sem ferir as regras da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD).
O Parecer de Orientação nº 40 impede que operações ou ativos sejam enquadrados nas normas existentes?
Não, o parecer não impede que operações ou ativos, embora estejam no âmbito da blockchain, sejam enquadrados nas normas existentes.
Como o Parecer de Orientação nº 40 da CVM beneficia as empresas que atuam com criptoativos?
O parecer proporciona maior segurança e previsibilidade sobre quais normas serão emitidas sobre criptoativos, permitindo que as empresas se antecipem para adotar planos de ação e ajustar sistemas e processos.
Como a CVM define criptoativos?
Os criptoativos são designados como tokens e podem desempenhar diversas funções. A CVM criou algumas categorias para indicação do tratamento jurídico: Token de pagamento (cumpre a função de moeda), Token de utilidade (utilizado para adquirir ou acessar produtos ou serviços) e Token referenciado a Ativo (representa outros ativos, como security tokens, stablecoins e non-fungible tokens - NFTs).
O que é um Token de pagamento?
Um Token de pagamento, também conhecido como cryptocurrency ou payment token, é um token que cumpre a função de moeda.
O que é um Token de utilidade?
Um Token de utilidade, ou utility token, é um token utilizado para adquirir ou acessar determinados produtos ou serviços.
O que é um Token referenciado a Ativo?
Um Token referenciado a Ativo, ou asset-backed token, é um token que representa outros ativos, como security tokens, stablecoins e non-fungible tokens (NFTs). Esse token pode ou não ser considerado um valor mobiliário, dependendo de sua essência econômica e dos direitos conferidos aos titulares.
Onde está a definição de valor mobiliário na legislação brasileira?
A definição de valor mobiliário encontra-se na Lei nº 6.385/76, que contém uma lista de todos os ativos que são considerados valores mobiliários.
Quando um token é considerado um valor mobiliário?
Um token é considerado um valor mobiliário quando representa digitalmente algum ativo relacionado no Art 2º da Lei 6.385/76 ou se enquadra no conceito aberto do inciso IX do Art 2º, na medida em que seja um contrato de investimento coletivo.
Quais características um investimento deve ter para ser considerado um valor mobiliário pela CVM?
As características são: investimento, formalização, caráter coletivo do investimento, expectativa do benefício econômico, esforço de empreendedor ou de terceiro, e oferta pública.
Como a CVM define a característica de 'expectativa do benefício econômico' em criptoativos?
Criptoativos que estabeleçam o direito de seus titulares participarem nos resultados do empreendimento, por meio de participação ou resgate do capital, remuneração e recebimento de dividendos, atendem à característica da 'expectativa do benefício econômico'.
O que caracteriza o 'esforço de empreendedor ou de terceiro' em criptoativos, segundo a CVM?
Quando a criação, aprimoramento, operação ou promoção do empreendimento dependem da atuação do promotor ou de terceiros, está atendida a característica de 'esforço de empreendedor ou de terceiro'.
O que a CVM considera sobre a oferta pública de investimentos em criptoativos?
A oferta pública do investimento não deve possuir impeditivos para que o público acesse a página da oferta do ativo, ou seja, não deve conter nenhum geoblocking, mesmo que a oferta seja realizada numa página logada.
Qual é uma das principais preocupações da CVM em relação ao mercado de criptoativos?
Uma das principais preocupações da CVM é a divulgação de informações.
Quais normas da CVM devem ser observadas na realização de ofertas públicas de criptoativos considerados valores mobiliários?
Devem ser observadas as normas sobre registro e prestação de informações periódicas dos emissores de valores e títulos admitidos à negociação em mercados regulados, e sobre ofertas públicas de distribuição primária ou secundária de valores mobiliários e a negociação dos valores mobiliários ofertados nos mercados regulamentados.
Onde deve ocorrer a admissão à negociação secundária de valores mobiliários representados na forma de criptoativos?
A admissão à negociação secundária deve ocorrer em mercados organizados que possuam autorização da CVM, nos termos da Resolução CVM nº 135/22.
Quais informações mínimas a CVM almeja exigir para uma norma mais flexível em relação a criptoativos?
Informações sobre os direitos dos titulares dos tokens (identificação do emissor do token, descrição de suas atividades, direitos conferidos aos titulares, etc) e informações sobre negociação, infraestrutura e propriedade dos tokens (vantagens e desvantagens da utilização da tecnologia, aplicabilidade dos serviços de depósito centralizado, descrição da gestão da propriedade dos tokens, etc).
O que a CVM considera sobre a transparência de informações em ofertas públicas de criptoativos?
A CVM considera que a regulamentação aplicável deve ser observada, destacando-se as normas sobre registro e prestação de informações periódicas dos emissores e sobre ofertas públicas de distribuição primária ou secundária de valores mobiliários.
Como a CVM está disposta a adaptar suas regulamentações em relação a novos tipos de investimentos?
A CVM está disposta a adaptar suas regulamentações para normalizar o uso da tecnologia em investimentos, como a tokenização de ativos e investimentos em financiamentos coletivos (crowdfunding), podendo abrir consultas públicas para ouvir a opinião do mercado e participar de iniciativas como o Sandbox.
Quais são as fontes de informação sobre o Parecer de Orientação nº 40 da CVM?

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