Notícia
25/11/2015

Comitê Macro prevê maior pressão sobre a economia no primeiro semestre

Comitê Macroeconômico prevê maior pressão sobre a economia no primeiro semestre de 2016 com recessão e aumento do desemprego.

¿A nossa presidente Denise Pavarina e membros do Comitê de Acompanhamento Macroeconômico participaram de um debate promovido pelo jornal Valor Econômico. 

 
A convite da direção do jornal, os economistas Marcelo Carvalho, Fernando Honorato, Carlos Kawall e Luiz Fernando Figueiredo apresentaram as projeções do último relatório do comitê e debateram o cenário político-econômico no país. Para 2016, o grupo prevê taxa Selic de 13,25%, inflação em 6,9% e dólar em R$ 4,17. Leia o relatório de novembro do Comitê Macroeconômico
 
Denise destacou que a conjuntura econômica atual é atrativa aos investidores estrangeiros. “Não há taxas de retorno como as nossas na economia real. Estamos passando por um momento muito difícil, mas temos todos os elementos para que se estabeleça uma disciplina melhor na parte política”, afirma Denise.
 
Com a inflação e o desemprego em patamares elevados, a avaliação do comitê é que a pressão sobre a economia pode piorar no primeiro semestre do ano que vem. “O lado político não está dando espaço para que questões como rigidez dos gastos, excesso de indexação da economia e aumento das despesas sejam resolvidas. Nós temos o diagnóstico, sabemos o que precisa ser feito, já estamos sofrendo os efeitos da crise, mas estamos dominados por essa situação de impasse do lado político, que não permite enxergar melhora”, afirma o diretor Luiz Fernando Figueiredo.
 
Para Marcelo Carvalho, a previsão de recuperação da economia em 2016, feita no início do ano, deu espaço a estimativas de recuos cada vez maiores do PIB. A mediana das projeções está em 2,1%, mas pelo “teor do debate, o viés ainda é de baixa para esses números”. Segundo Fernando Honorato, não há variável hoje que explique o tamanho do tombo previsto para a atividade econômica. “O que explica o que está acontecendo é o fato de que as decisões de investimento e consumo estão sendo adiadas por causa do cenário de incerteza”, diz. Carlos Kawall, também membro do comitê, afirma que o primeiro trimestre de 2016 será muito difícil, pois a população sentirá mais fortemente os efeitos do aumento do desemprego. “Vamos ter um ano de recessão forte seguido de outro ainda mais forte. O desemprego vai voltar para o que era no início do governo Lula”, afirma.
 
Participaram do encontro 12 jornalistas do Valor Econômico, entre os quais, a diretora de redação Vera Brandimarte, a editora de política Catherine Vieira e a editora de finanças Alessandra Belotto.