A redução dos gastos públicos é condição imprescindível para reverter o atual quadro de desaceleração econômica e direcionar o Brasil para a retomada do crescimento. “O País precisa caber em sua receita”, aponta Fernando Honorato, vice-presidente do nosso Comitê de Acompanhamento Macroeconômico e economista-chefe da Bradesco Asset Management (Bram). Medidas de ajuste fiscal devem vir acompanhadas ainda das reformas previdenciária, trabalhista e tributária.
A conclusão é dos membros do Comitê Macro que participaram de debate que promovemos na quarta-feira, 2, em parceria com a Bloomberg. Durante o encontro foram discutidos o cenário e as perspectivas para os principais indicadores econômicos, diante da conjuntura político-monetária.
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Para o presidente do Comitê Macro, Marcelo Carvalho, também economista-chefe do BNP Paribas para a América Latina, é urgente que o Brasil cuide dos aspectos fiscais. “Não dá para contar com o resto do mundo para salvar a lavoura”, disse, durante o encontro que reuniu quase 100 pessoas, entre associados, clientes da Bloomberg e jornalistas de diversos veículos de imprensa.
A desindexação do orçamento e uma abertura comercial mais agressiva, acompanhada de acordos bilaterais, são medidas necessárias destacadas por Carlos Kawall, do banco Safra. Pelo lado positivo, ele lembrou que estamos com “brutal melhora” nas contas externas, o que pode se refletir na trajetória do câmbio e favorecer um possível corte dos juros.
Para o diretor da ANBIMA e sócio-diretor da Mauá Investimentos, Luiz Fernando Figueiredo, a complexidade do atual momento político-econômico pode contribuir para a adoção de medidas capazes de reverter o quadro de desaceleração. “O Brasil está sofrendo e talvez seja isso que precisamos para partir para um ciclo de crescimento”, disse.
Este foi o segundo debate realizado em parceria com a Bloomberg. O economista-chefe da empresa, Marco Maciel, abriu o encontro com considerações sobre o cenário mundial e o impacto sobre o Brasil. “O PIB mundial está desacelerando, com movimentos contrativos adicionais sobre o País”, disse ele.
O evento da quarta-feira refletiu o
Relatório Econômico, publicação que consolida o debate que ocorre a cada 45 dias no Comitê Macro, sempre na sexta-feira que antecede a reunião do Copom. O grupo reúne 25 economistas das principais instituições financeiras, que fazem projeções para o ano corrente e para o próximo. Na última reunião do Comitê, realizada em 26 de fevereiro, as estimativas indicaram a manutenção da mediana da meta para a taxa Selic em 14,25% até o final de 2016. Ontem, a Banco Central confirmou o número, mantendo inalterada a taxa básica de juros pela quinta vez consecutiva.