As captações com valores mobiliários por parte das companhias nacionais somaram R$ 95,6 bilhões até novembro, com queda de 34,2% em relação ao mesmo período do ano passado. As informações são do Boletim ANBIMA de Mercado de Capitais de dezembro. Desconsiderando as ofertas de debêntures leasing, o montante alcançou R$ 85,6 bilhões no acumulado dos 11 meses, valor 31,7% menor em relação aos R$ 125,3 bilhões do mesmo período de 2014. Em novembro foi emitido somente R$ 1,3 bilhão, sendo R$ 1 bilhão correspondente a uma única emissão de FIDC, ligada ao financiamento de veículos.
“É um ano atípico nos mercados e esse compasso de espera deve ser mantido até que o cenário político-econômico se mostre mais definido. Ao mesmo tempo, a ANBIMA se manteve firme na sua agenda institucional, conseguindo avanços significativos junto à lei 12.431 e estreitamento da interlocução com o governo para fortalecimento do mercado de capitais, o que nos permite um arcabouço favorável às emissões à medida que a conjuntura fique melhor”, afirma Carolina Lacerda, diretora da ANBIMA.
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O baixo volume do total de emissões até novembro é resultado de uma redução de 40,5% das captações com títulos de renda fixa e de um crescimento de 19% das ofertas de ações – apesar do volume de colocações com ativos de renda variável, de apenas R$ 18,3 bilhões, ser pouco significativo. Entre os instrumentos de renda fixa e de securitização, as notas promissórias e os FIDCs foram os ativos que apresentaram pior desempenho no ano, em volume. As operações com notas registraram queda de 62,5% na comparação com 2014, enquanto o volume de FIDCs caiu 48,7%.
Mesmo com a queda do volume das ofertas de debêntures corporativas, o perfil de destinação de recursos das debêntures se alterou no período. Ainda que a destinação para o refinanciamento de passivo continue representando a maior parcela dos recursos, o percentual foi inferior ao observado nos anos de 2011 e 2012, quando as taxas de juros se encontravam em patamares bem inferiores, possibilitando a troca das dívidas por condições mais favoráveis.
Enquanto houve redução significativa da parcela destinada a investimentos em geral ou aquisições de participações societárias, a parte direcionada aos investimentos em infraestrutura apresentou crescimento consistente ao longo dos últimos cinco anos. Esse movimento também é reflexo do aumento das ofertas enquadradas na Lei 12.431/11. Até novembro de 2015, o montante das ofertas enquadradas no Art. 2º chegou a R$ 3,8 bilhões.
Não há grandes expectativas de que os resultados de dezembro revertam o quadro apresentado até o momento, apesar de existirem algumas ofertas relevantes de debêntures em análise na CVM/ANBIMA para o próximo período, como as ofertas da Concessionária do Sistema Anhanguera Bandeirantes, de R$ 930 milhões, a da AES Tiete, de R$ 440 milhões, e a da Comgás, de R$ 500 milhões.