Notícia
19/03/2015

Captações no primeiro bimestre se concentram em dívida local

Captações no mercado de dívida local concentraram as operações no primeiro bimestre, com volume abaixo da média de 2014.

O volume das operações no mercado de capitais realizadas em fevereiro ficou abaixo da média de 2014, com emissões de R$ 1 bilhão, concentradas integralmente no mercado de dívida local. De acordo com o Panorama ANBIMA, fevereiro é o quarto mês consecutivo sem operações no segmento doméstico de renda variável. Também permanecem suspensas as ofertas de companhias brasileiras no mercado internacional, cenário incomum para o período. As dificuldades de captação por parte da Petrobras, associadas à volatilidade do câmbio e à piora da percepção de risco por parte de investidores estrangeiros, têm contribuído para este resultado.  Diante deste cenário, as empresas brasileiras têm direcionado seus esforços de captação para o segmento local de dívida, mas ainda em volume bastante inferior à média de captações de 2014. Em janeiro, o volume chegou a R$ 14,1 bilhões, mas R$ 10 bilhões foram referentes a uma única captação com debêntures de leasing. Em fevereiro, o volume parcial das emissões com títulos de renda fixa e instrumentos de securitização foi de apenas R$ 1 bilhão, sendo R$ 851 milhões em debêntures e apenas R$ 93 milhões em notas promissórias e R$ 90 milhões em CRIs.

Já a indústria de fundos, por conta da valorização do mercado de renda fixa, renda variável e cambial, apresentou rentabilidade positiva para todos os tipos do segmento em fevereiro. Influenciados pela alta das ações da Petrobras, os tipos Ações FMP-FGTS  (15,21%) e Ações Setoriais (9,72%), cujas carteiras são concentradas nesses papéis, registraram as maiores rentabilidades da indústria no mês. A captação líquida da indústria foi de R$ 4,3 bilhões, acumulando R$ 5,1 bilhões no ano e R$ 18,9 bilhões em 12 meses. A categoria Curto Prazo foi a que apresentou o maior ingresso líquido no mês (R$ 10,7 bilhões), enquanto os fundos Multimercados e Ações estão entre os que apresentam maior resgate no ano.  Em um ambiente de incerteza e de alta da taxa de juros, tal comportamento parece evidenciar a preferência dos investidores por ativos com rentabilidade elevada, liquidez e baixa volatilidade, em detrimento de ativos de maior risco.

No mercado de renda fixa, a percepção de piora das expectativas de curto prazo se refletiu nos preços e na rentabilidade dos ativos. Os resultados positivos dos índices não espelharam o ambiente de volatilidade que já vinha marcando o segmento. O IRF 1+ (prefixados acima de um ano) e IMA-B 5+ (indexados ao IPCA acima de cinco anos), índices de maior duration e mais sensíveis às variações das expectativas de mudança nos juros, registravam resultados negativos até o dia 26 de fevereiro (-0,67% e -1,87%, respectivamente). Porém, a repercussão favorável do superávit fiscal de janeiro, anunciado em 27 de fevereiro, foi suficiente para que os ajustes nos preços dos títulos assegurassem retornos positivos no mês de 0,04% para o IRF-M 1+ e de 0,17% para o IMA-B 5+. Em março, entretanto, o acirramento do quadro político e as dúvidas quanto à capacidade do governo de aprovar o ajuste fiscal elevaram os prêmios de risco dos ativos, revertendo a trajetória de alta dos índices mais longos. Até o dia 13 de março, o IRF-M 1+ e o IMA-B5+ acumulavam retornos negativos de 2,11% e 2,73%, respectivamente. O ambiente doméstico de baixa confiança dos agentes ocorre em um contexto de valorização do dólar no mercado internacional. Com isto, aumentaram as apostas na possibilidade do FED elevar os juros nos próximos meses, levando ao alinhamento do Euro e das moedas dos principais mercados emergentes em relação ao dólar, o que vem caracterizando o cenário financeiro internacional em 2015.