Notícia
20/07/2015

Fundos que apostaram em câmbio e em juros se beneficiaram no semestre, mostra Panorama

Fundos que investiram em câmbio e juros tiveram melhor desempenho no primeiro semestre de 2015.

No mês de junho, as rentabilidades dos fundos seguiram influenciadas pela trajetória dos juros. De acordo com o Panorama ANBIMA, no semestre, os fundos que se destacaram foram os que apostaram na valorização do dólar, em investimentos no exterior ou no recuo das taxas de juros de longo prazo, como o caso dos fundos Cambial (17,50%), Multimercados Macro (11,02%), Multimercados Multiestratégia (8,21%) e Renda Fixa Índices (7,41%). Com relação à captação, a categoria Previdência foi destaque no ano, com ingresso líquido de R$ 19,9 bilhões. As categorias Referenciado DI e Curto Prazo também apresentaram captação relevante no período por conta das incertezas no cenário econômico e da alta dos juros, que aumentam a busca por produtos conservadores.

Em junho, essa mesma incerteza também impactou o mercado de renda fixa, refletindo-se na volatilidade dos indicadores. A percepção de piora do quadro fiscal e do ambiente inflacionário estimulou estratégias mais conservadoras, envolvendo operações com ativos de prazos mais curtos. A piora no balanço de riscos inflacionários provocou a revisão dos preços dos ativos do segmento. A inflação implícita embutida nos títulos prefixados para o prazo de um ano atingiu 6,53% na segunda quinzena de junho após situar-se abaixo de 6% ao longo de maio. Mesmo garantindo a melhor performance no semestre (9,03%), a trajetória de valorização dos títulos de maior duration, sobretudo as NTN-Bs acima de cinco anos, reverteu-se em junho. O IMA-B 5+, índice que reflete a carteira desses títulos, registrou retornos mensais negativos de 0,73% em junho e de 0,38% em julho, até o dia 13. A taxa indicativa de mercado do vértice mais longo, a NTN-B 2055, que permaneceu abaixo de 6% entre maio e a primeira quinzena de junho, vem indicando uma taxa de juros real acima de 6,20% desde o dia 08 de julho.

O mercado de capitais em 2015 também foi fortemente afetado pelo cenário econômico, principalmente pela queda do nível de atividade num ambiente de alta das taxas de juros. O primeiro semestre registrou o menor volume de captações desde 2009, de R$ 74,3 bilhões (sem considerar as debêntures de leasing), com queda de 53% em relação ao mesmo período do ano passado. As emissões externas somaram aproximadamente R$ 21 bilhões na primeira metade do ano, com queda de 76,7% na mesma comparação. Por conta das novas regras de financiamento para concessões públicas voltadas para os investimentos de infraestrutura no Programa de Investimento em Logística, anunciado pelo governo em junho, as perspectivas para o restante do ano podem ser mais positivas, tanto para os volumes emitidos como para os perfis de emissão de debêntures, principal instrumento de captação das empresas, mas que tiveram retração de 30% no período.