Notícia
15/12/2015

Cenário instável afeta mercados em novembro, mostra Panorama

Mercados financeiros enfrentam volatilidade em novembro devido a rebaixamento de rating e incertezas políticas e econômicas.

Como mostra o Panorama ANBIMA deste mês, a decisão de mais uma agência de rating de rebaixar a nota brasileira de crédito culminou com a perda de grau de investimento, aumentando a volatilidade dos ativos. A sinalização do Copom (Comitê de Política Monetária) de uma eventual elevação dos juros, por sua vez, realçou as contradições da política monetária ante a resiliência inflacionária e a retração da economia.

 
No mercado de renda fixa, o ajuste nos preços dos ativos permanece volátil e segue o curso dos eventos políticos e econômicos. Na última semana de novembro, a piora do ambiente político limitou a rentabilidade com impactos relevantes na valorização das carteiras de maior duração. 
 
O IMA-B5+, que acompanha a carteira das NTN-B acima de cinco anos, registrava até o dia 20 de novembro, ganho mensal de 5,11%. Após essa data, o índice apurou perda de 3,57% até o final do mês, consolidando uma valorização de 1,35% no período. Esse mesmo movimento foi observado no IRFM1+, carteira prefixada acima de um ano, que apresentou variações de 2,19% (até 20 de novembro) e -1,37% (entre 23 e 30 de novembro), resultando em um retorno mensal de 0,83%. O ambiente de maior aversão ao risco para os ativos de prazos mais longos estimulou a demanda por títulos de curtíssimo prazo, impactando o perfil dos rendimentos no mercado ao longo do ano.
 
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As incertezas também afetaram as captações das empresas brasileiras no mercado de capitais. As ofertas em novembro ficaram no menor patamar mensal do ano e foi o pior novembro para o mercado desde 2002, tanto em volume (R$ 1,29 bilhão) quanto em número de operações (quatro). O destaque foi uma oferta de FIDC que captou R$ 1 bilhão e respondeu por 78,1% do total levantado no mês. 
 
A cautela nas emissões se refletiu na queda do volume de ofertas domésticas, que atingiu o nível mais baixo desde 2009. No acumulado de 2015, até novembro, a captação foi de R$ 95,6 bilhões, valor que se aproxima do apurado em 2008, auge da crise financeira internacional. A perspectiva é de que este ano os volumes emitidos no segmento fiquem abaixo de R$ 100 bilhões, repetindo o registrado em 2008.
 
A indústria de fundos, por sua vez, registrou resgate líquido de R$ 20,4 bilhões em novembro, o maior desde outubro de 2008, quando foram resgatados mais de R$ 28,5 bilhões. Entre os fatores que levaram a este resultado estão o recolhimento semestral do Imposto de Renda nos fundos de renda fixa e multimercados, o aumento das incertezas no final do mês e o maior volume de resgates para pagamento do 13º salário. O resultado foi parcialmente atenuado pelos ingressos líquidos nas classes Previdência (R$ 3,9 bilhões), FIDC (R$ 2 bilhões) e FIP (R$ 1,6 bilhão). 
 
Apesar do bom desempenho no ano, o aumento da incerteza no final de novembro também afetou as rentabilidades. Se, até o dia 24, o Ibovespa valorizava 5,27% e os títulos com maior duração acumulavam alta superior a 4%, o fechamento do mês se deu com queda de 1,63% do Ibovespa e perda de parcela significativa da valorização dos títulos de renda fixa. Ainda assim, a rentabilidade da maior parte dos fundos de Renda Fixa superou a do IMA-Geral (1,05%) e o tipo Multimercados Macro registrou a maior valorização da indústria em novembro entre os fundos com PL relevante (1,76%), acumulando, assim, valorização de 20,85% no ano. Já a alta de 0,60% do tipo Small Caps em novembro foi destaque entre os fundos de ações.

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