Notícia
10/11/2009

Discurso: evento de lançamento ANBIMA

Discurso de lançamento da ANBIMA destacando desafios, integração de entidades e perspectivas para o mercado financeiro e de capitais brasileiro.

Marcelo Giufrida
Sr. Marcos Pinto, Presidente da CVM, Sr. Ricardo Pena, Secretário de Previdência Complementar, em nome de quem saúdo as demais autoridades presentes.

Amigo Sérgio Cutolo, 1º. Vice-Presidente da ANBIMA, em nome de quem saúdo os dirigentes das instituições financeiras aqui presentes.

Meus amigos,
Bom dia, sejam todos bem vindos.

É um prazer poder celebrar com vocês a criação da ANBIMA. Estar aqui hoje, conversando com vocês como presidente da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais, é uma grande honra para mim. Antes de mais nada, eu quero compartilhar essa satisfação com todos vocês e agradecer a presença de todos.

Mas eu também gostaria de aproveitar essa oportunidade para falar um pouco sobre o futuro que vislumbramos para nossa Associação.

Nós enfrentamos hoje um duplo desafio. Estamos integrando duas casas que têm uma longa tradição.

As histórias da Anbid e da Andima se confundem com a história dos mercados financeiro e de capitais brasileiros. Ambas foram protagonistas de iniciativas importantes para o desenvolvimento da nossa economia. Nosso primeiro desafio é preservar e fortalecer essa herança preciosa.

Nosso segundo grande desafio é realizar essa integração em meio a um cenário extremamente complexo. Vivemos em um mundo em transição. Globalmente, agentes públicos e privados esforçam-se para debelar os efeitos de uma das maiores crises econômicas da história recente.

Nós precisamos participar ativamente desses esforços, como interlocutores e agentes de mudança.

Localmente, nós também vivemos um momento de transição importante. A economia brasileira passou por grandes transformações nos últimos 15 anos.

Já existe uma geração de jovens brasileiros que não experimentou o mundo da hiperinflação, da extrema volatilidade, das crises recorrentes. Essa geração, e nós também, temos bons motivos para olhar para o futuro com otimismo. Isso não significa, claro, que não teremos que ser vigilantes para preservar as conquistas do período recente. Tampouco significa que nosso futuro está garantido. Pelo contrário, há desafios a enfrentar, e devemos estar preparados para lidar com eles. Acredito que a decisão de criar a ANBIMA é um sinal de que temos consciência desses desafios e da necessidade de unirmos esforços para enfrentá-los.

O Brasil que olhamos hoje com otimismo é um país com necessidades de investimentos gigantescos nos próximos anos. Basta mencionar a exploração dos campos petrolíferos do Pré-sal e todos os investimentos de infra-estrutura necessários para a realização da Copa do Mundo em 2014 e dos Jogos Olímpicos em 2016. Temos aqui uma grande oportunidade para fomentar ainda mais o desenvolvimento do mercado de capitais local, que deverá ser um veículo importante de canalização de recursos para esses projetos.

Mas há ainda alguns nós que precisamos desatar.

É natural que ainda enfrentemos algumas distorções herdadas do período de alta inflação e indexação da economia. Mas já estamos completando o processo de migração de um ambiente de grande volatilidade e juros altos para um ambiente de normalidade macroeconômica.

Nesse cenário, é preciso eliminar as distorções que podem comprometer o bom funcionamento dos mercados financeiro e de capitais. Por um lado, precisamos garantir que as decisões de alocação de recursos na economia brasileira sejam influenciadas apenas pela relação de risco e retorno considerada adequada pelos poupadores.

Por outro, é preciso zelar para que os mercados locais possam competir em condições de isonomia com as grandes praças financeiras globais.

Como representante das entidades que operam no mercado brasileiro, a ANBIMA irá atuar ativamente para promover a inserção internacional do mercado local.

Este é um dos nossos grandes desafios e sabemos que não o enfrentaremos sozinhos: Iremos compartilha-lho com todos os grandes agentes públicos e privados que direta ou indiretamente atuam nos mercados financeiro e de capitais.

No próximo dia 23, diretores e funcionários da ANBIMA estarão em Hong Kong, quando inaugurarão a segunda fase do BEST, uma iniciativa conjunta da Associação, da FEBRABAN e da BM&FBovespa que conta com o apoio do Banco Central, da CVM, e do Tesouro Nacional, no setor público, e da ABVCAP, da Ancor e do IBGC, no setor privado.

É gratificante poder constatar que grupo tão heterogêneo de agentes compartilha dos nossos objetivos e os apóia.

O objetivo do BEST, nessa fase, é apresentar os produtos de investimento brasileiros aos investidores internacionais.

Nosso projeto de longo prazo, nessa área, é ainda melhor traduzido por outra iniciativa, o Projeto ÔMEGA, que também conduzimos com os mesmos parceiros. O objetivo aqui é traçar um plano estratégico para transformar nosso mercado em um centro financeiro regional.

É desnecessário dizer que essa é uma tarefa de quase uma geração. O que não significa que não seja o momento de lançar as bases da iniciativa: pelo contrário, acredito que estamos preparados para nos engajarmos nela. Para nos tornarmos uma praça financeira de relevância global, precisamos estar equipados para tanto.

A ANBIMA nasce com uma herança muito rica neste aspecto. Partimos do legado de esforços constantes de nossos associados para aprimorar o mercado local.

A Anbid e da Andima, ao longo de toda a sua história, criaram bancos de dados, para fornecer informações relevantes ao mercado de forma tempestiva e transparente, desenvolveram plataformas de negociação e troca de informações modernas e seguras.

A produção e divulgação de informações é um passo importante para tratar outro dos nossos desafios que, ressalta-se, compartilhamos hoje com praticamente todos os mercados internacionais: o de precificação de ativos.

Novamente, creio que estamos aptos a endereçá-lo com propriedade: seja na forma do desenvolvimento de metodologias e adoção de melhores práticas, seja por meio do debate e sugestão de medidas para fomentar o crescimento e o aumento de liquidez do nosso mercado secundário.

Nunca é demais repetir que precisamos nos preparar para o futuro e, nesse aspecto, nenhum ativo é mais importante do que a Educação. À medida que nosso mercado cresce e se torna mais sofisticado, essa máxima se torna ainda mais verdadeira. Precisaremos de profissionais cada vez mais qualificados e atualizados.

Precisamos nos preocupar em explicar os produtos e serviços que oferecemos ao público investidor, que também tende a se tornar mais exigente.

Temos uma larga experiência em treinamento e certificação de profissionais, e será nossa prioridade expandir e aprimorar nossos esforços nessa área.

Tanto a Andima quanto a Anbid já faziam parte do grupo de entidades participantes da Estratégia Nacional de Educação Financeira, cujo objetivo é o desenvolvimento de um projeto nacional de educação financeira.

Contribuir para levar informação e conhecimento ao público investidor sempre foi e continuará sendo uma de nossas grandes preocupações, pois cremos que essa é uma das bases para estabelecermos uma relação madura e sustentável com os investidores.

Não são poucas nem simples nossas frentes de atuação, mas estou seguro que estamos preparados para levá-las a cabo. É verdade que enfrentamos um mundo em transição – globalmente, localmente e em nossa própria Associação. Essa é uma situação que sempre gera incertezas.

Mas que também abre espaço para atuarmos com criatividade e energia.

Temos, na ANBIMA, todos os ativos para nos ajudar a tirar proveito desse cenário: a experiência, o conhecimento dos mercados que representamos, o capital humano para enxergar as tendências e o comprometimento de atuar no melhor interesse de nossos Associados e em favor do desenvolvimento do mercado financeiro e de capitais. Aqui, é importante destacar o quanto são indispensáveis os canais de interlocução herdados pela ANBIMA. Temos a missão de consolidar cada vez mais os já fortes laços que criamos com agentes públicos e privados.

Não podemos deixar de repetir o quanto essa interlocução foi e será importante para construirmos as bases de um mercado dinâmico e sólido e, por isso, eu gostaria de mencionar algumas dessas iniciativas.

O SELIC está completando 30 anos, que serão comemorados com a realização de um seminário internacional na próxima semana, no Rio. É um orgulho sermos parceiros do Banco Central na administração de um sistema moderno e seguro de negociação e custódia de títulos públicos.

Nos orgulha também poder ter comemorado, em agosto, o aniversário de um ano do Convênio com a CVM. Realizamos hoje, por meio do convênio, a análise prévia de ofertas públicas, o que permitiu que contribuíssemos para agilizar o processo de análise de operações.

No mês passado assinamos convênio com a ABVCAP, associação com a qual estamos criando um Código de Regulação e Melhores Práticas para FIPs e FIEEs. Desde 2002, mantemos convênio que permitiu que os associados da ABRAPP passassem a aderir aos códigos de Ética e Operacional de Mercado da então Andima.

Não há dúvida de que parceiras como estas se multiplicarão à medida que nosso mercado se sofisticar, e a experiência de interlocução que sempre mantivemos com outras entidades representativas do mercado certamente se provará muito valiosa.

Sabemos que o bom funcionamento de qualquer mercado depende em larga medida da criação e adesão a regras claras, além da adoção de padrões éticos por parte de seus participantes. A ANBIMA dispõe hoje de 7 Códigos de Regulação e Melhores Práticas, todos construídos de forma democrática e transparente.

Contamos hoje com um corpo técnico experiente para atuar na supervisão e regulação dos mercados em que atuamos, e acreditamos ter construído com sucesso um modelo de supervisão voluntária original e eficiente.

Ao contrário da nova geração de brasileiros que eu mencionei, nós experimentamos um período difícil da história econômica brasileira. Nós -- cidadãos, empresas, instituições públicas e privadas brasileiras -- conseguimos superar esse período com criatividade e persistência.

Hoje, podemos vislumbrar um futuro de maiores possibilidades do que aquele que enxergávamos há 20 anos. Dentre todas as possibilidades que nós podemos enxergar para a ANBIMA hoje, está a de poder ajudar a escrever a história de sucesso dos mercados financeiro e de capitais brasileiro nos próximos anos.

Eu creio que todos nós, associados, funcionários, parceiros e interlocutores da ANBIMA estamos dispostos a nos esforçar para isso.

Muito obrigado.