As captações de recursos pelas companhias brasileiras recuaram 24,9% no primeirotrimestre em relação ao mesmo período do ano passado. De acordo com o
Panorama ANBIMA – que analisa os movimentos nos mercados em março – o que mais influenciou a baixa foram as captações com títulos de renda fixa e instrumentos de securitização.
No trimestre, as ofertas desses segmentos apresentaram queda de 58,1%, espalhada por todos os ativos, à exceção dos FIDCs e das debêntures de leasing. A magnitude da queda das ofertas no mercado de capitais no período só não foi mais acentuada devido à primeira operação internacional, realizada pelo Tesouro Nacional, que movimentou US$ 1,5 bilhão, e das duas operações com ações de 2016, que somaram R$ 560 milhões. No primeiro trimestre de 2015 não foram realizadas ofertas nesses dois segmentos.
No mercado de renda fixa, a expressiva valorização dos índices que replicam a performance das carteiras de títulos públicos prefixados e indexados de duration mais longa – mais sensíveis às variações dos juros – foi reflexo do aumento das apostas dos investidores quanto à redução dos juros para os próximos meses.
Em março, o IRF-M 1+, que reflete a carteira prefixada acima de um ano, registrou retorno mensal de 5,21% e o IMA-B 5+, que representa a carteira das NTN-Bs acima de cinco anos, variou 8,3%, resultado que garantiu a esse indicador a melhor performance no ano (12,62%) entre os sub-índices do IMA. Contribuiu para este quadro a desaceleração da inflação, capturada nos índices referentes ao mês de março, conjugada com a valorização de 10,6% da moeda doméstica em relação ao dólar norte americano no período.
A expressiva valorização dos ativos de renda fixa e de renda variável, expressa nas altas de 3,42% do IMA-Geral e de 16,97% do Ibovespa, se refletiu nas rentabilidades da indústria de fundos.
Os fundos de ações, em particular os tipos FMP-FGTS, Mono Ação e Setoriais acumularam rentabilidades de 36,51%, 34,56% e 17,27%, respectivamente. Embora com rentabilidade elevada, os fundos com gestão ativa, como os tipos Ações Índice Ativo (11,45%) e Livre (7,28%) registraram valorização inferior à do tipo Indexados (15,57%) que, em sua maior parte, segue o comportamento do Ibovespa.
Já entre os fundos de renda fixa, os que possuem carteiras de duração mais longa foram mais beneficiados pelo recuo da taxa de juros no mês. Assim como em fevereiro, o tipo Duração Alta Soberano voltou a apresentar a maior valorização da categoria, com alta de 4,40%. Estimulados pelo fechamento das taxas de juros de longo prazo a partir de janeiro, esses fundos acumulam valorização de 8,42% no ano.