Após dois meses, o segmento de fundos voltou a registrar captação líquida no mês de janeiro, alcançando R$ 6,5 bilhões. Segundo o
Panorama ANBIMA, o resultado foi impulsionado pelo ingresso líquido de R$ 12 bilhões em fundos de renda fixa, reflexo do aumento sazonal de aportes de recursos em fundos pertencentes ao Poder Público. Outro fator que influenciou foi a continuidade da captação em fundos destinados aos clientes do varejo, que têm sido atraídos pelas elevadas taxas de juros.
No mercado de capitais, o começo de 2016 não trouxe novidades em relação ao comportamento das captações de recursos por parte das companhias brasileiras. O cenário de baixo nível da atividade doméstica se somou ao aumento da volatilidade no mercado internacional, potencializando as incertezas em relação ao prazo de recuperação econômica, e, consequentemente, sobre as decisões de investimento das companhias. Assim, como observado em todo o ano de 2015, a alternativa de funding das empresas nacionais se concentrou no segmento doméstico de renda fixa. Mas, mesmo no mercado local, as captações de janeiro continuaram apresentando desaceleração em relação ao volume e ao número de operações dos períodos anteriores. Em janeiro, as captações domésticas somaram R$ 2,8 bilhões, com apenas dez operações. Foi o pior resultado para o mesmo período nos últimos seis anos.
No campo de renda fixa, o clima de incerteza nos mercados financeiros internacionais foi decisivo para que o Comitê de Política Monetária do Banco Central decidisse pela manutenção dos juros em 14,25% na reunião de janeiro, surpreendendo parte do mercado que apostava no início de um ciclo de elevação da meta para a taxa Selic. Ganhou força a expectativa de que os juros se mantenham estáveis nos próximos meses, com possibilidade de queda no segundo semestre. Essa percepção foi reforçada com a desvalorização do dólar norte-americano em relação às demais moedas (o real, inclusive). Esse movimento poderá ocasionar uma reavaliação mais profunda dos riscos inflacionários, caso sejam mantidas as condições atuais no mercado internacional de câmbio. A perspectiva de que a redução dos juros seja factível no segundo semestre favoreceu os ajustes nos preços dos títulos prefixados. Entre o dia 21 de janeiro, dia seguinte à decisão do Copom, até 10 de fevereiro, a carteira prefixada acima de um ano, expressa pelo IRF-M1+, apresentou rentabilidade de 3,43%, a maior entre os subíndices do IMA. O IRF-M 1, que reflete a carteira prefixada de até um ano, se valorizou 0,99%. Em relação aos títulos indexados, o IMA-B5+ (NTN-B acima de cinco anos) e o IMA-B 5 (NTN-B até cinco anos) registraram, respectivamente, variações de 2,82% e 1,51%. A carteira das LFTs em mercado, refletida na trajetória do IMA-S, apresentou a pior performance nesse período, com retorno de 0,68%.